A Bolsa de Seul (Kospi) registrou sua maior queda diária da história, despencando 12% em um dia após já ter caído 7,2% no dia anterior, com perdas acumuladas de 20% em dois dias. O colapso foi impulsionado pelo pânico dos investidores devido ao conflito no Oriente Médio e pela forte venda das gigantes de chips Samsung e SK Hynix, que arrastaram o índice. A turbulência também pressionou a moeda local, o won sul-coreano, que atingiu seu nível mais fraco desde a crise financeira global.
Principais tópicos abordados:
1. Colapso histórico do mercado acionário sul-coreano (Kospi).
2. Conflito no Oriente Médio como catalisador do temor dos investidores.
3. Queda das principais empresas (Samsung e SK Hynix) e desvalorização da moeda local (won).
4. Comparativo com os desempenhos de outros mercados asiáticos, europeus e norte-americanos.
A Bolsa de Seul despencou 12% nesta quarta-feira (4) e teve a sua maior queda em um dia na sua história. Um dia antes, a Bolsa já havia caÃdo 7,2% na maior perda entre os principais mercados do mundo.
De acordo com a agência de notÃcias Bloomberg, apenas 10 ações das mais de 800 empresas que têm papeis negociados subiram nesta quarta. O resultado foi uma consequência direta do temor dos investidores com o conflito no Oriente Médico com os ataques dos EUA e Israel ao Irã, que está respondendo à s ofensivas.
O Ãndice Kospi tinha a melhor performance global neste ano, tendo subido cerca de 50% nos dois primeiros meses do ano. Porém, em dois dias de março, a Bolsa já caiu 20%. Na segunda-feira (2), não houve negociação em virtude de feriado nacional.
A forte onda de vendas foi impulsionada por quedas nas gigantes Samsung e SK Hynix, as duas maiores fabricantes de chips de memória do mundo, que respondem por quase 40% do Ãndice Kospi. Ambas caÃram cerca de 20% cada desde o inÃcio da guerra.
"Os investidores estão tentando realizar lucros em um dos mercados com melhor desempenho no ano até agora", afirmou Jason Lui, chefe de estratégia de ações e derivativos da Ãsia-PacÃfico no banco BNP Paribas, observando que alguns estavam precificando um "cenário de disrupção mais severa".
Os outros mercados da Ãsia também caÃram, mas não de forma tão acentuada. Na China, o Ãndice CSI300, que reúne as principais companhias listadas em Xangai e Shenzhen, desvalorizou 1,14%, enquanto o SSEC, de Xangai, fechou em baixa de 0,98%. A Bolsa de Tóquio caiu 3,61'% e da Taiwan, 4,35%.
Já as Bolsas da Europa operam em alta nesta manhã. O Ãndice Euro STOXX 600, referência da União Europeia, estava subindo 1,8%, à s 10h (horário de BrasÃlia). A valorização também ocorria em Frankfurt (1,89%), Londres (0,85%), Paris (1,27%), Madri (2,18%) e Milão (1,81%).
Nos EUA, os contratos futuros das três Bolsas também estavam subindo antes da abertura do mercado. A Nasdaq tinha alta de 0,29%, enquanto DowJones valorizava 0,10% e S&P 500 tinha variação positiva de 0,19%.
MOEDA SUL-COREANA EM QUEDA
A forte venda feita por estrangeiros também pressionou o won coreano, que caiu 2,5% em dois dias e brevemente ultrapassou a marca de 1.500 wons por dólar na terça-feira (3), atingindo seu nÃvel mais fraco desde a crise financeira global.
"Dado que a Coreia do Sul é uma grande importadora de petróleo, os preços mais altos do petróleo terão um impacto preocupante na macroeconomia do paÃs, incluindo inflação, taxas de câmbio e crescimento, se a guerra não terminar em uma ou duas semanas", disse Jongmin Shim, estrategista de ações da CLSA.
A queda acentuada levou investidores de varejo ao pânico. "Estou em colapso. Nunca vi uma queda livre assim em minhas décadas de investimento em ações, nem mesmo quando uma guerra estourou", declarou a dona de casa Song Mi-kyung, de 60 anos. "Não há muito que eu possa fazer além de torcer por uma recuperação rápida."
O Banco da Coreia disse na quarta-feira que monitoraria de perto o mercado para tomar medidas em caso de "movimentos excessivos" na moeda.