Resumo objetivo:
Uma nova máquina austríaca de 170 toneladas, a Unimat 09-8x4/4S, será usada para acelerar a construção e manutenção de trilhos na ferrovia de Mato Grosso e na malha paulista da Rumo Logística. O equipamento aumenta a eficiência, realizando a manutenção de 1.300 metros de via por hora — mais que o dobro da média atual — e reduz o tempo de intervenção, especialmente nos cruzamentos. A adoção da tecnologia visa otimizar a operação e ampliar a capacidade de escoamento de grãos, setor no qual Mato Grosso responde por cerca de 40% das exportações brasileiras.
Principais tópicos abordados:
1. Introdução de uma máquina avançada para manutenção ferroviária.
2. Aplicação em ferrovias estratégicas para o escoamento de grãos.
3. Ganhos de eficiência operacional e comparação com outros países.
4. Contexto do projeto ferroviário em Mato Grosso e seu impacto logístico.
Uma máquina que tem como objetivo acelerar a construção e, principalmente, a manutenção de trilhos passará a ser utilizada na rota ferroviária que liga o Centro-Oeste ao porto de Santos e na Ferrovia Estadual de Mato Grosso, em obras.
Maior empreendimento do setor em andamento no paÃs, a ferrovia estadual está sendo construÃda pela Rumo LogÃstica, entre Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, no norte do estado.
O inédito equipamento que deverá ser entregue nos próximos dias à Rumo pesa 170 toneladas, tem 45 m de comprimento e, inicialmente, porém, deverá ser usado na centenária malha paulista, também sob concessão da companhia de logÃstica.
A empresa vai usar uma máquina fabricada na Ãustria pela Plasser & Theurer, que consegue em uma hora fazer a manutenção de 1.300 m de vias férreas, ante os 600 m médios de máquinas do gênero utilizadas atualmente.
O equipamento, chamado Unimat 09-8x4/4S, opera na linha corrida e nos chamados AMVs (Aparelhos de Mudança de Via), cruzamentos que permitem o trem passar de uma via férrea à outra. Nesses trechos de mudança, ela nivela a via em até um terço do tempo das máquinas usadas hoje, o que reduz a janela de operação e amplia a disponibilidade das linhas.
Equipamentos do tipo já são comuns em ferrovias na Europa e em paÃses como Rússia, Canadá, China, Austrália e Estados Unidos, que possuem vasta malha ferroviária.
Como comparação, o Brasil pretende chegar em meados da próxima década transportando 35% das cargas em ferrovias, ante os 20% atuais, enquanto a Rússia leva mais de 80% de suas cargas pelos trilhos. Nos outros paÃses, os Ãndices superam os 40%.
"A manutenção hoje é como você otimiza o seu intervalo entre trens para fazer o máximo possÃvel para manter a via de acordo com o projeto. A manutenção te permite aumentar a velocidade média, reduzindo a quantidade de trens e mantendo a mesma produtividade, com um custo mais otimizado", disse Victor Araújo, CEO da Plasser do Brasil.
A máquina chegou ao paÃs em janeiro e foi para a fábrica em Hortolândia, na região metropolitana de Campinas, onde ficou em fase de comissionamento desde então.
De acordo com o CEO, a empresa fundada em 1953 na Ãustria investe cerca de 10% da receita em pesquisa, Ãndice que supera, por exemplo, gigantes internacionais de máquinas agrÃcolas, que destinam até 5% da receita em desenvolvimento de projetos e pesquisas. No paÃs, a marca chegou em 1973 e tem cerca de 500 máquinas em operação.
O projeto da ferrovia estadual mato-grossense consiste em implantar um corredor ferroviário para escoar a produção de grãos do estado para a malha paulista da própria Rumo, até o porto de Santos.
Das cerca de 150 milhões de toneladas de grãos exportadas pelo Brasil em 2024, cerca de 40% foram produzidas no estado.
O primeiro trecho terá circulação de trens entre Rondonópolis e Campo Verde, rota de 211 quilômetros, dos quais 160 quilômetros entrarão em operação neste ano.