Resumo objetivo:
O artigo defende que marcas podem construir fidelidade duradoura ao se envolverem com os indivíduos desde cedo, apoiando sua educação e formação. A autora ilustra isso com sua experiência pessoal de lealdade a um banco que confiou nela na juventude e com seus projetos de mídia educativa para crianças e jovens. A conclusão é que investir na formação das novas gerações gera relações de confiança e beneficia tanto a sociedade quanto as marcas no longo prazo.
Principais tópicos abordados:
1. Fidelização de clientes através do engajamento precoce – a construção de lealdade branda quando marcas apostam nos indivíduos desde o início de sua jornada.
2. Educação midiática e financeira como ferramenta estratégica – a criação de conteúdos educativos (como Jornal Joca e Tino Econômico) para formar cidadãos críticos e, futuramente, consumidores conscientes.
3. Convergência entre impacto social e construção de marca – a ideia de que investir na formação ética e intelectual da juventude gera benefícios sociais e, simultaneamente, relações duradouras para as empresas.
Quando iniciei meus estudos em administração de empresas na FGV, aos 18 anos, uma instituição financeira estava presente no diretório acadêmico da faculdade oferecendo abertura de contas para estudantes. Eu queria muito ter uma conta bancária, mas ainda não tinha renda. Mesmo assim, o banco acreditou em mim.
Essa decisão, aparentemente simples, teve um efeito duradouro. Sou fiel a essa instituição até hoje. Nunca cogitei encerrar minha conta. Não por taxas ou produtos, mas por memória, vÃnculo e retribuição. O banco apostou em mim quando eu estava apenas começando e isso cria uma lealdade que nenhuma campanha publicitária sozinha consegue comprar.
Esse exemplo pessoal ilustra uma oportunidade estratégica que marcas de diferentes setores precisam observar com mais atenção: a fidelização que nasce do acompanhamento das pessoas desde cedo.
Acompanhar os cidadãos desde o inÃcio da alfabetização até os primeiros anos da vida adulta é uma grande oportunidade para as marcas ganharem consumidores fiéis. Mas isso precisa ser feito com responsabilidade e pensando no longo prazo.
Quando criei o Jornal Joca, voltado para o público infanto-juvenil, há 15 anos, a intenção era oferecer educação midiática a crianças e jovens, ajudando a desabrochar o interesse por saber o que acontece no mundo e desenvolver pensamento crÃtico. Ao longo dos anos, a iniciativa se comprovou uma ferramenta valiosa para a formação de cidadãos crÃticos e conscientes de seus deveres e direitos.
Em 2022, demos mais um passo com o lançamento do Tino Econômico, uma espécie de Financial Times para jovens, inclusive no cuidado estético das páginas rosadas do impresso. Voltado a jovens do ensino médio e dos primeiros anos da faculdade, a publicação apresenta notÃcias do Brasil e do mundo com contextualização econômica e foco em educação financeira. Nesses primeiros anos, a cada nova escola que adota o jornal em sala de aula, temos a prova do impacto positivo que esses conhecimentos trazem para os jovens.
Neste ano, criamos o Joquinha, que tem a missão de introduzir a leitura de mundo para crianças em fase de alfabetização, despertando desde cedo o interesse por informação, cidadania e compreensão da realidade.
O que esses três produtos vêm nos mostrando na prática é que o retorno é sempre positivo. As crianças aprendem rápido e são multiplicadoras desses novos conhecimentos dentro de casa, criando um cÃrculo virtuoso que beneficia toda a sociedade. Mais do que formar consumidores, estamos formando cidadãos conscientes que, no futuro, farão escolhas mais informadas e responsáveis.
à justamente nessa jornada de aprendizado que marcas comprometidas com a educação podem construir relações de confiança genuÃnas e duradouras. Essa é uma convergência poderosa. Educação, cidadania, impacto social e construção de marca não são agendas separadas, elas se fortalecem mutuamente.
Marcas que investem na formação de jovens contribuem diretamente para uma sociedade mais pensante e atuante. E, ao mesmo tempo, constroem relações de longo prazo baseadas em confiança, admiração e pertencimento. Vale destacar que esses jovens não serão apenas consumidores, serão empregados, colaboradores, lÃderes e tomadores de decisão dentro das próprias organizações.
Ajudar a formar e desenvolver esses jovens é também investir na qualidade humana, ética e intelectual das futuras equipes. à pensar sustentabilidade não apenas como impacto ambiental, mas como impacto social e cultural.
Fidelizar clientes desde pequenos é praticar a visão de longo prazo. à entender que marcas fortes são aquelas que caminham junto com as pessoas ao longo da vida. Assim como o banco que apostou em mim aos 18 anos conquistou um cliente fiel, empresas que investem na formação das novas gerações hoje estão plantando sementes de lealdade que florescerão por décadas.
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