Resumo objetivo:
Cuba enfrenta um apagão generalizado que atinge dois terços da ilha, causado por uma falha técnica em uma usina termelétrica. Esta crise energética aguda é resultado direto de uma severa escassez de petróleo, provocada pelo embargo dos EUA e pela interrupção dos fornecimentos da Venezuela e do México. A falta de combustível paralisa serviços básicos, agrava a crise econômica e afeta setores como o turismo, mergulhando a população em uma situação de extrema dificuldade.
Principais tópicos abordados:
1. A crise energética atual (apagão generalizado e suas causas técnicas).
2. As causas externas da escassez de petróleo (embargo dos EUA e corte de fornecimentos de aliados).
3. O impacto socioeconômico da crise (colapso de serviços básicos, transporte, saúde e turismo).
4. A justificativa política dos EUA para o embargo e a visão crítica de terceiros (como o presidente Lula).
Em meio a um embargo de petróleo imposto pelos Estados Unidos, Cuba passa por um apagão generalizado nesta quarta-feira (4) que atinge quase a totalidade da ilha, da cidade de Pinar del RÃo à provÃncia oriental de Las Tunas, passando pela capital, Havana.
De acordo com a mÃdia estatal, o apagão foi causado por volta do meio-dia (14h de BrasÃlia) graças a uma falha técnica na usina termelétrica de Antonio Guiteras, a 100 quilômetros de Havana. Dois terços da ilha estão sem luz, e não há previsão de retomada do serviço.
Desde a captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma invasão americana em janeiro, Cuba deixou de receber o petróleo venezuelano que era crucial para o funcionamento de sua economia. Após pressão do governo Donald Trump, o México, outro importante fornecedor, também interrompeu as remessas à ilha.
Washington também ameaçou impor tarifas contra paÃses que vendam petróleo a Cuba. Como resultado, nenhum petroleiro aportou na ilha desde o dia 9 de janeiro, segundo a agência de notÃcias AFP, e o regime adotou medidas drásticas, como proibição da venda de diesel e racionamento da de gasolina.
Dessa forma, os cubanos vivem hoje longos apagões, veem o lixo se acumular nas ruas e podem contar cada vez menos com serviços básicos, como transporte público e atendimento de saúde. Estima-se que Cuba produza menos da metade do petróleo de que necessita.
O agravamento dos perÃodos sem energia elétrica levou algumas famÃlias a instalar painéis solares em suas casas, mas a solução é limitada. Havana passa por racionamentos de energia que podem durar até 15 horas, enquanto a situação nas provÃncias é ainda mais grave.
à crise energética soma-se a prolongada crise econômica de Cuba, que deve piorar com o colapso do setor turÃstico frente a escassez de petróleo. Linhas aéreas como a Air France anunciaram que vão suspender suas operações no paÃs por falta de combustÃvel de aviação, mais um golpe para o turismo, importante fonte de renda para o regime.
O aposentado Alfredo Menéndez, 67, disse à AFP que já não sabe como pedir a Deus para que aconteça algo que melhore a vida dos cubanos. "Isto já não é viver", afirmou.
O governo Trump justifica sua polÃtica de asfixiamento econômico contra Cuba dizendo que o paÃs de cerca de 10 milhões de habitantes a apenas 150 km de distância da Flórida representa uma "ameaça excepcional" à segurança dos EUA, dadas as relações do regime comunista com Rússia, China e Irã.
Nesta quarta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que há fome em Cuba por causa de forças externas. "Cuba não está passando fome porque não sabe produzir. Cuba não está passando fome porque não sabe construir sua energia. Cuba está passando fome porque não querem que Cuba tenha acesso às coisas que todo mundo tem direito", disse o presidente brasileiro.