Resumo objetivo:
Ana Claudia Queiroz de Paiva é apontada pela Polícia Federal como integrante formal da estrutura financeira que custeava o grupo "A Turma", uma milícia privada ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ela também possui múltiplas conexões empresariais com a família Vorcaro, sendo diretora de empresas como a Super Empreendimentos — suspeita de participar de esquemas fraudulentos e de doar um apartamento de alto valor a uma "sugar baby". As investigações revelam que essas empresas eram usadas para movimentar recursos, ocultar vínculos e financiar atividades ilegais.
Principais tópicos abordados:
1. A atuação de Ana Claudia na gestão financeira de um grupo miliciano ligado a Daniel Vorcaro.
2. Suas conexões empresariais com a família Vorcaro e empresas de fachada.
3. A função da empresa Super Empreendimentos em esquemas de doações, empréstimos fraudulentos e ocultação de patrimônio.
4. As investigações sobre desvios no Banco Master e a estrutura para lavagem de dinheiro.
Ana Claudia Queiroz de Paiva, apontada pela PolÃcia Federal como responsável pelos pagamentos aos membros do grupo "A Turma", de Daniel Vorcaro, tem outras ligações com a famÃlia do ex-banqueiro e é diretora da empresa que doou apartamento para uma mulher que se autodeclara "sugar baby".
De acordo com os dados das investigações divulgados nesta quarta-feira (4), o núcleo era uma milÃcia privada com o objetivo de coagir e ameaçar desafetos do dono do Banco Master, entre eles concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas.
Segundo o relatório, Ana Claudia participava da realização e da gestão de transferências destinadas a custear atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo, integrando a estrutura responsável por viabilizar pagamentos.
Decisão do Supremo Tribunal Federal afirma que ela não atuava apenas como alguém que cumpria ordens ou realizava transferências pontuais, mas que integrava formalmente a estrutura usada para fazer o dinheiro circular.
Reportagem publicada pela Folha em dezembro de 2025 mostrou que Ana Claudia era diretora da Super Empreendimentos em dezembro de 2024, quando a empresa doou um apartamento de R$ 4,4 milhões para Karolina Trainotti, que teve o nome citado em uma operação policial contra tráfico internacional de drogas em 2022. A defesa de Trainotti negou as acusações e afirmou que ela atuava como "sugar baby", tendo os seus gastos pessoais custeados no perÃodo do relacionamento amoroso que mantinha com um dos réus naquele caso de 2022.
A mesma reportagem apontou que o ex-banqueiro evitava admitir que possuÃa conexões com a Super Empreendimentos e Participações SA, mas havia claras ligações por meio de Ana Claudia.
Levantamento realizado pela Folha no cadastro nacional de pessoas jurÃdicas e juntas comerciais mostrava que o telefone de pelo menos três empresas de Daniel Vorcaro era o mesmo de Ana Claudia.
O número de telefone que ela forneceu à Receita no registro de sua microempresa, ACQ Consultoria e Gestão, era o mesmo das firmas Viking, Vinc e Star Music, de Vorcaro.
Segundo as investigações da Compliance Zero, a Super seria usada para permitir ou dar suporte à s movimentações financeiras da "A Turma", como o pagamento para o Luiz Philipi Mourão, conhecido como Sicário âapelido dado para matadores de aluguel em espanhol.
Além disso, Ana Claudia e Fabiano Zettel âcunhado do banqueiroâ são sócios na empresa Storm. Ela é também diretora das empresas Adonay e Ren, que também têm Zettel na direção.
A Adonay está registrada no mesmo endereço, em um complexo comercial na avenida Raja Gabaglia, em Belo Horizonte, onde funcionam empresas ligadas a Vorcaro, incluindo a Viking âcompanhia de participações com capital de R$ 100 milhões que ganhou notoriedade ao aparecer como proprietária do jato que o banqueiro utilizaria no dia em que foi preso, em novembro.
A Super Empreendimentos e Participações S.A. também era dona da casa de R$ 36 milhões em BrasÃlia onde Vorcaro recebeu polÃticos como o senador Ciro Nogueira (PP) e o deputado Hugo Motta (Republicanos).
A Super integra uma lista de mais de 30 companhias suspeitas de tomar empréstimos fraudulentos do Master para alimentar uma rede de fundos que, segundo investigadores, desviavam dinheiro do banco para laranjas para retroalimentar o próprio Master.
O principal acionista da Super é o fundo Termópilas, administrado pela Reag âque foi um dos alvos da Carbono Oculto, deflagrada em agosto para apurar suspeitas de conexões entre empresas financeiras, o setor de combustÃveis e o PCC. Dados da Comissão de Valores Mobiliários indicam que o Termópilas é controlado por outro fundo, seu único cotista, sem identificação pública do beneficiário final.
Embora figure na direção de empresas com capital milionário âe bilionário, no caso da Super, acima de R$ 2,5 bilhõesâ, Ana Cláudia pediu justiça gratuita em 2020 em uma ação judicial em que cobrava cerca de R$ 14 mil de um inquilino inadimplente, alegando não ter condições de arcar com custas processuais sem prejuÃzo do próprio sustento. Nos anos seguintes, entretanto, firmou financiamento para aquisição de um imóvel de R$ 2,4 milhões em Belo Horizonte, com entrada de R$ 1,1 milhão em recursos próprios, além de assumir financiamento de um apartamento de R$ 1,3 milhão em São Paulo.
Ana Cláudia não foi alvo de pedido de prisão preventiva nesta quarta-feira (4), diferentemente de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel. A Justiça optou por outras medidas, como uso de tornozeleira eletrônica. Ela está proibida de sair da cidade sem autorização judicial e não pode se comunicar nem se aproximar a menos de 50 metros dos outros investigados.
A reportagem tentou contato com Ana Claudia pelos emails das empresas e telefone da mãe, mas não teve resposta.