Resumo objetivo:
A nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, reacendeu críticas do PT ao ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, vinculando o escândalo ao governo Bolsonaro e buscando afetar a candidatura de Flávio Bolsonaro. A operação da PF também atingiu ex-funcionários do BC acusados de atuar em benefício do Banco Master, com suspeitas de omissão na fiscalização durante a gestão de Campos Neto. A estratégia política visa ampliar as investigações para figuras próximas ao anterior governo.
Principais tópicos abordados:
1. A prisão de Daniel Vorcaro e o escândalo do Banco Master.
2. A tentativa do PT de vincular o caso a Roberto Campos Neto e ao governo Bolsonaro.
3. As investigações da PF contra ex-diretores do BC por suposta atuação em favor do banco.
4. O impacto político do caso, envolvendo aliados de Bolsonaro e figuras petistas.
Com a nova prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a estratégia do PT é mirar o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto para vincular o maior escândalo bancário do paÃs ao governo Jair Bolsonaro (PL) e tentar desgastar também a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Campos Neto é sempre apontado como referência econômica entre os bolsonaristas e um possÃvel nome para comandar um novo Ministério da Economia caso Flávio seja eleito. Atualmente, ele é vice-chairman e chefe global de polÃticas públicas do Nubank. Também é colunista da Folha.
Foi na gestão dele no BC que o Banco Master acabou sendo criado e cresceu em meio a fraudes. O ex-presidente do BC tem se defendido dizendo que a autoridade monetária não ficou inerte e fez alertas ao banco de Vorcaro para que ajustasse suas condutas às regras vigentes.
Campos Neto foi procurado nesta quarta (4) por meio de sua assessoria, mas não houve resposta.
A PolÃcia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza, que cumpriu a função entre 2019 e 2023, na gestão Campos Neto.
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça afirmou, ao autorizar os mandados, que Souza atuou como uma "espécie de empregado/consultor" de Vorcaro.
De acordo com o ministro, há indÃcios de que o ex-diretor intermediava ou auxiliava o Banco Master em operações societárias e financeiras, chegando a indicar potenciais interessados na compra de uma instituição financeira vinculada ao grupo de Daniel Vorcaro. Ele também teria atuado como interlocutor informal entre o banqueiro e agentes do mercado.
Outro servidor do BC alvo da operação desta terça é Belline Santana, que também foi acusado pela PF de atuar para Vorcaro dentro da autoridade monetária. Ele chegou a emitir opinião sobre um ofÃcio que o Banco Master enviaria ao departamento até então chefiado por Belline, e manteve contato telefônico com Vorcaro em diversas ocasiões.
Ambos foram afastados da função pública por determinação do STF e deverão usar tornozeleira eletrônica.
A ministra da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), Gleisi Hoffmann, afirmou nas redes sociais que o ex-diretor é acusado de receber dinheiro para não fiscalizar o Master. "Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?", questionou.
Ela também criticou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que usou um jatinho de uma empresa de Vorcaro na campanha eleitoral de 2022, para pedir votos para o ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Essa 'Turma' dos amigos de Nikolas espionava autoridades, invadia bancos de dados do Ministério Público e da PolÃcia Federal, organizava ataques a desafetos de Vorcaro e até contra jornalistas. E a Turma da extrema direita, de Bolsonaro e Nikolas, ainda quer jogar esse escândalo no colo dos outros", diz.
O parlamentar tem alegado que não conhece Vorcaro, que o avião pertencia a uma empresa de táxi aéreo e que o banqueiro ainda não estava envolvido em irregularidades públicas na época. Nas redes, ele tem feito postagens sugerindo que Vorcaro faça uma delação premiada.
Ex-lÃder do PT na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (RJ) apresentou notÃcia-crime à PGR (Procuradoria-Geral da República) pedindo que Campos Neto seja investigado por suposta omissão dolosa na fiscalização bancária.
"O que falta para PF e PGR investigarem também o papel do Roberto Campos Neto na fraude do Banco Master?", perguntou o petista, nas redes sociais.
Como mostrou a Folha, o caso Master provocou abalos no mundo polÃtico tanto à direita quanto à esquerda.
Um dos polÃticos mais próximos de Vorcaro era o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), aliado de Bolsonaro.
O ex-ministro petista Guido Mantega (Fazenda) foi consultor do Master e, no ano passado, Lula foi informado sobre a relação do lÃder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), com um sócio do Master, mas recebeu a avaliação de que não haveria riscos de envolvimento no esquema.