O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, declarou que cabe ao presidente Lula procurá-lo para um diálogo, após um encontro marcado entre os dois não se concretizar. O impasse ocorre no contexto da indicação de Jorge Messias ao STF, que enfrenta resistência no Senado e ainda não teve sua sabatina marcada. Paralelamente, a relação entre os Poderes mostra tensões recentes, como decisões de Alcolumbre contrárias ao governo, embora aliados de Lula evitem um conflito aberto para não prejudicar votações importantes.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou, nesta quarta-feira (4), que o presidente Lula (PT) deve procurá-lo se quiser falar com ele.
Um encontro entre eles estava previsto para esta semana para destravar a indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal), mas não ocorreu.
"A gente espera ser chamado por todas as pessoas que a gente tem respeito e consideração. E, naturalmente, da mesma maneira que quando eu desejei, em outras oportunidades, conversar pessoalmente com o presidente da República, eu procurei ele. E é legÃtimo, inclusive, que se ele desejar falar comigo, ele deve me procurar para a gente poder continuar numa relação de pacificação e de harmonia entre os Poderes. à isso que eu entendo da democracia", disse Alcolumbre a jornalistas.
O presidente do Senado havia sido questionado sobre uma agenda com Lula. A respeito de Messias, Alcolumbre respondeu que o governo ainda não enviou a mensagem com a indicação, primeiro passo para que a sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) seja marcada.
Messias foi anunciado o escolhido de Lula para vaga no STF em 20 de novembro, mas até agora ainda não passou por sabatina de senadores. O advogado-geral da União enfrenta resistência, diante de uma preferência de Alcolumbre e de parte dos senadores pela indicação do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Na terça-feira (3), o lÃder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que o encontro entre Lula e Alcolumbre aconteceria em breve.
Como mostrou a Folha, mesmo após reveses provocados por Alcolumbre ao governo Lula, senadores governistas têm evitado criticar o presidente do Senado no momento que antecede votações importantes para o Palácio do Planalto, como a sabatina de Messias.
Nesta terça-feira, Alcolumbre decidiu contrariamente ao governo ao manter válida a deliberação da CPI (Comissão Parlamentar do Inquérito) mista do INSS que quebrou o sigilo de um dos filhos do presidente Lula, Fábio LuÃs, conhecido no mundo polÃtico como Lulinha.
Apesar disso, integrantes governistas da CPI, formada por deputados e senadores, definiram que não vão recorrer da decisão.
Alguns parlamentares do PT se dizem contrariados, mas admitem de forma reservada que não seria bom comprar uma briga com o presidente do Senado ou até desencadear uma nova crise entre Poderes.
Na semana passada, houve outra rusga entre Alcolumbre e o governo. O presidente do Senado surpreendeu governistas ao não pautar a votação do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center), que foi aprovado às pressas na Câmara a pedido do Planalto sob pena de perder a validade.
Articuladores do governo Lula veem risco do distanciamento entre os presidentes da República e do Senado se agravar. A não votação dos benefÃcios para data centers é dada como exemplo de percalço na relação entre o petista e Alcolumbre.
Em sinal de pacificação, o lÃder do governo no Congresso, Randolfe chegou a elogiar Alcolumbre ao comentar a decisão sobre Lulinha.
O senador afirmou ainda que o revés em relação a Lulinha e a não votação do Redata no Senado não indicam um conflito entre Planalto e Alcolumbre. Também negou que as atitudes do presidente do Senado tenham relação com a sabatina de Messias.