Resumo objetivo:
A visita do vereador Lucas Pavanato (PL) à USP terminou em confronto físico entre sua equipe, que incluía seguranças armados, e estudantes, resultando em feridos e um aluno hospitalizado. O político afirmou que foi para dialogar sobre aborto e agiu em legítima defesa, enquanto os alunos o acusam de provocação e agressão, e o DCE o declarou persona non grata. A reitoria repudiou a violência e reafirmou o campus como espaço de debate plural, dentro dos princípios democráticos.
Principais tópicos abordados:
1. O confronto violento e os feridos.
2. As versões conflitantes sobre os fatos (provocação política x legítima defesa).
3. O posicionamento institucional da USP e do DCE.
4. O histórico de visitas semelhantes com o objetivo de criar conteúdo para redes sociais.
Uma visita do vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL) à USP (Universidade de São Paulo), no inÃcio da tarde desta quarta-feira (4), terminou em confusão, com alunos e membros da equipe do polÃtico feridos. Um estudante de graduação foi hospitalizado com a suspeita de lesão no tendão de Aquiles.
Pavanato montou uma barraca na praça do relógio, no centro da Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste. O estande tinha uma placa afirmando que "aborto é assassinato". Segundo ele, a intenção era dialogar com os estudantes sobre o tema.
Estudantes intervieram ligando uma caixa de som e começaram a gritar "recua fascista, recua" para o vereador, acompanhado por uma equipe de apoiadores e seguranças armados. Logo, começou uma confusão.
De acordo com relatos de alunos, a equipe de Pavanato os agrediu, usando até spray de pimenta. Os estudantes revidaram, e o vereador entrou num carro para deixar a Cidade Universitária.
Nesse momento, ainda de acordo com os relatos, um estudante colocou sua bicicleta em frente ao veÃculo. Ele teria sido empurrado e levado socos e chutes de um grupo composto por, ao menos, cinco pessoas, precisando ser hospitalizado.
Outros alunos da universidade tiveram cortes e hematomas. Um deles, Francisco Napolitano Viotto, que também é diretor do DCE (Diretório Central dos Estudantes), registrou boletim de ocorrência.
à Folha Pavanato diz ter ido ao campus dialogar e, ao ser agredido, sua equipe agiu em legÃtima defesa. Ele afirma que uma garrafa foi jogada em direção à sua cabeça e um lÃquido espirrado nele, causando ardor. "Estavam jogando pedras, pedaços de pau. Meu carro foi quebrado, e equipamentos, furtados."
Uma vereadora de Praia Grande que o acompanhava, Eduarda Campopiano (PL), teria sido agredida por um homem. A ocorrência será registrada, informa o parlamentar.
Sobre os seguranças armados, Pavanato diz serem necessários. "Já recebi várias ameaças de morte, inclusive de alunos da USP, hoje, no Twitter."
Em nota, a universidade disse repudiar "qualquer tipo de violência que imponha restrições ao exercÃcio da liberdade de opinião dentro dos limites da convivência republicana".
"A universidade é, por excelência, o espaço do debate plural, do questionamento crÃtico, da convivência entre diferentes perspectivas e visões de mundo. A Universidade é o espaço correto para que se dê voz a diferentes opiniões, ao direito da sua expressão, resguardados, obviamente, os princÃpios da democracia, respeitosa, mútua entre as diferentes vozes que possam ter visões de mundo diferentes", informou a reitoria.
O DCE Livre da USP diz ser comprometido com a defesa da universidade pública e com o enfrentamento à extrema direita. "Pessoas como Lucas Pavanato, um provocador oportunista que usa dinheiro público para atacar estudantes, não são bem-vindas na nossa universidade."
Antes de ir ao Butantã, na zona oeste da cidade, Pavanato esteve na Faculdade de Direito, no centro da capital, para realizar o mesmo ato. Lá, porém, os estudantes decidiram ignorá-lo.
Histórico
Em 2025, militantes de um grupo chamado União Conservadora e o vereador Lucas Pavanato estiveram no campus da USP em oito oportunidades. O alvo principal é a FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas).
De acordo com os estudantes, os episódios geralmente acontecem quando polÃticos e militantes entram na Cidade Universitária com câmeras e celulares para gravar vÃdeos e fazer provocações. O objetivo, dizem, é produzir recortes que circulam nas redes sociais com a intenção de criar uma narrativa contra o ensino superior público.
A reitoria, à época comandada por Gilberto Carlotti Júnior, ofereceu reforço na segurança da unidade e acionou a Secretaria de Segurança Pública do estado.