Resumo objetivo:
Carlos Alberto de Nóbrega, aos 90 anos e há quase quatro décadas no SBT, lamenta o desaparecimento dos programas de humor na TV aberta, atribuindo-o aos custos elevados e à "guerra desleal" com a internet. Ele defende a continuidade de "A Praça É Nossa" como um patrimônio afetivo, vislumbrando um futuro em que apenas seu filho poderia assumir o programa, e comenta as recentes mudanças na grade do canal.
Principais tópicos abordados:
1. O declínio dos programas de humor na TV aberta por questões financeiras e concorrência com a internet.
2. A trajetória e o legado de Carlos Alberto de Nóbrega e do programa "A Praça É Nossa" no SBT.
3. A visão do apresentador sobre a separação entre a TV e o sucesso na internet.
4. As mudanças na programação do SBT e o futuro sucessório do programa.
Quem chega aos estúdios do SBT, em Osasco, na Grande São Paulo, vê três bandeiras hasteadas no horizonte âde São Paulo, do Brasil e uma com o próprio logo da emissora. Não é para menos âo canal criado por Silvio Santos é um território à parte no universo televisivo e na memória afetiva nacional. E Carlos Alberto de Nóbrega, que completa 90 anos na próxima quinta-feira (12), é um dos pilares dessa casa, onde está há quase quatro décadas, mantendo um gênero em extinção na TV aberta.
Horas antes de entrar na gravação de uma edição especial de "A Praça à Nossa" em homenagem ao seu nonagenário, com convidados, ele lamentou, em conversa com jornalistas, o sumiço desse tipo de programa. O motivo, segundo ele, é a insegurança de outras emissoras.
Ele lembra de quando começou no SBT e se emociona ao falar do colega Silvio Santos. "Hoje amanheci pensando muito nele".
"à mais fácil você comprar um filme ou investir num programa de entrevista, que você só paga o apresentador", diz ele, para quem a continuidade da sua atração depende da oportunidade para novos talentos e da vontade dos executivos.
"Você botar um programa no ar é muito dinheiro. E com a situação que está, desde a a pandemia, é muito mais barato as pessoas investirem num comercialzinho que só vai sair na internet", afirma. "à uma guerra desleal até."
E para o Seu Carlos, como ele é chamado pelos seus colegas nessa que é a atração de humor mais antiga ainda no ar, TV e internet são mundos separados âapesar de ele mesmo ter, nos últimos anos, apostado num podcast e de fazer lives semanais tomando café da manhã ao lado da mulher, Renata Domingues.
"Não conheço ninguém que fez sucesso na internet e fez sucesso na televisão", afirma. Ainda assim, muitos nomes que passaram pelo seu programa, como Matheus Ceará e MaurÃcio Manfrini, o Paulinho Gogó, também colherem os frutos de seus personagens no mundo virtual, além dos palcos.
O comentário vem também pouco tempo após o SBT ter cancelado o programa Sabadou com Virginia, com a influenciadora Virginia Fonseca, que decidiu não renovar com a emissora para seguir novos projetos, após dois anos no ar. Agora, a casa vai apostar numa outra prata da casa, Luis Ricardo, reviviendo o programa de auditório Viva a Noite.
Em paralelo, as mudanças na grade também vão afetar, a partir desta quinta (5), o horário da "Praça", que vai começar mais cedo, às 22h30, depois do Programa do Ratinho.
"Essa mudança foi um presente", diz o artista, que espera melhoras na audiência, pensando no público que acorda cedo e não pode virar a madrugada com a TV ligada. Pensando em quando começou na emissora, o apresentador se emocionou ao falar do colega Silvio Santos, morto em agosto de 2024. "Hoje amanheci pensando muito nele."
A "A Praça à Nossa", assim como muito do SBT, carrega um espÃrito familiar. Hoje, a atração é mais de Carlos Alberto que foi de Manuel de Nóbrega, seu pai, que criou a comandou a "Praça da Alegria" entre as décadas de 1950 e 1970, desde o inÃcio na TV Paulista até o seu fim na mesma casa, já transformada em TV Globo.
Agora, Carlos Alberto diz que, no futuro, seu filho Marcelo, diretor do programa há mais de 20 anos, é o único que poderá dar continuidade à atração, quando ele não puder mais tocá-la como faz hoje âisto é, escrevendo quadros, à mão, gravando com uma dezena de comediantes e editando pessoalmente todas as edições.
"Eu não quero morrer na cama. Quero morrer trabalhando. Se Deus me desse a graça, ele que vai resolver [o futuro], se a âPraçaâ vai existir⦠A gente não sabe o dia de amanhã, tudo muda."