Resumo objetivo:
No quinto dia do conflito, o Irã lançou uma ofensiva multidimensional, atingindo bases estadunidenses na região e fechando o Estreito de Ormuz, em uma resposta que desafia a hegemonia militar dos EUA no Golfo Pérsico. Analistas apontam que a guerra é vista pelo Irã como uma luta pela sobrevivência, com uma estratégia que busca desmantelar o sistema de domínio regional sustentado pelas bases militares dos EUA. Paralelamente, as tensões na aliança ocidental aumentam, com divergências entre EUA e Europa, enquanto a China avalia cautelosamente seu papel, ponderando entre neutralidade e apoio estratégico ao Irã.
Principais tópicos abordados:
1. A escalada militar do Irã e suas ações contra bases dos EUA e no Estreito de Ormuz.
2. A análise geopolítica sobre a percepção iraniana de guerra de sobrevivência e a estratégia para romper a hegemonia regional dos EUA.
3. As fissuras na aliança ocidental, com críticas às pressões dos EUA sobre aliados europeus.
4. A posição ambígua da China, entre neutralidade e possível apoio indireto ao Irã.
5. Atualizações sobre os combates, vítimas, movimentos de população e declarações beligerantes de Israel.
No quinto dia de guerra entre Irã e a aliança liderada por Estados Unidos e Israel, longe de recuar, Teerã respondeu com uma ofensiva multidimensional que atingiu bases estadunidenses em toda a região e fechou o Estreito de Ormuz, desafiando a hegemonia militar dos EUA no Golfo Pérsico.
Para Ricardo Leães, professor e pesquisador de Relações Internacionais, é uma guerra de sobrevivência aos iranianos. “Quem imaginava um colapso por conta do assassinato de Khamenei, simplesmente desconhece a história do país e a realidade do seu sistema político”, explica ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Leães relembra que a administração Trump foi alertada pelo comando militar iraniano que havia sinalizado que essa seria uma guerra muito difícil, principalmente com o assassinato do líder supremo aiatolá Ali Khamenei.
Sobre a reação europeia, Leães compara com 2003 na guerra do Iraque, quando Alemanha e França se opuseram, e os EUA não gostaram, mas não ameaçaram punir aliados. “Agora, Trump ameaça a Espanha, fala em acabar com relações comerciais. E vimos Friedrich Merz, da Alemanha, concordando com esse tipo de chantagem. Não há apenas uma fissura na aliança por conta de Trump. Os europeus estão brigando entre si.”
Apesar disso, Leães não vê ruptura imediata. “Não acredito que a Espanha vá sair da União Europeia ou da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] agora. Os países vão começar a se preparar para um mundo novo, onde os EUA se mostram como um aliado não confiável.”
Para o internacionalista, a estratégia iraniana de atacar bases estadunidenses em países vizinhos é uma forma de acabar com o sistema de hegemonia na região, sustentado militarmente por essas bases e pelo transporte de petróleo e gás.
Sobre a posição chinesa, o professor vê um cenário aberto. “A China quer manter neutralidade. Se vendesse armas, isso poderia ser interpretado pelos EUA como um ato de guerra. Mas a Nova Rota da Seda é fundamental para a China, e o governo iraniano é muito importante para seus planos geopolíticos.”
Leães menciona a possibilidade de mísseis anti-navio chineses supersônicos terem sido enviados ao Irã. “Se isso aconteceu, os EUA não teriam condições de se defender. Um porta-aviões norte-americano afundado seria uma derrota fundamental para Trump. A China pode ajudar o Irã a criar esse cenário, mas não sabemos se vai optar por essa trajetória.”
Atualizações
Nesta quarta-feira, o Senado dos Estados Unidos derrubou uma resolução que visava interromper os ataques aéreos contra o Irã, por 53 votos a 47. Os bombardeios dos EUA e de Israel contra a nação persa seguiram por todo o dia e o número de mortos passa dos 1000.
Um submarino das forças armadas dos EUA afundaram um navio de guerra iraniano na costa do Sri Lanka, no Oceano Índico, matando pelo menos 87 pessoas. Outras 32 foram resgatadas.
O Irã alertou que os EUA estão em negociações com as forças curdas, com o objetivo de armá-las e fomentar uma revolta contra Teerã.
Segundo a Organização das Nações Unidas, mais de 100 mil pessoas deixaram Teerã, capital do Irã, em meio aos ataques de EUA e Israel.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta quarta-feira (4) que o país irá matar qualquer um que for escolhido para liderar o Irã. A afirmação se dá em meio à possibilidade de Mojtaba Khamenei, o segundo filho do aiatolá Ali Khamenei, morto nos ataques de sábado (28), ser escolhido sucessor do pai.
Para ouvir e assistir
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