Resumo objetivo:
A reportagem critica a narrativa ocidental sobre o Irã, acusando-a de ser preconceituosa e de servir para justificar agressões políticas e militares. A diretora do Brasil de Fato, com base em visita ao país, argumenta que as mulheres iranianas têm voz própria e que discursos externos de "libertação" ignoram a complexidade local, como o significado do hijab no contexto histórico. Ela também aponta que as sanções e a deslegitimação do governo iraniano fazem parte de uma estratégia política dos EUA.
Principais tópicos abordados:
1. Crítica à cobertura midiática ocidental sobre o Irã, vista como preconceituosa e factualmente distante.
2. Análise sobre o papel e a agência das mulheres iranianas, contestando a visão ocidental de opressão uniforme.
3. Contextualização histórica e política do uso do hijab no Irã.
4. Denúncia de que sanções e retórica belicista dos EUA visam deslegitimar o país.
Após a ofensiva de Estados Unidos e Israel contra o Irã e o assassinato do líder Ali Khamenei, a narrativa ocidental sobre o país persa carregada de preconceitos se intensificou o que, para muitos analistas, serve para justificar a agressão, principalmente sobre as mulheres iranianas.
Nina Fideles, diretora-executiva do Brasil de Fato, que esteve no Irã em 2023 e pôde vivenciar de perto a complexidade do país, ressalta que “o ocidente não vai salvar nenhuma mulher iraniana e, sim, promover guerra com esse discurso”.
“Não podemos falar em nome das mulheres iranianas. Elas têm voz, elas estão em posições extremamente estratégicas no país também, exercendo diversos papéis. 70% dos estudantes universitários são mulheres. É uma outra percepção”, declarou Fideles.
Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ela conta que questionou alguns conceitos dados como naturais, como liberdade religiosa, intolerância e segurança, após sua viagem. “A mídia ocidental pouco fala do Irã, e quando fala, vem carregada de preconceitos. Eles começam nos conceitos, não em fatos isolados”, acrescenta.
O uso do hijab pelas mulheres é um tópico que a sociedade ocidental gosta de opinar e acusar de opressão. A diretora executiva aponta que não é algo “simples de entender”.
“Na época do Xá [Reza Pahlevi], um regime extremamente violento a serviço dos Estados Unidos, houve períodos em que se proibiu o uso do hijab. Quando o regime cai, o hijab ganha outra proporção: a liberdade das mulheres islâmicas de usá-lo como símbolo de sua religião”, destaca Fideles.
Ela relembra que, durante a viagem, as mulheres iranianas costumavam perguntar se acham que elas são tristes ou em depressão, “já se defendendo de uma narrativa hegemônica sobre o papel delas na sociedade.”
A diretora executiva do BdF é enfática ao criticar o discurso de “libertação” usado por Trump. “A população que eles tratam são iranianos que moram fora do país, comemorando a guerra. Omitem toda uma população que foi às ruas se manifestar contra os ataques”, afirmou.
Fidelis também lembra que o Irã sofre sanções há décadas. “É o país mais sancionado do mundo, só perde para a Rússia depois da guerra na Ucrânia. Há um forte interesse estadunidense em deslegitimar o governo iraniano para justificar violências. Não é só no Irã: foi na Síria, no Líbano, na Venezuela.”
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.