Resumo objetivo:
As autoridades cubanas anunciaram que seis detidos de um grupo armado de dez pessoas, todas residentes nos EUA, serão processadas por terrorismo após uma tentativa de incursão ilegal em 25 de fevereiro. O grupo, interceptado em águas cubanas, abriu fogo contra uma patrulha, ferindo um militar e resultando em quatro mortos entre os invasores, além da apreensão de um grande arsenal de armas e equipamentos militares. O governo cubano classifica o fato como um ataque terrorista e o vincula a um contexto de aumento de hostilidades e campanhas de desestabilização promovidas por grupos da direita cubana na Flórida.
Principais tópicos abordados:
1. Ação judicial: Processo por terrorismo e prisão preventiva contra os detidos.
2. O incidente: Tentativa de incursão armada, confronto violento, mortos e apreensão de arsenal.
3. Perfil dos envolvidos: Grupo de residentes nos EUA, alguns com antecedentes e ligações a atividades terroristas.
4. Contexto político: Relação do ato com hostilidades dos EUA e campanhas de propaganda e desestabilização por grupos da direita cubana na Flórida.
As seis pessoas detidas por participação em uma tentativa de incursão armada contra Cuba deverão enfrentar acusações por terrorismo, informou o Ministério Público Geral da República de Cuba. Em um breve comunicado divulgado nesta terça-feira (3), a instituição destacou que os acusados serão processados de acordo com o Código Penal e que foi solicitada a prisão preventiva como medida cautelar. O documento aponta ainda que o processo será conduzido respeitando o devido processo legal e as garantias jurídicas vigentes.
Os detidos faziam parte de um grupo de dez pessoas armadas — todas residentes nos Estados Unidos — que foi interceptado na madrugada de 25 de fevereiro, ao tentar entrar ilegalmente em Cuba em uma lancha rápida registrada na Flórida, transportando um arsenal significativo de armas.
A embarcação foi detectada navegando aproximadamente a uma milha náutica a nordeste do canal El Pino, na província de Villa Clara. Segundo a versão oficial, a lancha entrou em águas jurisdicionais cubanas às 7h10 (hora local), sem notificação prévia. Diante disso, uma unidade com cinco guardas de fronteira foi enviada para identificá-la.
Ao se aproximar da patrulha cubana, os ocupantes da lancha abriram fogo, ferindo o comandante da unidade interceptadora. O ataque gerou um confronto a cerca de 20 metros de distância, resultando em quatro mortos e seis detidos entre os tripulantes da lancha. Imediatamente após a divulgação dos fatos, o governo qualificou o ocorrido como uma tentativa de ataque terrorista.
Segundo investigações preliminares do Ministério Público cubano, o grupo teria saído da Flórida durante a madrugada em duas embarcações. No entanto, uma delas apresentou falhas mecânicas em alto-mar, fazendo com que seus cinco ocupantes, junto com as armas e munições, fossem transferidos para a outra embarcação, que acabou penetrando em águas cubanas.
O Ministério do Interior (Minint) informou que a maioria dos envolvidos possuía antecedentes criminais e que dois deles constavam em listas de pessoas associadas a atividades terroristas. Além disso, as autoridades estadunidenses confirmaram que pelo menos um dos mortos e um dos detidos são cidadãos dos Estados Unidos.
Durante a operação, foram apreendidos quatorze fuzis — incluindo de assalto e de precisão —, onze pistolas, espingardas, 134 carregadores e cerca de 13 mil munições de diferentes calibres. Também foram confiscados coletes à prova de balas, bombas artesanais, baionetas, facas, dez kits militares completos, uniformes de camuflagem, equipamentos de visão noturna, um drone, um gerador elétrico e um sistema satelital.
As autoridades cubanas afirmam que se trata de material de guerra de alta potência, destinado à execução de ações violentas e à promoção de desestabilização interna. O incidente ocorre em um contexto de aumento das hostilidades dos Estados Unidos contra a ilha, após Washington ter emitido, em 29 de janeiro, uma ordem executiva ameaçando impor sanções a países que “vendam ou forneçam petróleo” a Cuba, medida que, na prática, tem resultado em um estrangulamento energético do país.
Propaganda contra Cuba
Segundo um recente relatório do Observatório de Mídia de Cuba, nas semanas anteriores à tentativa de incursão ilegal, houve aumento de mensagens em redes sociais convocando à derrubada do governo cubano, provenientes de contas vinculadas a grupos da direita cubana residentes na Flórida.
Um estudo baseado na análise de 114 publicações relacionadas a diversos envolvidos na tentativa de infiltração documentou a circulação de imagens, vídeos e textos em que alguns exibiam armas de alto calibre e sugeriam a preparação de ações violentas contra a ilha.
“O problema não é apenas o que ocorreu em 25 de fevereiro, mas como foi possível que, durante meses, circulassem imagens e declarações de preparação armada sem que as plataformas acionassem mecanismos preventivos eficazes”, afirma o Observatório, acrescentando que “o ecossistema dos cubanos ultradireitistas da Flórida apresenta condições de permissividade simbólica”.
Reação diplomática e comunicação bilateral
Ao tomar conhecimento dos fatos, o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, afirmou que, desde que foi detectado que a embarcação vinha do território estadunidense, as autoridades cubanas mantiveram comunicação com seus homólogos nos Estados Unidos, incluindo o Departamento de Estado e a Guarda Costeira.
Em uma breve coletiva de imprensa realizada em 26 de fevereiro, Cossío afirmou que se tratou de “uma tentativa de infiltração com fins terroristas” e enfatizou que o ocorrido não pode ser considerado um ato isolado. Lembrou que Cuba tem sido vítima de agressões e inúmeros atos terroristas por mais de 60 anos, ações organizadas e executadas principalmente a partir dos Estados Unidos.
“Os grupos anticubanos que operam nos Estados Unidos recorrem ao terrorismo como expressão de seu ódio a Cuba e da impunidade que acreditam desfrutar”, declarou, ressaltando que esses grupos “recorrem ao terrorismo como expressão de sua hostilidade contra Cuba”.