Resumo objetivo:
O presidente Lula fez um apelo pela paz global, criticando os altos gastos mundiais com armamentos e defesa, que segundo ele deveriam ser redirecionados para erradicar a fome. Ele defendeu uma reforma no Conselho de Segurança da ONU, argumentando que seus membros permanentes priorizam conflitos em vez de soluções humanitárias. Além disso, Lula condenou a destruição em Gaza e a postura belicista de algumas potências, enfatizando que a fome resulta da irresponsabilidade política e não de fatores naturais.
Principais tópicos abordados:
1. Crítica aos gastos militares globais e defesa do combate à fome como prioridade.
2. Apelo por paz e reforma no Conselho de Segurança da ONU.
3. Denúncia da situação em Gaza e da atuação de potências em conflitos.
4. Questionamento sobre o papel e a credibilidade atual das Nações Unidas.
Lula faz apelo à paz e volta a defender reforma em Conselho da ONU
Presidente criticou países por ‘preocupação com investimentos na Defesa’ e defendeu prioridade ao combate à fome
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo, nesta quarta-feira (04/03), para que líderes globais busquem a paz em meio ao cenário recente de guerras e que priorizem o combate à fome no lugar de gastos com armamentos.
“Se pegássemos o dinheiro que foi gasto, no ano passado, em armamentos, em conflitos – o equivalente a US$ 2,7 trilhões – e dividíssemos entre os 630 milhões de seres humanos que, no planeta, passam fome, daria pra ter distribuído US$ 4.285 para cada pessoa. Vocês percebem que não precisaria ter fome no mundo se houvesse o bom senso dos governantes?”, disse o presidente.
Durante a abertura da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, Lula destacou que a região é “a única zona de paz no mundo”.
“Aqui no Brasil, temos a opção de não possuir armas nucleares na nossa Constituição. Há muito tempo, a gente chegou à conclusão de que aquele ditado que diz que quem quer paz se prepara para a guerra é para quem quer fazer guerra. Nós queremos paz porque a paz é a única possibilidade de fazer com que a humanidade avance”.
Conselho de Segurança
Em sua fala, Lula fez um apelo direto aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU): França, Inglaterra, Rússia, China e Estados Unidos.
“Se esses senhores, que coordenam o Conselho de Segurança como membros permanentes da ONU, se preocupassem com essa questão da fome neste instante ao invés de ficarem discutindo, como agora está se discutindo na Europa, o fortalecimento do armamento dos países, investimentos na defesa”.
“Está todo mundo pensando que vão se agravar os conflitos. E todo mundo quer mais armas, todo mundo quer mais bomba atômica, todo mundo quer mais drone, todo mundo quer aviões de caça cada vez mais caros. E tudo isso não é feito para construir ou para produzir alimentos. Isso é feito para destruir e para diminuir a produção de alimentos ou destruir aquilo que já está plantado”.
Faixa de Gaza
Em seu discurso, Lula também criticou a criação, por parte do governo estadunidense de Donald Trump, do chamado Conselho de Paz, voltado para a reconstrução da Faixa de Gaza.
“Compensou destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres e crianças que mataram, para agora aparecerem com pompa, criando um conselho para dizer: ‘vamos reconstruir Gaza?’. Aí aparece como se fosse um resort, para passar férias no lugar onde estão os cadáveres das mulheres e das crianças que morreram”.
“Muitas vezes, a gente fica impassível. E, se a gente não gritar, não falar, não se mexer, nada acontece”, disse. “A fome não é por um problema de intempéries, não é porque tem excesso de frio e excesso de calor. A fome só existe porque existe uma coisa chamada excesso de irresponsabilidade naqueles que são eleitos para ter responsabilidade”, completou.
Nações Unidas
Ao final do pronunciamento, Lula agradeceu o que chamou de “papel extraordinário” que a FAO, segundo ele, mantém como instituição das Nações Unidas. “A ONU está ficando desacreditada. A ONU não está cumprindo aquilo que está escrito na sua carta de criação, em 1945”.
“A ONU está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras e não tem espaço para senhores da paz. Por que a ONU já não convocou uma conferência mundial para discutir esses conflitos?”, questionou o presidente.
“Vocês acham normal o presidente Trump ficar, todo dia, dizendo: ‘tenho o maior navio do mundo, tenho o maior exército do mundo’. Por que ele não fala: ‘tenho a maior capacidade de produção de alimento do mundo, tenho como distribuir alimento’. Não era muito mais simples? E soaria melhor aos nossos ouvidos”, concluiu.