Resumo objetivo:
A Espanha reafirmou sua posição independente na política externa, recusando-se a autorizar o uso de suas bases militares para ataques dos EUA ao Irã e classificando o conflito como um "desastre" ilegal. Em resposta, o presidente Donald Trump ameaçou cortar todos os laços comerciais com o país europeu. O governo espanhol também expressou surpresa e descontentamento com a pressão da Alemanha para que aumente seus gastos militares na OTAN.
Principais tópicos abordados:
1. Conflito diplomático EUA-Espanha: Ameaças comerciais de Trump contra a Espanha devido à sua recusa em apoiar militarmente os ataques ao Irã.
2. Posição independente da Espanha: Defesa da soberania nacional e crítica à guerra no Irã, comparando-a a outros conflitos e à invasão do Iraque.
3. Pressão por gastos militares: Discussão dentro da OTAN sobre o aumento do orçamento de defesa, com a Alemanha pressionando a Espanha.
4. Crítica à política externa dos EUA: Oposição espanhola baseada no direito internacional e na defesa da diplomacia.
A Espanha "não será vassala" de outro paÃs, disse a ministra do Orçamento, Maria Jesus Montero, nesta quarta-feira (4), após as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cortar o comércio com Madri por causa de sua posição contra os ataques de Washington ao Irã.
A tensão aumentou depois que o chanceler alemão, Friedrich Merz, declarou na Casa Branca que a Espanha precisaria ser "convencida" a aceitar uma meta mais elevada de gastos militares da OTAN, atualmente discutida em 3,5% do PIB. Trump, por sua vez, voltou a defender que aliados destinem até 5% do produto interno bruto à defesa.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, disse que Madri compartilhou com a Alemanha sua "surpresa" diante das declarações de Merz.
"Não consigo imaginar os chanceleres [Angela] Merkel ou [Olaf] Scholz fazendo tais declarações", disse Albares em entrevista à emissora estatal TVE.
A Espanha se recusou a autorizar o uso de duas bases militares operadas conjuntamente com os Estados Unidos para ataques contra o Irã. Em resposta, Trump ordenou que seu governo avaliasse o corte de todos os laços comerciais com o paÃs europeu. "A Espanha tem sido terrÃvel", afirmou, acrescentando que o paÃs "não tem absolutamente nada de que precisamos".
O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez chamou a guerra no Irã de "desastre", comparando-a à invasão da Ucrânia pela Rússia e ao ataque de Israel a Gaza.
Sánchez disse nesta quarta-feira que era contra o regime iraniano, mas argumentou que o ataque ao paÃs era uma violação do direito internacional.
"Não se pode responder à ilegalidade com mais ilegalidade, porque é assim que começam os grandes desastres da humanidade", disse ele em um discurso à nação.
A firme oposição da Espanha à guerra no Irã, que a tornou uma exceção na Europa, era consistente com sua posição sobre os conflitos na Ucrânia e em Gaza, disse Sánchez, resumindo sua postura como "não à guerra".
"Somos contra este desastre porque entendemos que os governos estão aqui para melhorar a vida das pessoas, para fornecer soluções aos problemas, não para piorar a vida das pessoas", disse ele, pedindo que todos os envolvidos recorram ao "diálogo e à diplomacia".
Ele comparou a guerra no Irã com a invasão do Iraque pelos Estados Unidos em 2003, que, segundo ele, produziu mais terrorismo, uma crise migratória na Europa e um aumento nos preços de energia.
"à verdade que ainda é cedo demais para saber se a guerra no Irã terá consequências semelhantes às do Iraque", disse ele. "O que sabemos é que ela não produzirá uma ordem internacional mais justa, nem levará a salários mais altos e melhores serviços públicos, ou a um meio ambiente mais saudável."
Sem responder diretamente à ameaça comercial de Trump, Sánchez afirmou confiar "na força econômica, institucional e moral" da Espanha.
Com Financial Times e Reuters