O Brasil manteve presença relevante em odontologia, perdeu posições em engenharia de petróleo e passou a ter em história da arte sua área mais bem colocada no ranking mundial por disciplinas da QS (Quacquarelli Symonds) 2026.
O levantamento analisou mais de 21 mil cursos em cerca de 1.900 instituições de ensino superior de 100 paÃses. Ao todo, 31 universidades brasileiras tiveram 382 cursos avaliados, o maior volume da América Latina.
Principal instituição do paÃs, a USP (Universidade de São Paulo) teve movimentos opostos. Caiu em engenharia de petróleo, do 9º para o 29º lugar, área que já havia garantido ao Brasil sua melhor posição histórica. Em sentido contrário, alcançou resultado inédito em história da arte, ao chegar ao 12º lugar, melhor colocação brasileira nesta edição.
Para a pesquisadora Sabine Righetti, doutora em polÃtica cientÃfica, a queda em engenharia de petróleo pode refletir o avanço de outros paÃses. "Uma hipótese é que o campo esteja ganhando investimento fora do paÃs e, com isso, mesmo estável, o Brasil pode ter perdido posições", afirma. Segundo ela, o avanço em história da arte acompanha tendência internacional de universidades com forte base tecnológica ampliarem investimentos em humanidades.
No geral, o sistema de ensino superior brasileiro ampliou sua presença no ranking e registrou taxa lÃquida de melhora de 4%, com mais cursos subindo do que caindo de posição.
Em odontologia, o paÃs reúne nove instituições entre as 100 melhores do mundo, mais do que em qualquer outra disciplina. A USP aparece na 15ª posição, seguida pela Unicamp, em 26º lugar, e pela Unesp (Universidade Estadual Paulista). "Temos pesquisa de ponta e somos referência mundial nessa área", diz Righetti.
O paÃs também avançou em outras áreas da saúde. Em medicina, a USP subiu para a 43ª posição. Em farmácia e farmacologia, teve um dos maiores saltos do ranking e alcançou o mesmo 43º lugar, após subir 47 posições.
A metodologia da QS combina cinco indicadores, com pesos que variam conforme a área. Entre eles estão reputação acadêmica, avaliação de empregadores e desempenho em pesquisa, medido a partir da base bibliométrica Scopus/Elsevier. Esse último tem maior peso em campos como medicina, mais dependentes de produção cientÃfica, do que em áreas com perfil mais profissionalizante, como artes.
Na América Latina, o Brasil lidera em número de instituições no top 100, mas fica atrás do México em presença nas faixas mais altas do ranking, como o top 20 e o top 50.