Resumo objetivo:
As negociações para a capitalização da Raízen fracassaram porque os sócios Cosan e Shell não chegaram a um acordo sobre os valores do aporte. A Shell se comprometeu com R$ 3,5 bilhões, mas a Cosan e o presidente da empresa ofereceram valores menores, totalizando R$ 1,5 bilhão, abaixo da meta de R$ 7 bilhões. Apesar do impasse, a Shell mantém a intenção de injetar capital e apoiar a companhia em negociações com credores.
Principais tópicos abordados:
1. Fracasso da capitalização: Divergências entre os controladores (Shell e Cosan) sobre os valores do aumento de capital.
2. Situação financeira da Raízen: Prejuízos recorrentes e alta dívida líquida, agravada por investimentos e condições climáticas adversas.
3. Propostas de investimento: Compromisso da Shell com R$ 3,5 bi versus oferta menor da Cosan (R$ 1 bi) e de Rubens Ometto (R$ 500 mi).
4. Desenrolar das negociações: Rejeição de propostas alternativas da Cosan pela Shell e desistência de investimento por fundos do BTG Pactual.
As negociações sobre o processo de capitalização da produtora de açúcar e etanol RaÃzen fracassaram depois que os coproprietários Cosan e Shell não chegaram a um acordo, disse uma fonte familiarizada com o assunto à agência de notÃcias Reuters.
Na terça-feira (3), o presidente-executivo da Shell no Brasil afirmou que a empresa estava comprometida em investir R$ 3,5 bilhões na maior produtora mundial de açúcar e que também esperava que outro acionista pudesse contribuir com mais R$ 3,5 bilhões.
Porém, nas negociações, o montante não foi alcançado. A Shell teria se comprometido a colocar R$ 3,5 bilhões, a Cosan, R$ 1 bilhão, e o bilionário brasileiro e presidente da RaÃzen, Rubens Ometto, R$ 500 milhões, informou a pessoa ouvida pela reportagem.
Com as negociações sobre o aumento de capital frustradas, a Shell ainda pretende prosseguir com a injeção de capital e apoiar a RaÃzen nas discussões contÃnuas com bancos e credores, disse a fonte.
A Shell e a Cosan, conglomerado industrial criado por Ometto, detêm 44% da RaÃzen cada uma.
A RaÃzen e a Cosan não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Reuters.
A RaÃzen registrou uma série de prejuÃzos e um aumento acentuado da dÃvida lÃquida nos últimos trimestres, como resultado de investimentos caros e condições climáticas adversas que afetaram negativamente as safras, levando-a a alertar, em fevereiro, sobre uma "incerteza significativa" quanto à sua capacidade de continuar operando.
O Valor Econômico e a Bloomberg News noticiaram anteriormente o desenvolvimento das negociações.
A Cosan disse que não poderia igualar o apoio financeiro que a Shell concordou em oferecer à RaÃzen, enquanto algumas das outras propostas da Cosan foram rejeitadas pela Shell, informou a Bloomberg, citando uma pessoa a par das negociações.
Fundos administrados pelo Banco BTG Pactual, também envolvidos nas negociações, discordaram de vários termos propostos pela Shell e decidiram não injetar dinheiro na RaÃzen, segundo a reportagem.
A dÃvida lÃquida da RaÃzen subiu para R$ 55,3 bilhões no final de dezembro devido a uma combinação de investimentos pesados, clima instável e incêndios florestais, que levaram a colheitas mais fracas e volumes de moagem mais baixos.