O dólar registra queda de quase 1% nesta quarta-feira, em movimento de correção após forte aversão ao risco no dia anterior, enquanto o Ibovespa sobe 0,47%. Os investidores monitoram o conflito no Oriente Médio, que pressiona os preços do petróleo devido ao controle iraniano no Estreito de Hormuz e à incerteza sobre a duração da crise. Paralelamente, no Brasil, a Operação Compliance Zero da PF prendeu o dono do Banco Master e atingiu ex-diretor do BC, investigando suposta intimidação a um jornalista.
Principais tópicos abordados:
1. Correção no mercado financeiro (queda do dólar e alta da bolsa).
2. Impacto do conflito no Oriente Médio no mercado de energia e no risco global.
3. Operação policial no Brasil envolvendo o Banco Master e ex-diretor do Banco Central.
O dólar está em queda de quase 1% nesta quarta-feira (4), em movimento de correção após uma forte aversão ao risco tomar as negociações na véspera.
Investidores seguem atentos aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, de olho nas implicações para o mercado de energia. Na Bolsa, a alta também deriva de ajustes de posições depois do tombo de mais de 3% de terça-feira.
Ãs 11h42, a moeda norte-americana caÃa 0,97%, cotada a R$ 5,209. O Ibovespa, no mesmo horário, avançava 0,47%, a 183.974 pontos.
Apesar da crise no Oriente Médio estar longe de um desfecho, investidores globais parecem mais dispostos a apostar em ativos de risco nesta sessão.
Nesta quarta, o jornal The New York Times publicou que agentes do Ministério da Inteligência do Irã sinalizaram à CIA uma abertura para negociações sobre o fim da guerra, em curso desde o final de semana.
Autoridades em Washington, porém, estão céticas quanto à possibilidade de o Irã ou o governo do presidente Donald Trump estarem realmente dispostos a uma saÃda, pelo menos no curto prazo, de acordo com a reportagem. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, chegou a afirmar que as Forças Armadas norte-americanas poderão lutar pelo tempo que for necessário.
A incerteza sobre a duração do conflito se soma a dúvidas sobre os efeitos dos ataques no mercado de energia. Horas depois de Trump dizer que poderia enviar a Marinha para escoltar petroleiros pelo estreito de Hormuz, a Guarda Revolucionária do Irã dobrou a aposta e disse que o paÃs controla a passagem pelo canal, via por onde passam 20% do petróleo e gás do mundo.
"Atualmente, o estreito de Hormuz está sob controle total da Marinha da República Islâmica", disse nesta quarta.
Teerã afirmou ter fechado o estreito de Hormuz na segunda-feira. O Qatar ainda suspendeu a produção de gás natural liquefeito, levando ao fechamento preventivo de instalações de petróleo e gás em todo o Oriente Médio. A produção do paÃs representa cerca de 20% da oferta global.
A escalada militar está empurrando as cotações internacionais do petróleo para patamares que não eram vistos desde 2024. O barril do Brent, principal referência de preço internacional, opera próximo de US$ 81, após avanço de cerca de 12% em dois dias.
A alta desta quarta, em torno de 0,8%, está mais contida do que as disparadas dos dias anteriores. O movimento é de correção e se soma a de outros ativos, como o dólar, que registra perdas ante divisas de emergentes como o rand sul-africano, o peso chileno, o peso mexicano e o real.
O Ãndice DXY, que compara o dólar a seis moedas fortes, também recuava 0,1%, denotando correção global após forte valorização desde segunda-feira.
No entanto, os próximos eventos da guerra são imprevisÃveis. "Não é possÃvel afirmar que o pior do conflito passou e, por isso, há risco da cotação (do dólar) seguir subindo", alerta o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em análise enviada a clientes.
No Brasil, o destaque da manhã é a nova fase da Operação Compliance Zero, da PolÃcia Federal, que levou à prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e também teve como alvos o ex-diretor do Banco Central Paulo Souza e o servidor da autarquia Bellini Santana. Souza foi afastado do BC e precisará usar tornozeleira eletrônica.
A determinação de prisão preventiva (sem tempo determinado) é do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que se tornou relator dos inquéritos relacionados ao caso.
A decisão foi tomada porque a PolÃcia Federal encontrou no celular do ex-banqueiro mensagens que citam intenção de forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como forma de intimidação.
Foram cumpridos os quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e de Minas Gerais, com o apoio do BC.
Liquidado pelo BC em novembro, Master já causou perdas de mais de R$ 50 bilhões a diferentes entidades, includindo o Fundo Garantidor de Créditos e fundos de pensão.