Resumo objetivo:
O ator Wagner Moura afirmou em entrevista que seu filme "O Agente Secreto" é uma reação direta ao governo Bolsonaro, a quem chamou de "o Trump brasileiro". Ele comentou positivamente sobre a punição do ex-presidente pela trama golpista e criticou a situação política dos EUA, relacionando-a a ecos da ditadura ainda presentes no Brasil.
Principais tópicos abordados:
1. A motivação política do filme "O Agente Secreto" como crítica ao governo Bolsonaro.
2. A comparação entre Bolsonaro e Donald Trump e o comentário sobre a punição do ex-presidente brasileiro.
3. A crítica ao cenário político dos Estados Unidos e a reflexão sobre o legado da ditadura militar no Brasil.
4. Aspectos pessoais e profissionais de Wagner Moura, como sua ida ao Oscar e sua carreira.
Wagner Moura disse em entrevista ao talk show Jimmy Kimmel Live!, nesta quarta-feira (4), que o filme "O Agente Secreto" é uma consequência da perplexidade dele e do diretor Kléber Mendonça com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Esse filme não teria acontecido se não fosse por causa dele".
Caso ganhe o Oscar de melhor ator, o brasileiro brincou que pensa em imitar Kimmel que, ao vencer o Critics Choice Awards de melhor talk show, em janeiro, fez um agradecimento irônico a Donald Trump.
"Obrigado, Sr. Presidente, por todas as muitas coisas ridÃculas que você faz a cada dia. Foram semanas excepcionais, e mal podemos esperar para voltar ao ar amanhã à noite para falar sobre elas", completou o americano.
Moura achou uma boa ideia fazer esse tipo de agradecimento e chamou Bolsonaro de "o Trump brasileiro".
"Mas o nosso Trump está na prisão", completou, conquistando aplausos da plateia.
O apresentador perguntou qual é a sensação de ver o ex-presidente punido pela trama golpista. "à uma sensação boa", afirmou o ator.
O protagonista de "O Agente Secreto" vai acompanhado da esposa, Sandra Delgado, e de três amigos à cerimônia do Oscar, no dia 15. Um deles será Lázaro Ramos, como o próprio Moura revelou em entrevista ao Letterboxd.
Ele e Kimmel falaram sobre as ameaças tarifárias de Trump contra o Brasil e abordaram a dificuldade que Moura enfrentou de lançar o filme "Marighella", dirigido por ele, nos anos de bolsonarismo.
O ator afirmou que os ecos da ditadura militar ainda são muito presentes no Brasil. Para ele, a eleição de Bolsonaro é um reflexo disso.
Ao mesmo tempo, Moura disse acreditar que as punições à trama golpista ocorreram rapidamente porque o paÃs sabe o que é viver sob uma ditadura.
Em tom crÃtico ao momento atual dos Estados Unidos, ele mencionou as mortes de dois cidadãos americanos a tiros por agentes federais de imigração em Minneapolis.
"Esse é o paÃs que exporta para o resto do mundo a luta pelos direitos civis?", questionou. "Esse é o paÃs de Martin Luther King?"
Kimmel mostrou uma imagem do Carnaval de Olinda, em que Moura foi homenageado com um dos tradicionais bonecões da folia.
O apresentador tentou entender a homenagem e perguntou se o ator brasileiro levou o bonecão para casa. "Eu levaria para todas as reuniões de famÃlia", divertiu-se.
Esta não foi a primeira vez que Moura conversou com o apresentador. Em 2016, ele esteve no talk show para divulgar a série "Narcos", na qual interpretou Pablo Escobar. Pelo papel, recebeu indicação ao Globo de Ouro na categoria de melhor ator em série dramática.