A taxa de desemprego no Brasil se manteve estável em 5,4% no trimestre até janeiro de 2026, atingindo o menor patamar da série histórica da Pnad Contínua iniciada em 2012. Paralelamente, o rendimento médio real do trabalho alcançou seu maior valor, com R$ 3.652, e a taxa de informalidade recuou para 37,5%. Os principais tópicos abordados são a estabilidade do baixo desemprego, o crescimento da renda e a redução da informalidade no mercado de trabalho.
A taxa de desemprego do Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, após marcar os mesmos 5,4% nos três meses encerrados em outubro, que servem de base de comparação. Esse é, por tanto, o menor da série comparável.
Os dados fazem parte da Pnad-ContÃnua (Pesquisa Nacional por Amostra de DomicÃlios ContÃnua) e foram divulgados nesta quinta (5) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica). O levantamento inclui tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal.
Até a divulgação desta quinta, a menor taxa em todos os trimestres havia sido de 5,1%, nos três meses encerrados em dezembro de 2025. O IBGE, contudo, evita a comparação direta entre trimestres com meses repetidos.
A mediana das projeções do mercado financeiro era uma taxa de 5,4%, segundo a agência Bloomberg.
No trimestre até janeiro, o instituto encontrou 5,9 milhões de pessoas de 14 anos ou mais em busca de trabalho. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando eram 7,1 milhões, houve queda de 17,1%.
Na série da Pnad, iniciada em 2012, o maior contingente de desocupados foi registrado no trimestre até março de 2021, na pandemia de Covid-19. à época, o indicador chegou a quase 15 milhões.
POPULAÃÃO OCUPADA
Já o número de ocupados com algum trabalho alcançou quase 102,7 milhões. Houve aumento de 1,7% (1,7 milhões a mais de pessoas) no ano. O nÃvel de ocupação foi de 58,7%, com estabilidade no trimestre (58,8%) e crescendo 0,5 p.p. no ano (58,2%).
A taxa de informalidade foi de 37,5%, ante 37,8% no trimestre encerrado em outubro e 38,4% um ano antes.
RENDA MÃDIA
No trimestre até janeiro, o rendimento médio do trabalho alcançou R$ 3.652 por mês, aumento de 2,8% no trimestre e 5,4% no ano. Esse é o maior valor da série em termos reais (com ajuste pela inflação).
A massa de rendimento real ficou em R$ 370,3 bilhões, alta de 2,9% no trimestre e 7,3% no ano.
TIRE SUAS DÃVIDAS SOBRE DESEMPREGO
O que é desemprego?
Segundo o IBGE, o desemprego se refere à s pessoas de 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas que estão disponÃveis e tentam encontrar trabalho.
Para alguém ser considerado desempregado, não basta não possuir um emprego. à preciso que essa pessoa também procure oportunidades.
Como funciona a Pnad ContÃnua?
à o principal instrumento para monitorar a força de trabalho do paÃs. Conforme o IBGE, sua amostra corresponde a 211 mil domicÃlios, em todos os estados e no DF, que são visitados a cada trimestre. Cerca de 2.000 entrevistadores trabalham na coleta da pesquisa.
Como é medida a taxa de desemprego?
à o percentual da força de trabalho formado pelas pessoas que estão desempregadas.
A força de trabalho é composta pelos desempregados e pelos ocupados. Os ocupados, por sua vez, são aqueles que estão trabalhando de modo formal ou informal âou seja, com ou sem carteira ou CNPJ.
O que explica o desemprego baixo?
Segundo economistas, ele se explica principalmente por um mercado de trabalho aquecido, reflexo de contratações nos setores privado e público. Mudanças demográficas e tecnológicas também contribuem para uma taxa baixa.
Isso é uma boa notÃcia?
O desemprego baixo indica um cenário positivo para os trabalhadores.
Que efeito o desemprego baixo pode ter na economia?
Com mais pessoas trabalhando, o consumo tende a crescer, já que a população tem mais renda disponÃvel. Por outro lado, isso pode pressionar a inflação, já que aumenta a demanda por bens e serviços.
Assim, o BC (Banco Central) levou a taxa básica de juros para 15% ao ano. A medida busca esfriar o consumo para conter a alta dos preços.