A Secretaria de Saúde do DF suspendeu a remoção de servidores do Caps de Ceilândia após protestos que alertaram para sobrecarga e prejuízo no atendimento. A pasta revogou a ordem de serviço, alegando necessidade de recompor a carga horária e realinhar a administração para garantir a continuidade dos serviços. Os manifestantes e servidores destacam que a unidade, que atende uma população enorme, já opera com quadro reduzido e demanda crescente, refletindo um déficit histórico na rede de saúde mental do DF.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) voltou atrás e suspendeu a decisão que previa a retirada de sete servidores do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Ceilândia. A mudança ocorreu após mobilização de trabalhadores, usuários do serviço e entidades da sociedade civil, que denunciaram risco de sobrecarga e prejuízo ao atendimento na unidade.
Em nota, a pasta afirmou que a medida foi reavaliada. “A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informa, com transparência e responsabilidade, que os atos de movimentação dos servidores foram reavaliados com atenção. A Ordem de Serviço mencionada foi tornada sem efeito neste momento, até que seja possível recompor a carga horária do setor e realizar um novo alinhamento administrativo, garantindo a continuidade adequada dos serviços prestados à população.”
Reação
A decisão inicial havia gerado protesto na última segunda-feira (2), em frente ao Caps de Ceilândia. Com cartazes e falas públicas, os manifestantes defenderam a manutenção da equipe completa, argumentando que a unidade já opera com quadro reduzido e alta demanda.
Segundo servidores, a unidade atende uma população estimada em cerca de 500 mil habitantes, número considerado incompatível com a estrutura disponível. Trabalhadores também apontam que a rede de saúde mental do DF enfrenta déficit histórico de profissionais e ausência de novos concursos públicos para a área desde 2018.
Dados do Painel InfoSaúde-DF mostram crescimento expressivo na procura pelos serviços: somente em 2025 foram registrados mais de 420 mil procedimentos ambulatoriais nos Caps do DF. No acumulado desde 2017, o número ultrapassa 2 milhões de atendimentos, sem ampliação proporcional das unidades.
Para os servidores, o recuo da Secretaria representa uma vitória da mobilização coletiva, mas o cenário estrutural da saúde mental no Distrito Federal segue desafiador, com alta demanda e cobertura abaixo da média nacional.
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