O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao STF o arquivamento da investigação sobre as joias recebidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, argumentando a ausência de uma legislação clara que defina a destinação de presentes oficiais recebidos por autoridades. O caso, que envolve um conjunto de joias de alto valor entrado no país sem declaração em 2021 e posterior tentativa de venda no exterior, tramitava em ritmo lento nas esferas criminal, administrativa e fiscal. Os principais tópicos abordados são o pedido de arquivamento pela PGR, a justificativa baseada na lacuna legal e os detalhes do episódio das joias árabes.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) o arquivamento da investigação sobre as joias árabes recebidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e depois vendidas no exterior.
A manifestação de Gonet cita ausência de normas sobre o tema e decisões conflitantes por parte de órgãos de controle externo âao longo dos últimos anos, o TCU (Tribunal de Contas da União) publicou uma série de acórdãos sobre o assunto.
"Não existe normação, por via de lei em sentido formal, sobre a destinação e a dominialidade de presentes recebidos pelo presidente da República de autoridades estrangeiras", diz o documento submetido pelo PGR ao relator do caso no Supremo Tribunal Federal, ministro Alexandre de Moraes.
"Não há norma de lei que defina, com a clareza e abrangência imposta pelas exigências da segurança jurÃdica, o regime jurÃdico aplicável a esses bens."
Como mostrou a Folha, as investigações sobre as joias presenteadas pela Arábia Saudita a Bolsonaro tramitavam em ritmo lento em todas as frentes de apuração âcriminal, administrativa e fiscal.
O caso remonta a 2021, quando um conjunto composto por seis itens ârelógio, caneta, anel, par de abotoaduras e rosário, todos da marca suÃça Chopardâ entrou no Brasil sem ser declarado nem detectado pelas autoridades brasileiras.
Na mesma ocasião, um assessor do então ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) foi flagrado no Aeroporto Internacional de Guarulhos com outro kit de joias, que acabou apreendido pela Receita Federal.
O estojo que passou despercebido foi entregue a Bolsonaro, que tentou vender as joias no exterior. Os bens foram avaliados pela PF em mais de R$ 6,8 milhões.
O episódio gerou um procedimento no TCU (Tribunal de Contas da Uniãlo), uma apuração aduaneira e uma investigação penal, na qual o ex-presidente foi indiciado perante o STF (Supremo Tribunal Federal). Desde que Bolsonaro foi indiciado pela PolÃcia Federal, em julho de 2024, não havia novidades no processo.