O ministro da Defesa de Israel ameaçou publicamente assassinar qualquer novo líder supremo escolhido pelo Irã, independentemente de sua identidade, caso mantenha a política hostil contra Israel e os EUA. A ameaça ocorre após a morte do aiatolá Khamenei em um ataque conjunto e em meio ao processo de sucessão no país, que tem Mojtaba Khamenei como favorito. Paralelamente, o Irã adotou um tom desafiador, anunciando o controle do Estreito de Hormuz e retaliando militarmente, enquanto tenta projetar normalidade no processo sucessório.
Principais tópicos abordados:
1. A ameaça de assassinato feita por Israel a qualquer futuro líder supremo do Irã.
2. O processo de sucessão no Irã após a morte do aiatolá Khamenei.
3. A tensão geopolítica na região, com retaliações militares e disputa pelo controle do Estreito de Hormuz.
O ministro da Defesa de Israel afirmou nesta quarta-feira (4) que o Estado judeu irá matar qualquer lÃder que for escolhido para manter as linha polÃtica da teocracia. O aiatolá Ali Khamenei, 86, comandava o Irã até ser morto em um ataque do rival em conjunto com os Estados Unidos no sábado (28).
"Qualquer lÃder selecionado pelo regime de terror iraniano para continuar a liderar o plano para a destruição de Israel, ameaçando os EUA, o mundo livre e os paÃses da região, e reprimindo o povo iraniano, será um alvo certo para assassinato, não importando seu nome ou suas ideias", disse no X Israel Katz.
O ministro é conhecido por sua linha dura, mas neste caso a ameaça deve ser levada a sério. Na véspera, Israel passou um recado ao destruir o edifÃcio onde normalmente se reúne a Assembleia dos Especialistas, um órgão com 88 membros que deverá fazer a escolha do novo lÃder supremo do paÃs.
Não há relatos de vÃtimas até aqui. à agência Reuters, funcionários iranianos afirmaram que o processo de seleção do sucessor está adiantado, sem dar detalhes. O favorito até aqui é um dos filhos de Khamenei, Mojtaba, de 56 anos.
Ele é um discreto clérigo sem grande expressão, o que leva à sugestão de que ele será mais uma figura de frente do regime no primeiro momento. O verdadeiro poder do paÃs está com polÃticos como o poderoso chefe do Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani, que tem mantido um discurso de confronto com EUA e Israel.
Enquanto a escolha não é feita, o paÃs vai sendo nominalmente comandado por uma trinca composta pelo presidente Masoud Pezeshkian, pelo aiatolá Alireza Arafi, 1 dos 12 membros do central Conselho dos Guardiões, e o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei.
Um momento de tensão ocorreria nesta quarta, quando estava marcado o inÃcio dos três dias de funeral de Khamenei, que liderou o Irã desde a morte do fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini, em 1989.
O evento, segundo a TV estatal, foi adiado. Ele ocorreria à s 22h locais (15h30 em BrasÃlia) com uma reunião de seguidores do lÃder no salão de orações da mesquita Grande Mosalla, em Teerã. Por óbvio, não deveria reunir figuras de proa do paÃs.
Afinal de contas, a campanha americana e israelense tem na sua base a decapitação do regime. O principal golpe até aqui foi o bombardeio de uma reunião de 40 lÃderes militares e polÃticos, inclusive Khamenei, na manhã do sábado.
Com dados de informantes locais, Israel promoveu um ataque de precisão que matou, segundo relatos, quase todos os presentes. Além de Khamenei, havia lÃderes vitais na área de defesa, como o chefe da Guarda Revolucionária, Mohamad Paktour.
Larijani, Pezeskhian e outros foram rápidos em tentar mostrar normalidade sucessório, e as forças militares conseguiram lançar uma rápida retaliação que dura até agora contra alvos americanos e de aliados dos EUA no Oriente Médio mesmo com o caos no topo da cadeia de comando.
Esse tom desafiador foi exacerbado nesta quarta com o anúncio do Irã de que controla o vital estreito de Hormuz, após Donald Trump dizer que vai garantir a passagem de petroleiros por lá com sua Marinha, gerando um impasse.