A China anunciou uma meta de reduzir a intensidade das emissões de CO2 em 17% entre 2026 e 2030, como parte do seu 15º Plano Quinquenal. No entanto, análises especializadas indicam que essa redução precisa ser de cerca de 23% para que o país cumpra seu compromisso climático assumido no Acordo de Paris, especialmente porque a meta do plano anterior (2021-2025) não foi integralmente alcançada. Os principais tópicos abordados são a nova meta climática chinesa, a lacuna em relação aos compromissos internacionais e o contexto das políticas de descarbonização da economia do país.
A China anunciou na manhã desta quinta-feira (5), no horário local, a meta de redução de 17% na intensidade das emissões de CO2 entre 2026 e 2030, um movimento que, segundo analistas, pode dificultar o cumprimento do compromisso de 2030 sob o Acordo de Paris.
O anúncio, feito pelo primeiro-ministro Li Qiang, indica ao mundo o tamanho do compromisso doméstico que o principal emissor de gás carbônico está disposto a tentar atingir. Segundo ele, o objetivo promove "a transição verde e de baixo carbono nos principais setores."
A fala ocorreu em pronunciamento nas Duas Sessões, reunião anual do parlamento chinês para analisar o ano anterior e estipular planos para o próximo.
A nova cifra faz parte do 15º Plano Quinquenal do paÃs, documento que apresenta os principais objetivos do regime chinês para os próximos cinco anos. A meta para 2026, por sua vez, é uma redução de 3,8%.
Análises publicadas pelo Carbon Brief apontam que seria necessária uma redução de 23% na intensidade das emissões para que o paÃs atinja o compromisso estabelecido em 2021 no âmbito do Acordo de Paris, quando foi anunciada uma Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês) que previa redução na intensidade de carbono de cerca de 65% em 2030 em relação a 2005.
Embora os esforços de Pequim para a transição verde sejam mundialmente reconhecidos, pesquisadores afirmam que esse corte adicional compensaria o não cumprimento da meta de redução do último plano. O documento de Pequim para o perÃodo de 2021 a 2025 estabelecia diminuição de 18%, mas a estimativa do que foi atingido é de 12%.
Uma análise publicada pelo Climate Action Tracker também afirmava que "para superar a lacuna restante na redução da intensidade de carbono e atingir a meta da NDC para 2030, será necessária uma ambição climática substancialmente maior no 15º Plano Quinquenal".
Outro documento, publicado pelo Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (Crea, na sigla em inglês) em dezembro de 2025, afirma que o paÃs precisaria cumprir a meta estabelecida no ciclo anterior para atingir os objetivos determinados pelo lÃder chinês.
"A China fixou como alvo uma redução de 18% entre 2021 e 2025, mas projeta-se que alcance cerca de 12% até o fim deste ano. Se isso se confirmar, a China então precisará reduzir sua intensidade de carbono em 22% a 24% nos próximos cinco anos para alcançar seu principal compromisso climático para 2030", escrevem os autores.
Por outro lado, o paÃs já alcançou outros objetivos também estabelecidos para 2030, como ultrapassar o marco de 1.200 gigawatts de capacidade instalada em energia eólica e solar, batido seis anos antes do previsto.
A meta para os próximos anos se distancia do movimento feito quando, no ano passado, o lÃder do regime chinês, Xi Jinping, anunciou a nova Contribuição Nacionalmente Determinada estipulando, pela primeira vez, uma redução absoluta na emissão dos gases de efeito estufa.
Pequim determinou que o paÃs deveria reduzir de 7% a 10% as emissões totais em relação ao pico, previsto para ocorrer até 2030.
Já a forma de mensuração adotada no plano quinquenal considera a redução das emissões por unidade do PIB (Produto Interno Bruto). Ela é voltada à descarbonização da economia âou seja, permite que as emissões absolutas ainda cresçam, ao mesmo tempo que evita que o objetivo climático limite o crescimento econômico. O método controla a densidade de emissões no PIB, não o volume total de gases lançado na atmosfera.