Resumo objetivo:
Em 2025, a arrecadação de impostos sobre produtos no Brasil cresceu 1,7%, abaixo do crescimento do PIB (2,3%), devido principalmente à retração do setor industrial — um dos mais tributados. Em contraste, em 2024 os tributos haviam superado o desempenho da economia, impulsionados pelo crescimento industrial e pelo consumo. A reforma tributária prevista a partir de 2027 deve alterar significativamente essa estrutura tributária.
Principais tópicos abordados:
1. Desempenho tributário abaixo do PIB em 2025, ligado à queda da indústria de transformação.
2. Comparação com 2024, quando tributos e setores-chave cresceram mais que a economia.
3. Impacto setorial: indústria e eletricidade/gás (tributados) recuaram, enquanto a agropecuária (menos tributada) cresceu.
4. Menção à futura reforma tributária que modificará esses impostos.
Um dos setores mais tributados da economia brasileira, a indústria de transformação encolheu em 2025, o que resultou em um aumento dos impostos sobre produtos abaixo do desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) no ano passado.
O valor desses tributos cresceu 1,7% em 2025, enquanto a economia como um todo avançou 2,3%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica) das Contas Nacionais.
Em 2024, ocorreu o oposto. A economia avançou 3,4%, enquanto os impostos cresceram 5,7%. Naquele ano, os setores mais tributados da economia foram também os que mais cresceram. Houve ainda explosão do consumo (que agora desacelerou), recuperação do investimento (que caiu em 2025) e aumento maior das importações, que em geral têm carga mais elevada.
"A indústria cresceu abaixo do desempenho da economia, puxando esse volume de imposto para baixo", afirmou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, citando que a indústria é o setor que mais paga tributos.
No ano passado, o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) ficou estagnado, considerando os valores computados pelo IBGE. O Imposto de Importação, por outro lado, avançou 4,6%, mas tem um peso de apenas 5% no total.
Outro segmento bastante tributado, o de eletricidade e gás, também teve retração, o que afetou principalmente o ICMS, que cresceu 1,3%, também abaixo do desempenho da economia. Reportagens da Folha mostram que o imposto estadual perdeu força no ano passado.
Os impostos sobre produtos representam cerca de 40% da carga tributária brasileira e são cobrados por União, estados e municÃpios. Em 2025, eles somaram R$ 1,8 trilhão. Isso equivale a 16,3% PIB âvalor em linha com a média verificada desde 2010. A maioria desses tributos será modificada ou extinta pela reforma tributária a partir de 2027.
A indústria de transformação encolheu 0,2% no ano passado. No ano anterior, cresceu 3,9%. A agropecuária, que teve resultado negativo de 3,7% em 2024, cresceu 11,7% em 2025 e respondeu por um terço do resultado. Os produtos desse setor, no entanto, são praticamente desonerados.