Resumo objetivo:
Israel planeja estender sua campanha militar contra o Irã por mais uma ou duas semanas, com foco em atingir alvos de comando e infraestrutura militar. A operação é conduzida em coordenação com os Estados Unidos, que dividem os alvos com base em critérios geográficos e capacidades operacionais. O governo israelense justifica os ataques como uma resposta legítima à ameaça existencial representada pelo programa nuclear e de mísseis balísticos iraniano.
Principais tópicos abordados:
1. Duração e objetivos da campanha militar de Israel contra o Irã.
2. Coordenação operacional e divisão de tarefas entre Israel e os Estados Unidos.
3. A escala dos ataques e os alvos específicos atingidos.
4. A justificativa legal e estratégica de Israel para a ofensiva.
Israel planeja manter por pelo menos mais uma ou duas semanas a campanha militar contra o Irã, com o objetivo de atingir alvos ligados ao comando do regime e às estruturas militares. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (5) pelo jornal The Times of Israel, que ouviu membros do Exército sob anonimato.
A estimativa parece destoar das previsões de Donald Trump, que desencadeou o conflito ao lado de Tel Aviv. Inicialmente, o presidente dos Estados Unidos disse que a guerra poderia durar de quatro a cinco semanas âembora tenha enfatizado que o paÃs tem capacidade para "ir muito além disso".
Em uma carta enviada ao Congresso, Trump admitiu que a guerra não tem data para acabar. O presidente disse, no texto, que não é possÃvel determinar a duração ou extensão total das operações militares. Também reconheceu que o paÃs pode ter iniciado uma ação militar prolongada.
Segundo comunicado do Exército divulgado na quarta (4), Tel Aviv teria lançado mais de 5.000 bombas desde o inÃcio do conflito, no sábado (28), quando foram mortas lideranças do regime, incluindo o lÃder supremo Ali Khamenei.
Israel disse ter feito na quarta-feira um ataque de grande escala contra um complexo militar do Irã que abriga a sede de todos os órgãos do aparato de segurança do paÃs, incluindo a Guarda Revolucionária, a brigada Quds, unidade de elite do regime, e a Basij, milÃcia paramilitar formada por voluntários.
Ainda de acordo com as Forças Armadas, mais de cem caças participaram da ofensiva contra o complexo, localizado no leste de Teerã, lançando mais de 250 bombas. Israel também afirmou que um lançador de mÃsseis balÃsticos iraniano foi destruÃdo em um ataque aéreo na região de Kermanshah.
Segundo o jornal The Times of Israel, militares israelenses afirmaram que as operações contra a República Islâmica estão sendo divididas com as Forças Armadas dos EUA com base em critérios geográficos, tipos de alvos e vantagens operacionais de cada paÃs.
A Força Aérea israelense concentra suas operações no oeste e no centro do território iraniano, regiões de onde Teerã dispara mÃsseis balÃsticos de longo alcance contra Israel. Já as forças americanas atuam no sul do paÃs, área utilizada pelo paÃs persa para o lançamento de projéteis contra bases dos EUA no Golfo Pérsico.
Segundo a reportagem, militares americanos assumiram a tarefa de atingir a Marinha iraniana, enquanto Israel tem priorizado outros alvos, como instalações do regime em Teerã, onde considera ter maior vantagem operacional.
Além disso, Tel Aviv tem dependido fortemente da capacidade de reabastecimento aéreo dos EUA, já que os americanos possuem uma frota de aviões-tanque cerca de dez vezes maior que a de Israel.
Dezenas de aeronaves de reabastecimento americanas foram posicionadas em Israel durante o conflito.
Militares israelenses descreveram o confronto como a primeira guerra conjunta em grande escala, após meses de planejamento e troca de inteligência. Mais de mil soldados americanos estão atualmente alocados no paÃs aliado.
Há ainda a avaliação de que paÃses do Golfo, que foram atingidos por ataques iranianos como retaliação, podem se envolver no conflito de maneira mais ostensiva. Até agora, esses paÃses têm atuado principalmente para interceptar mÃsseis balÃsticos e drones lançados por Teerã.
O Exército de Israel defende a legalidade dos bombardeios contra o Irã. Segundo oficial das Forças Armadas israelenses ouvido pela Folha, Tel Aviv agiu ao identificar que Teerã estaria reconstruindo seu programa nuclear e acelerando sua produção de mÃsseis balÃsticos âo que é visto pelo Estado judeu como uma ameaça existencial que justificaria a operação atual.
Além disso, ainda segundo esse oficial, Israel e Irã já estão em estado de conflito, o que significaria, de acordo com a interpretação do Exército israelense, que a ação é legÃtima a despeito da ameaça existencial identificada. O militar, no entanto, não detalhou a data exata para o inÃcio da guerra entre os paÃses, que trocam ataques ao menos desde 2024 e indiretamente, por meio de outros atores regionais, desde a década de 1980.