O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao STF a restauração da resolução do CFM que proibia o procedimento de assistolia fetal em abortos legais por estupro acima de 22 semanas. O parecer argumenta que a regulamentação de dilemas éticos é incumbência do CFM e que o aborto em caso de estupro, por não ser um direito legalizado, não poderia ser exigido dos serviços de saúde. De outro lado, antropóloga e especialistas defendem que a assistolia fetal é um procedimento médico seguro e consolidado, essencial para a saúde das vítimas de violência sexual.
Principais tópicos abordados:
1. O pedido da PGR ao STF para restabelecer a proibição da assistolia fetal.
2. O debate sobre a competência do CFM para regulamentar a prática.
3. A discussão sobre o aborto legal por estupro como um direito à saúde versus uma prática não punida.
4. Os argumentos médicos e éticos a favor e contra o procedimento.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) nessa quarta (4) a restauração do ato do CFM (Conselho Federal de Medicina) que proibia a prática de assistolia fetal para aborto acima de 22 semanas em caso de gravidez decorrente de estupro.
A assistolia fetal é um procedimento médico que causa a parada cardÃaca do feto antes de um aborto legal, para evitar o nascimento com vida. Ele é recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em estágios mais avançados de gestação.
O parecer é direcionado ao relator do caso, o ministro do STF Alexandre de Moraes, que suspendeu a resolução em 2024 até que a ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 1141 fosse julgada pelo tribunal.
A decisão da PGR (Procuradoria-Geral da República) entende que é incumbência do CFM resolver dilemas éticos da medicina e não considera arbitrária a resolução do conselho. Portanto, o documento conclui que não haveria motivo para vetá-la.
Gonet também cita que o aborto em decorrência de estupro não é legalizado, e sim não é punido. Por isso, o indivÃduo não poderia exigir dos serviços de saúde do Estado ou de médicos particulares que performem a operação.
Em agosto de 2025, o CFM soltou nota conjunta com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil em que defende que "a prática da assistolia fetal é desumana, dolorosa e desproporcional" e fere o princÃpio da dignidade humana.
Para a antropóloga Debora Diniz, não cabe a um conselho profissional regulamentar polÃticas públicas. "A questão de fundo não é a moral do aborto, mas quais os melhores cuidados em saúde, em particular para meninas vÃtimas de violência sexual e que estejam grávidas", afirma.
A antropóloga defende que o procedimento da assistolia fetal é um tratamento de saúde consolidado e com evidências como o padrão ouro em cuidados médicos para a interrupção da gravidez. "Na sua ausência, é impor às meninas e mulheres tratamentos menos consolidados e com maiores riscos à saúde", diz Diniz.
com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS