Resumo objetivo:
O banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário Fabiano Zettel foram transferidos para a Penitenciária 2 de Potim, após pedido da Polícia Federal devido à inadequação da prisão anterior. Eles são acusados de integrar um grupo acusado de coagir adversários e aguardam, em observação, a transferência para o regime fechado. A penitenciária é conhecida por abrigar presos de alta notoriedade, como o médico Roger Abdelmassih e o empresário Sérgio Nahas.
Principais tópicos abordados:
1. A transferência e situação prisional de Vorcaro e Zettel.
2. O perfil da Penitenciária 2 de Potim como local para presos famosos.
3. Os crimes pelos quais outros detentos notórios da unidade foram condenados.
4. O contexto da decisão judicial e a justificativa da PF para a mudança.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o empresário Fabiano Zettel foram transferidos na manhã desta quinta-feira (5) para a Penitenciária 2 de Potim, a 195 quilômetros da capital. Eles chegaram por volta das 8h e estão em uma cela de observação, seguindo o procedimento padrão na chegada à cadeia e serão levados ao pavilhão do regime fechado após dez dias. Nesse perÃodo, a direção da unidade avalia se há risco para o detento ser integrado aos outros presos. Se não tiver problema, vai para convÃvio no pavilhão do regime fechado.
Localizada em Potim, no Vale do ParaÃba, a Penitenciária 2 passou a ser apelidada nos bastidores como "novo presÃdio dos famosos", por concentrar presos envolvidos em casos de grande repercussão nacional, como o médico Roger Abdelmassih e Fernando Sastre, motorista do Porshe envolvido em acidente fatal.
A mudança ocorreu após o ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no STF (Supremo Tribunal Federal), atender a pedido da PolÃcia Federal. A corporação alegou que o CDP 2 (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos, onde eles estavam presos, não tinha estrutura adequada para custodiar os investigados.
Presos preventivamente (sem prazo), Vorcaro e Zettel são acusados de integrar um grupo informal conhecido como "A Turma", que, segundo a PF, atuaria para monitorar, intimidar e coagir pessoas consideradas adversárias do banqueiro.
A cidade de Potin é rota de peregrinos para o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, cidade vizinha. A penitenciária 2 foi inaugurada em 2002 e tem quase 8.000 m² de área construÃda.
A unidade tem capacidade para 844 pessoas, mas tem 472 reeducandos e começou a receber presos famosos após a unidade de Tremembé â que virou tema de série de streamingâ passar por reestruturação para deixar de abrigar presos de alta notoriedade e casos de grande comoção social, focando o regime semiaberto.
A principal diferença entre Potim 2 e Tremembé é o modelo de construção. A primeira tem caracterÃsticas de presÃdio comum, como grandes muralhas, e considerado de maior segurança. A segunda tem um conceito mais aberto, dando a impressão de um regime semiaberto.
Tanto um quanto o outro não tem, em tese, presos faccionados. A maioria é de familiares de policiais ou próprios policiais.
A Penitenciária 2 também abriga o empresário do ramo imobiliário Sérgio Nahas, condenado pelo assassinato da mulher, Fernanda Orfali, em 2002.
Na época, ele afirmou que a esposa teria se suicidado após uma discussão, versão contestada pela acusação. Laudos periciais indicaram que o disparo que matou Fernanda foi feito a uma distância superior a 50 centÃmetros e não havia resÃduos de pólvora nas mãos dela. O Ministério Público sustentou que se tratava de homicÃdio duplamente qualificado.
Condenado inicialmente a sete anos em regime semiaberto, Nahas recorreu e aguardava julgamento em liberdade. Em 2025, o STF aumentou a pena. Ele foi preso na Bahia e transferido para São Paulo, passando a cumprir pena em Potim.
Também está no local Roger Abdelmassih, médico especializado em reprodução assistida e condenado por dezenas de estupros cometidos contra pacientes em sua clÃnica. Em 2010, ele foi condenado a 278 anos de prisão por estupro e atentado violento ao pudor. Antes do trânsito em julgado, fugiu do paÃs e foi localizado em 2014 no Paraguai. Após a extradição, passou a cumprir pena no Brasil.
A pena foi posteriormente redimensionada, mas ele segue em regime fechado. O caso é considerado um dos maiores escândalos criminais da área médica no paÃs.
Desde o final do ano passado, está também no complexo o ex-auditor fiscal da Sefaz-SP Artur Gomes da Silva Neto, preso preventivamente sob acusação de receber propinas milionárias de redes de varejo para liberar e acelerar o recebimento de créditos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
Apontado como figura central de esquema de fraudes em créditos tributários, a investigação aponta que ele teria usado sua posição na Sefaz-SP para acelerar e aprovar indevidamente processos que beneficiavam companhias como Ultrafarma e Fast Shop, em troca de pagamentos milionários.
Gomes Neto é alvo de denúncias por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
Outro preso de Potim 2 é o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, 24, após a morte do motorista de aplicativo Ornaldo Silva Viana, 52, em uma batida na madrugada de 31 de março, na zona leste de São Paulo.
De acordo com a investigação, o empresário perdeu o controle do Porsche e atingiu a traseira de um Renault Sandero conduzido por Viana, que não resistiu. Sastre deixou o local e se apresentou à polÃcia mais de 30 horas depois.
Ele responde por homicÃdio com dolo eventual âquando assume o risco de matarâ e lesão corporal gravÃssima, por ter ferido também o amigo Marcus Vinicius Machado Rocha, que estava no veÃculo. As penas somadas podem chegar a 30 anos de prisão. Ele está em prisão preventiva desde 6 de maio, e a Justiça já negou cinco pedidos de liberdade.
Segundo o Ministério Público, ele havia passado a noite em um bar e em uma casa de pôquer antes do acidente. No primeiro local, o grupo consumiu bebidas alcoólicas.