Resumo objetivo:
A Polícia Federal investiga um esquema em que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, supostamente comandou o hackeamento de sistemas da PF e da PGR para obter dados sigilosos de um inquérito. As informações teriam sido repassadas ao site O Bastidor, cujo jornalista Diego Escosteguy é suspeito de receber pagamento do banqueiro para publicar artigos que foram usados na defesa judicial de Vorcaro, tentando evitar sua prisão.
Principais tópicos abordados:
1. Investigação da PF por hackeamento e uso ilegal de dados sigilosos.
2. Suspeita de que o banqueiro Daniel Vorcaro orquestrou o esquema para obter vantagem em sua defesa legal.
3. Acusações de que o jornalista Diego Escosteguy recebeu pagamento para publicar as informações "esquentadas".
4. A defesa do portal e do jornalista, afirmando que a relação foi estritamente profissional e jornalística.
A PF (PolÃcia Federal) investiga o possÃvel uso de dados sigilosos e extraÃdos de forma ilegal em um texto publicado pelo site O Bastidor com informações de interesse de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Conforme revelado pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, a suspeita é que um esquema de hackeamento comandado pelo banqueiro tenha acessado sistemas da PF e da PGR (Procuradoria-Geral da República) e encontrado um inquérito aberto sobre a venda de carteiras de crédito do Master ao BRB. Segundo os investigadores, Vorcaro teria acionado o jornalista Diego Escotesguy, dono do portal, para "esquentar" as informações sigilosas, que seriam usadas em sua defesa.
Então, citando o texto do site O Bastidor, os advogados entraram com um pedido na Justiça Federal para tentar impedir a prisão do banqueiro, que já havia sido determinada.
Mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro pela PF sugerem também que Escosteguy recebia dinheiro de Vorcaro para publicar textos no site. A informação sobre os pagamentos também foi antecipada por Malu Gaspar.
Uma conversa encontrada pelos investigadores mostra Escosteguy indicando a conta para receber os valores. No material, há uma planilha com o nome do jornalista e ordem de Vorcaro para o pagamento de R$ 2 milhões.
Em nota, Escostesguy e o portal O Bastidor afirmam que a relação com o banqueiro sempre foi estritamente profissional e no âmbito da atividade jornalÃstica. "Caracterizando-se como relação de fonte âprática legÃtima, comum e indispensável ao exercÃcio da imprensa", disse.
Segundo a nota, a reportagem mencionada no inquérito da PF foi produzida com base em informações obtidas junto a fontes, documentos e apuração própria, seguindo critérios editoriais. "Não houve direcionamento de conteúdo por parte de terceiros, tampouco qualquer comprometimento da autonomia jornalÃstica", afirmou. "São os mesmos padrões editoriais e o mesmo profissionalismo que guiam a carreira de Diego Escosteguy há 24 anos", acrescentou.
A defesa de Vocaro disse que não vai se manifestar.
Uma anotação encontrada no bloco de notas do celular de Vorcaro, à qual a Folha teve acesso, mostra texto similar ao publicado pelo site O Bastidor, intitulado "BRB e Master sem fim", às 11h do dia 17 de novembro de 2025.
A nota, assinada por Escosteguy, levanta questionamento sobre quem teria "interesse polÃtico e econômico em enterrar o Master" e cita inquérito aberto pela PF após o Banco Central rejeitar a compra do Master pelo BRB âa abertura do inquérito foi antecipada pela Folha.
O texto do portal afirma que o processo está na 10ª Vara Federal de BrasÃlia. Horas depois, à s 15h47, a defesa de Vorcaro entrou com o pedido na Justiça contra eventuais medidas cautelares. Vorcaro foi preso na noite daquele mesmo dia, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior em um jatinho particular. No dia seguinte, em 18 de novembro, o BC liquidou o Master.
Leia a Ãntegra da nota do portal O Bastidor e do jornalista Diego Escosteguy
O portal O Bastidor e o jornalista Diego Escosteguy, fundador e diretor-geral do veÃculo, esclarecem que, ao contrário do que indica a publicação da coluna acerca da representação da PF, a relação com o empresário citado nos autos sempre foi estritamente profissional, no âmbito da atividade jornalÃstica, caracterizando-se como relação de fonte â prática legÃtima, comum e indispensável ao exercÃcio da imprensa.
A matéria mencionada no inquérito da PolÃcia Federal (como todas as reportagens publicadas sobre o caso) foi produzida com base em informações obtidas junto a fontes, documentos e apuração própria, seguindo critérios editoriais. Não houve direcionamento de conteúdo por parte de terceiros, tampouco qualquer comprometimento da autonomia jornalÃstica.
São os mesmos padrões editoriais e o mesmo profissionalismo que guiam a carreira de Diego Escosteguy há 24 anos. à lamentável que a prática cotidiana de jornalismo crÃtico e alicerçado em evidências seja alvo de ilações e informações descontextualizadas e adjetivadas por agentes da lei.
à igualmente irresponsável e leviano associar relações comerciais comuns a qualquer veÃculo de comunicação, em datas pretéritas, e não contemporâneas, a suposto "esquentamento" de notÃcia meses depois.
Uma simples consulta ao site do Bastidor pode verificar a publicação sistemática de notÃcias crÃticas e profissionais sobre a crise do Master e seus diferentes aspectos.
Os valores mencionados referem-se a contratos de patrocÃnio e publicidade, prática regular no mercado de comunicação. Assim como qualquer veÃculo de imprensa, O Bastidor mantém parcerias comerciais que não interferem na linha editorial nem no conteúdo das reportagens.
O Bastidor reafirma o compromisso com o jornalismo profissional e transparente, sempre pautando a atuação pela ética, responsabilidade e rigor na apuração dos fatos, tendo sido o primeiro veÃculo a investigar e publicar reportagens, com evidências, sobre as suspeitas de fraudes no Banco Master (ainda em 2023)
Ainda não tivemos acesso aos autos. Assim que isso ocorrer, tomaremos todas as medidas cabÃveis para desfazer narrativas falsas e restabelecer a verdade dos fatos.
BrasÃlia, 4 de março de 2026