Resumo objetivo:
O empresário Otávio Corrêa Alves, dono do Grupo Milclean, nega que tenha havido pagamento em dinheiro vivo na venda da participação societária do presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Rocha Carneiro Bastos, em 2021. Ele atribui a suspeita de pagamento de R$ 11,5 milhões "em espécie" a uma confusão com o termo "moeda corrente" no contrato, afirmando que todas as transações foram realizadas via crédito bancário, imóveis e participações societárias. O caso é alvo de um inquérito policial que investiga falsidade ideológica e crimes contra o sistema financeiro, focando na evolução patrimonial do dirigente.
Principais tópicos abordados:
1. A investigação sobre a venda da participação de Reinaldo Bastos na Milclean e as suspeitas de pagamento em espécie.
2. A defesa do empresário Otávio Alves, que contesta a interpretação e detalha as formas de pagamento realizadas.
3. O contexto da investigação, associada à "superexposição" de Reinaldo Bastos próximo à eleição da FPF.
4. A relação empresarial e histórica entre Otávio Alves e Reinaldo Bastos.
O empresário Otávio Corrêa Alves, dono do Grupo Milclean, afirma que houve uma "confusão" na interpretação do contrato de compra e venda da empresa que deu origem ao inquérito que investiga o presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), Reinaldo Rocha Carneiro Bastos.
A apuração foi instaurada em 23 de janeiro pelo 23º Distrito Policial de Perdizes para investigar suspeitas de falsidade ideológica e possÃveis crimes contra o sistema financeiro, a partir de notÃcia de fato encaminhada pelo Ministério Público. O procedimento tem como foco a evolução patrimonial do dirigente e cita, entre outros pontos, a venda de sua participação na Milclean em 2021 por R$ 15,5 milhões âdos quais cerca de R$ 11,5 milhões teriam sido pagos "em espécie".
Otávio nega que tenha havido qualquer pagamento em dinheiro vivo. Segundo ele, a referência a "moeda corrente" no contrato é que pode ter gerado a interpretação equivocada. "Moeda corrente é a moeda do paÃs, o real. Não significa pagamento em espécie. Estamos muito tranquilos porque nenhum centavo foi pago em dinheiro vivo", afirma.
De acordo com o empresário, a compra foi parcelada em 60 vezes, das quais 57 já foram quitadas, todas por meio de crédito bancário. O valor remanescente, diz, foi acertado com a transferência de imóveis e participação societária em dois postos de combustÃveis.
Otávio relata preocupação com a própria segurança. Morador de Taubaté, cidade de porte médio no interior paulista, afirma temer que a divulgação de que teria pago R$ 11,5 milhões "em espécie" provoque interpretações equivocadas. "As pessoas acham que eu tenho esse dinheiro para dar por aÃ. Isso preocupa", diz.
O inquérito menciona que pagamentos de grande monta em espécie configurariam circunstância atÃpica e demandariam apuração sobre a origem dos recursos. Otávio sustenta que pode apresentar todos os comprovantes das transferências.
Ele trabalhou com Reinaldo no Esporte Clube Taubaté, onde ambos atuaram como dirigentes e hoje são conselheiros vitalÃcios do clube. Segundo Otávio, o então sócio detinha 35% de participação na Milclean, mas não exercia função operacional relevante. "[Reinaldo] Era um sócio não produtivo", afirma.
Os dois também foram sócios da Aerolimp, empresa de serviços de transporte aéreo extinta em 2006.
O empresário diz que o principal ciclo de expansão da Milclean ocorreu após a saÃda do dirigente. "O verdadeiro crescimento aconteceu depois que ele [Reinaldo] saiu", declara. Segundo ele, a companhia passou de cerca de 3.000 funcionários em 2021 para 8.000 atualmente, com crescimento médio de 20% ao ano â inclusive durante a pandemia de Covid-19.
Otávio afirma ter fundado a empresa aos 50 anos, após mais de 25 anos de trabalho no setor de limpeza. A Milclean começou com 80 funcionários e, segundo ele, consolidou-se gradualmente no mercado de serviços terceirizados.
Apesar de dizer que mantém relação amistosa com o ex-sócio, o empresário avalia que o caso está inserido no contexto da "superexposição" enfrentada por Reinaldo às vésperas da eleição da FPF, marcada para 25 de março, na qual ele tenta a terceira reeleição para o quarto mandato.
com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS