Resumo objetivo:
As principais distribuidoras de combustíveis (Vibra, Ipiranga e Raízen) começaram a repassar aumentos de preços aos postos revendedores, mesmo sem um reajuste prévio da Petrobras em suas refinarias. O motivo alegado é a alta das cotações internacionais do petróleo e derivados, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, que encarece as importações — que representam cerca de um quarto do mercado brasileiro de diesel. Enquanto isso, a Petrobras afirma que ainda avalia o cenário e que só reajusta quando os preços se estabilizam em novos patamares.
Principais tópicos abordados:
1. Aumento de preços pelas distribuidoras: Reajustes repassados aos postos antes de qualquer mudança oficial da Petrobras.
2. Justificativa para o aumento: Impacto da guerra no Oriente Médio nos preços internacionais do petróleo e no custo das importações de combustíveis.
3. Contexto do mercado interno: Dependência brasileira de importações de diesel e a defasagem recorde dos preços locais em relação à paridade internacional.
4. Posição da Petrobras: Empresa mantém que ainda está avaliando o cenário e não realizou reajustes em suas refinarias.
Donos de postos de gasolina afirmam que as grandes distribuidoras de combustÃveis do paÃs começaram a repassar aumentos ao preço dos combustÃveis, embora a Petrobras ainda não tenha alterado o valor de venda do combustÃvel em suas refinarias.
Aos revendedores, as distribuidoras afirmam que a escalada das cotações internacionais do produto desde o inÃcio da guerra no Irã encareceu as importações, principalmente de diesel, que respondem hoje por cerca de um quarto do mercado brasileiro do combustÃvel.
O sindicato dos postos do Rio de Janeiro divulgou nota nesta quinta-feira (5) falando de aumentos por parte das distribuidoras, citando nominalmente as três maiores do paÃs: Vibra, Ipiranga e RaÃzen.
"As atacadistas argumentam que também adquirem o derivado de importadoras", diz o sindicato. "Estas, segundo as companhias, já estão aumentando os preços em razão da guerra em curso no Oriente Médio", completa.
A Folha apurou que também houve aumento para revendedores ao menos em São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Um dono de postos na capital paulista disse que a alta é de R$ 0,26 por litro desde o inÃcio da semana.
Em um comunicado recebido por um revendedor mineiro, a Ipiranga diz que, "devido à escalada dos eventos externos que acarretaram em alta nos preços do petróleo e derivados, informamos que haverá reajuste no diesel e na gasolina a partir de 4 de março".
Em nota enviada à Folha, a Ipiranga diz que os custos do setor de combustÃveis são influenciados por diversos fatores. "No caso do diesel, por exemplo, uma dessas influências é que cerca de 30% do volume consumido no paÃs é importado".
"Diante desse contexto, a empresa acompanha continuamente as condições de mercado e pode realizar ajustes comerciais, sempre em conformidade com a legislação vigente e alinhada às práticas do setor", afirmou..
RaÃzen e Vibra não quiseram comentar o assunto.
"As distribuidoras costumam repassar as altas com grande agilidade para os postos. Já no caso das baixas, demoram ou não repassam na Ãntegra", questiona o Paranapetro, que representa os postos do Paraná. Em nota, fala em "altas expressivas" de preços.
A Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de CombustÃveis) alertou ensta quinta que as defasagens dos preços dos combustÃveis em relação ao mercado internacional atingiram nÃveis recordes e defendeu repasses ao consumidor interno.
Na abertura do mercado, o preço do diesel nas refinarias brasileiras estava R$ 1,51 por litro mais barato do que a paridade de importação medida pela entidade. No caso da gasolina, a diferença era de R$ 0,42 por litro.
"O acompanhamento dos preços dos combustÃveis no mercado nacional aos preços do mercado internacional é recomendável para mitigar riscos de desabastecimento e desalinhamento dos fluxos logÃsticos existentes na cadeia de suprimentos", afirmou.
A Petrobras diz que segue avaliando o cenário e que só promove reajustes quando os preços do petróleo se estabilizam em novos patamares. Nesta quinta, o petróleo segue em alta. Por volta das 15h, a cotação do Brent subia cerca de 4% e se aproximava dos US$ 85 por barril.
Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e BiocombustÃveis), o diesel importado correspondeu a 27,35% das vendas do combustÃvel no paÃs em 2025. A Petrobras foi responsável por 47,7% das importações, enquanto empresas privadas compraram o restante.