Resumo objetivo:
Movimentos feministas entregaram ao governo federal um documento com reivindicações prioritárias para políticas públicas voltadas às mulheres. As principais demandas incluem o fim da escala de trabalho 6×1, ampliação das políticas de enfrentamento à violência de gênero, legalização do aborto e justiça racial. O ato marca o início das mobilizações para o 8 de Março de 2026.
Principais tópicos abordados:
1. Reivindicações trabalhistas: Fim da escala 6×1 para reduzir desigualdades de gênero.
2. Combate à violência: Ampliação de políticas públicas, financiamento e rede de atendimento.
3. Direitos reprodutivos: Legalização do aborto e acesso seguro ao procedimento.
4. Democracia e justiça social: Defesa da democracia, justiça racial e oposição a retrocessos conservadores.
Movimentos feministas e organizações sociais entregaram nesta quinta-feira (5) ao governo federal um manifesto público e um documento com reivindicações prioritárias para políticas voltadas às mulheres no Brasil.
O texto, organizado pela Articulação Nacional do 8 de Março e assinado por mais de 300 organizações, reúne demandas que vão do fim da escala de trabalho 6×1 à ampliação das políticas de enfrentamento à violência de gênero, passando pela legalização do aborto, justiça racial e defesa da democracia.
A entrega do documento ocorreu em Brasília e foi dirigida à ministra das Mulheres, Márcia Lopes, e ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. O ato marca o início da mobilização nacional em torno do Dia Internacional de Luta das Mulheres previstas para ocorrer em diversas cidades do país.
Pela vida das mulheres
Organizada por uma rede que reúne 42 organizações feministas, sindicatos, movimentos populares e coletivos de diferentes regiões do Brasil, a articulação construiu o manifesto ao longo de reuniões realizadas desde janeiro deste ano. As propostas apresentadas também dialogam com debates e resoluções da 5ª Conferência Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres, realizada em Brasília em 2025.
Com o título “Pela vida das mulheres: contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6×1”, o documento busca conectar reivindicações históricas do movimento feminista a debates políticos e econômicos atuais.
Militante da Marcha Mundial das Mulheres, Maria Fernanda Marcelino, afirma que a construção coletiva do manifesto consolidou uma agenda comum do movimento feminista para o próximo período. “O mais importante foi a unidade em torno dos temas prioritários que nós vamos levar para o 8 de março deste ano de 2026 e também para o ano todo, que tem a ver com a defesa intransigente da vida das mulheres”, disse.
O manifesto aponta preocupações com o avanço da extrema direita, a disseminação de misoginia nas redes sociais e a influência de grandes empresas de tecnologia na propagação de discursos conservadores.
Entre as principais bandeiras apresentadas está o fim da escala de trabalho 6×1. Para os movimentos, a mudança é central para reduzir desigualdades no mundo do trabalho, especialmente para as mulheres, que acumulam jornada remunerada e trabalho doméstico.
Agenda de lutas feminista
Segundo Fernanda Marcelino, a reivindicação pelo fim da escala 6×1 está diretamente ligada às desigualdades de gênero. “Nós sabemos que as mulheres estão majoritariamente nessa escala, ganhando muito pouco e sobrecarregadas do trabalho doméstico e de cuidados”, afirmou.
Outro eixo central do manifesto trata da ampliação das políticas públicas para enfrentar a violência contra as mulheres. O documento reivindica a criação de uma lei extrateto no valor de R$ 10 bilhões para financiar ações coordenadas pelo Ministério das Mulheres, além da expansão da rede de atendimento com centros especializados, casas de acolhimento e unidades da Casa da Mulher Brasileira.
Os movimentos também pedem a rejeição do projeto de lei conhecido como “Programa Minha Primeira Arma”, argumentando que a ampliação do acesso a armas de fogo pode agravar os índices de feminicídio. Dados citados no manifesto indicam que, em 2025, a maioria das 1.470 mulheres assassinadas no país eram mulheres negras e que grande parte dos crimes ocorreu dentro de casa, cometida por parceiros ou ex-parceiros.
Na área dos direitos reprodutivos, o manifesto defende a legalização do aborto como direito fundamental e a ampliação do acesso seguro e humanizado ao procedimento nos casos já previstos em lei. O documento também propõe políticas de redução de danos para meninas e mulheres que interrompem a gravidez, além de atendimento integral às vítimas de violência sexual.
“Isso envolve garantir direitos das meninas e das pessoas que gestam, mas também discutir como dividir com o Estado e com a sociedade o trabalho doméstico e de cuidados que hoje recai majoritariamente sobre as mulheres”, acrescentou Maria Fernanda, da Marcha Mundial das Mulheres.
As reivindicações também incluem pautas como a retomada da reforma agrária, o reconhecimento da agroecologia como estratégia para enfrentar as mudanças climáticas e a demarcação de terras indígenas e quilombolas. O manifesto ainda pede a reativação do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara).
Outro eixo do documento aborda o enfrentamento ao racismo estrutural. As organizações reivindicam ações permanentes de educação antirracista e políticas para reduzir a letalidade da população negra, especialmente diante das denúncias de violência policial contra jovens negros no país.
Por fim, o manifesto traz posicionamentos sobre democracia e política internacional. O texto defende a regulação das plataformas digitais, maior participação das mulheres nos espaços de decisão do Estado e manifesta solidariedade às mulheres de países como Palestina, Venezuela e Cuba.
Com a entrega do manifesto, as organizações feministas esperam ampliar o debate público sobre as políticas necessárias para garantir direitos e reduzir desigualdades de gênero no Brasil. As mobilizações previstas para o 8 de março devem reforçar essa agenda nas ruas e pressionar o poder público a responder às reivindicações apresentadas.
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