Resumo objetivo:
Pesquisadores do Instituto de Zootecnia de São Paulo utilizam uma "mochila" adaptada em bois para medir individualmente as emissões de metano entérico (principalmente pelos arrotos). O estudo visa coletar dados precisos para inventários ambientais e analisar a influência da genética, já que cerca de 30% da variação nas emissões é atribuída a fatores genéticos. O objetivo final é selecionar geneticamente animais que produzam menos metano, reduzindo o impacto do setor agropecuário no aquecimento global.
Principais tópicos abordados:
1. Tecnologia de medição de metano em bovinos (equipamento em formato de mochila).
2. Análise da influência da genética e da dieta nas emissões.
3. Aplicação dos dados para seleção genética e inventários ambientais.
4. Impacto do metano emitido pelo agronegócio no aquecimento global.
Está vendo este boi de mochila? Isso é ciência de ponta. Essa é uma tecnologia que foi adaptada aqui no interior de São Paulo para ajudar a medir o gás metano entérico. Aquele que sai do arroto e da respiração dos bois.
Os animais vestem uma espécie de mochilinha de couro, que contém um tubo conectado a uma mangueira. Dentro da bolsa, um equipamento mede o gás que sai da narina e da boca dos animais.
Cerca de 95% do gás metano emitido pelo boi vem da boca. Entender como isso funciona e tentar diminuir a emissão é o principal objetivo do Instituto de Zootecnia de São Paulo.
"Qual que é a importância? Conhecer a emissão de metano de um bovino numa certa dieta. E fazer estudos genéticos. O nosso é principalmente estudo genético. A gente precisa, primeiro, conhecer a emissão, para alimentar inventários. Esses inventários de emissão de metano de impacto ambiental precisam de dados", explica Maria Eugênia Mercadante, pesquisadora do Instituto de Zootecnia.
E, com estes dados, os pesquisadores partem para entender a genética. Como cada bovino tem sua própria mochilinha, os dados são individuais. Ou seja, mais assertivos. "Quanto dessa variação de emissão de metano dos bovinos, ela é devido ao ambiente e à dieta ou é devido à genética. A gente está vendo que cerca de 30% dessa diferença de emissão de metanos entre os bovinos é devido à genética", conta Maria Eugênia Mercadante.
A partir desses dados, no futuro, seria possÃvel selecionar geneticamente os animais que produzem menos metano. Esse gás é responsável por cerca de um terço do aquecimento global.
"A gente pode incluir essas caracterÃsticas de emissão de metano nos programas de seleção. Selecionar indivÃduos que emitam menos metano para mesma produção de carne, por exemplo", acrescenta Maria Eugênia Mercadante.
A pesquisa começou a usar as mochilinhas em 2018, em todos os machos da raça Nelore nascidos no rebanho do Instituto e de alguns rebanhos parceiros. Hoje a raça Canchim também faz parte do estudo.
Para isso, o Brasil se espelhou numa tecnologia criada na Europa para medir o gás emitido por vacas leiteiras. Parte dos equipamentos é importada e outra, produzida por aqui.
Há outros projetos como esse em outras partes do Brasil. Eles são coordenados pela Embrapa, que também faz as análises do metano para o Instituto de Zootecnia.
O agronegócio brasileiro é o setor que mais emite metano no paÃs: ele representa mais de 75% de toda a emissão. Grande parte dela, justamente por meio do arroto do boi.