Principais pontos da notícia:
O artigo apresenta Hernandez Piras Batista, assinante e um dos leitores mais ativos da Folha, com quase 10 mil comentários desde 2020, especialmente sobre mobilidade e arquitetura. Destaca seu perfil culto, progressista e multilíngue, além de sua trajetória como servidor público e sua luta contra problemas de saúde, incluindo uma doença ocular e um tumor. Hernandez faleceu aos 56 anos, após complicações médicas.
Tópicos abordados:
1. Perfil e contribuição de Hernandez como leitor-comentarista da Folha.
2. Características pessoais, formação e interesses.
3. Histórico de saúde e circunstâncias de sua morte.
A Folha só chegou aos 105 anos devido aos seus milhões de leitores. Entre eles, Hernandez Piras Batista deixou uma marca. Assinante havia mais de dez anos, ele se tornou um dos mais assÃduos leitores-comentaristas do jornal.
Desde 2020, foram quase 10 mil comentários, o que o tornou o 52º leitor que mais comentou nesse perÃodo entre mais de 50 mil usuários. Suas opiniões eram especialmente voltadas a reportagens que discutiam mobilidade e arquitetura.
Esse interesse pelas notÃcias e por dar sua opinião era uma algo natural para Hernandez, segundo a irmã Aline Piras, 43.
"Desde criança era muito culto e sensÃvel. Ele se interessava por artes e tinha estilo progressista, o que pode ser visto nos comentários que fez para a Folha. Seus questionamentos foram sobre isso. Ele achava que vocês falavam pouco sobre alguns assuntos que entendia que tinha de ser dito", diz Aline, lembrando que o irmão sempre gostou de estudar e falava fluentemente francês e inglês.
Um de seus últimos comentários foi na reportagem "Decreto do governo prevê que Janja deve ser atendida pelo gabinete de Lula". "Esposa do presidente da República não é cargo público, é situação familiar. Não vejo a menor razão para seguirmos os maus exemplos dos EUA ou de Portugal. Chega de familismo e nepotismo. Para mim, isso vale tanto para Lula quanto para a famÃlia Bolsonaro", disse ele.
Para aprimorar os idiomas, ele costumava viajar para outros paÃses. No ano passado, por exemplo, ficou um mês na Espanha e em Portugal. E tinha outra viagem agendada para estudar inglês durante um mês na Escócia e na Inglaterra.
Hernandez nasceu em 21 de março de 1969 na cidade de São Paulo e foi o primogênito de Francisco e Benedita. Depois vieram as gêmeas Aline e Leandra.
Por ter nascido com ceracotone, uma doença ocular progressiva que deforma a córnea, ele enxergava pouco e precisou fazer dois transplantes.
"Ele amava ler e, por conta da doença, muitas vezes tinha que ler com o livro colado aos olhos", conta Aline. "Foi funcionário público em toda sua trajetória profissional, muito respeitado por todos. Foi servidor efetivo da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) por 25 anos."
Hernandez iniciou o curso de economia na USP (Universidade de São Paulo), mas não se identificou e desistiu após um semestre, mudando para direito no Mackenzie, onde se formou.
Com o nascimento do sobrinho Bento, filho de Aline, ganhou um incentivo a mais cuidar mais da saúde.
"Ele era apaixonado pelo Bento e o nascimento o fez querer viver, buscar saúde. Queria ficar mais perto do Bento e de mim. Por isso, o médico pediu muitos exames, e um deles saiu muito alterado. Após uma ressonância, ele descobriu um tumor benigno na glândula hipófise em estágio muito avançado, que, pelo seu tamanho, comprometeu a artéria carótida e corroeu parte do crânio", lembra a irmã.
O tratamento com remédios diminuiu o tumor, mas Hernandez precisou de outra cirurgia. Foi operado e, após intercorrências, piorou. Morreu no dia 10 de dezembro, aos 56 anos, após 55 dias internado na UTI. Deixa a mãe, Benedita, 82, as irmãs gêmeas Aline e Leandra, e os sobrinhos Vinicius, Pedro e Bento.
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