Resumo objetivo:
A guerra no Oriente Médio reduziu drasticamente as importações brasileiras de fertilizantes da região, que caíram 34% no primeiro bimestre de 2026 em relação à média dos últimos cinco anos, atingindo o menor volume em 11 anos. Em contrapartida, as exportações do agronegócio cresceram, com as carnes (bovina, suína e de frango) batendo recordes de volume e a soja projetando aumento na produção e nas vendas. A logística de escoamento da safra permanece acelerada, mesmo com o cenário geopolítico adverso.
Principais tópicos abordados:
1. Queda nas importações de fertilizantes devido à guerra no Oriente Médio.
2. Crescimento e recordes nas exportações de carnes e outros produtos do agronegócio.
3. Estabilidade nas importações totais, com destaque para fertilizantes e agrotóxicos.
4. Perspectiva positiva para a safra de soja e o aumento da demanda logística.
A guerra no Oriente Médio pegou o Brasil no contrapé em relação à s importações de fertilizantes da região. No primeiro bimestre do ano passado, aquele bloco de paÃses forneceu 624 mil toneladas do insumo ao mercado brasileiro, 12% do total importado pelo paÃs no perÃodo.
Em janeiro e fevereiro deste ano, as compras brasileiras se limitaram a 462 mil toneladas na região, 8,8% do que o paÃs importou. O volume é o menor em 11 anos para o primeiro bimestre e representa uma queda de 34% em relação à média do mesmo perÃodo dos últimos 5 anos, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Um problema, se a guerra tiver longa duração.
Se a importação de fertilizantes é menor, o mesmo não ocorre com as exportações dos demais setores. As carnes, que lideram as vendas externas, enquanto a colheita de soja ainda está por terminar, bateram um recorde no volume neste primeiro bimestre.
O Brasil colocou no mercado externo 1,64 milhão de toneladas na soma das carnes bovina, suÃna e de frango. As vendas de carne bovina atingiram o recorde de 474 mil toneladas, 26% a mais do que as de janeiro e fevereiro de 2025.
As exportações de frango também subiram para um patamar recorde, somando 929 mil toneladas. A mesma tendência verificada para a carne suÃna, cujas vendas externas subiram para 238 mil toneladas. O mercado do Oriente Médio se mantém importante para esse setor, principalmente para as carnes de frango e bovina.
As exportações totais do agronegócio somaram US$ 22,6 bilhões em janeiro e fevereiro, 2% a mais do que em igual perÃodo de 2025. As vendas de carnes renderam US$ 5 bilhões, acima dos US$ 3,9 bilhões da soja. A oleaginosa deverá assumir a liderança da balança a partir deste mês, quando haverá um incremento nas exportações, devido ao avanço da safra.
O café, apesar de preços mais comedidos no mercado externo, rendeu US$ 2,2 bilhões, acima do US$ 1,75 bilhão da celulose. Açúcar e milho também estão na lista dos principais itens de exportação. As vendas externas de açúcar aumentaram 9% no bimestre, mas a queda dos preços internacionais provocou uma redução de 17% nas receitas.
As exportações de milho aumentaram para 5 milhões de toneladas no perÃodo. Vietnã e Irã lideraram as compras, com 1,43 milhão de toneladas e 1,33 milhão, respectivamente.
Já o ritmo das importações está estável neste inÃcio de ano, com os gastos ficando em US$ 5,5 bilhões, gerados, principalmente, por fertilizantes e agrotóxicos. Segundo os dados da Secex, a importação de adubo permaneceu em 5,25 milhões de toneladas, mas a de produtos agroquÃmicos caiu de 121 mil toneladas para 95 mil, no perÃodo.
Movimento acelerado A demanda por escoamento da safra brasileira de soja parece ignorar o impacto da guerra no Irã. O movimento nas rodovias do paÃs segue forte, segundo a Frete.com, empresa com atuação na América Latina.
Movimento acelerado 2 A Frete registrou a contratação de 60 mil fretes no mercado brasileiro, na terça-feira (3), um volume 20% maior do que a média diária dos últimos 5 meses. Deste volume, 66% das operações foram contratadas para transporte de soja, milho e fertilizantes, e os corredores logÃsticos de Santos e de Paranaguá registraram forte intensificação, com aumento de 50%.
Soja A Agroconsult revisou para cima suas estimativas de produção de soja. A consultoria prevê, agora, 183,1 milhões de toneladas nesta safra de 2025/26. Se confirmado, o volume supera em 6,4% o da safra anterior. A produtividade está acima do esperado, segundo o Rally da Safra, uma expedição da consultoria pelos campos de soja do paÃs.