Resumo objetivo:
A pastora Ana Paula Valadão defende os ataques dos EUA e Israel ao Irã, enquadrando-os como uma "guerra justa" necessária para derrubar um regime tirânico que persegue cristãos e viola direitos humanos. Ela rejeita as críticas que apontam a seletividade de sua posição, destacando a perseguição religiosa no Irã e justificando o apoio a Israel com base em razões teológicas. O debate surgiu em resposta a um artigo que questionava sua comoção com os bombardeios, contrastando-a com a morte de civis, como em um ataque a uma escola.
Principais tópicos abordados:
1. A defesa de uma "guerra justa" contra o Irã, baseada na perseguição a cristãos e em violações de direitos humanos.
2. A controvérsia sobre a seletividade da crítica, com o questionamento sobre por que não se aplica o mesmo rigor a aliados como a Arábia Saudita.
3. A justificativa teológica para o apoio a Israel e a relação com a identidade judaico-cristã.
4. A discussão sobre mortes de civis e a dificuldade de apurar responsabilidades em zonas de conflito.
A pastora e cantora gospel Ana Paula Valadão diz que não "comemora uma guerra", mas vê com esperança os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o regime do Irã. "No cristianismo, existe a noção de guerras justas, situações em que, infelizmente, o uso da força se faz necessário, especialmente para derrubar regimes tirânicos que oprimem o seu próprio povo."
A evangélica, que lidera o grupo Diante do Trono, reagiu a um artigo do sociólogo Valdinei Ferreira, ex-pastor titular da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, publicado nesta quinta (5) na Folha. No texto, o religioso diz que a "grande comoção" da pastora com os mÃsseis disparados no Oriente Médio se contrapõe ao "ataque à escola que resultou na morte de pelo menos 50 meninas", dano colateral dos bombardeios.
Em entrevista ao jornal, ela afirmou que o posicionamento se baseia sobretudo na situação de perseguição a cristãos no paÃs governado por uma teocracia islâmica. "Não se trata de comemorar uma guerra, mas sim o fato de que algo finalmente foi feito." Para a pastora, o regime iraniano comete violações sistemáticas de direitos humanos contra minorias religiosas e mulheres.
Ferreira aponta isso em seu artigo: o governo liderado pelo aiatolá Ali Khamenei, morto na ofensiva militar, oprimia mulheres, cristãos, gays e outros grupos socialmente vulneráveis. "Mas e o regime da Arábia Saudita? Não faz o mesmo? Como a teologia de Valadão e companhia explica que Deus está usando Donald Trump para atacar o Irã e combater o mal enquanto faz negócios com Mohammed bin Salman, o ditador saudita?"
A pastora rejeita a crÃtica. Segundo ela, igrejas evangélicas brasileiras costumam lembrar anualmente a situação de cristãos perseguidos em diferentes paÃses, inclusive na Arábia Saudita, que aparece no ranking da Missão Portas Abertas, organização cristã que elabora um ranking anual sobre perseguição religiosa.
Segundo Valadão, muçulmanos que se convertem ao cristianismo podem ser punidos com a morte, e pastores de igrejas consideradas ilegais frequentemente acabam presos. A pastora também lembrou que manifestações pacÃficas contra a teocracia teriam como saldo milhares de mortos. Amplamente divulgado pela mÃdia internacional, esse quadro teria ocorrido "diante do silêncio do mundo", diz.
Ela cita dados da Missão Portas Abertas. De acordo com o levantamento, o Irã aparece entre os paÃses onde cristãos enfrentam maior repressão. "Os ataques foram vistos por muitos cristãos iranianos e pela diáspora como uma esperança de que esse regime finalmente caia", afirma.
O tema ganhou repercussão depois que o pastor Gustavo Bessa, seu marido, compartilhou um vÃdeo comentando o bombardeio de uma escola no Irã, apresentado por autoridades iranianas como consequência das ofensivas. Ana Paula disse lamentar qualquer morte de civis, mas questionou a veracidade das informações divulgadas.
Ela diz que tanto Israel quanto os EUA afirmaram não ter confirmação sobre o local atingido, enquanto a ONU pediu investigação independente.
A pastora também mencionou acusações recorrentes de que grupos armados financiados por Teerã, como Hamas e Hezbollah, utilizam civis como escudos humanos ao operar em estruturas como escolas e hospitais âprática que dificultaria cravar responsabilidades em ataques.
A defesa de Israel é um ponto reincidente no discurso de grande parte das igrejas evangélicas brasileiras, e Valadão atribui essa centralidade a razões teológicas. "Jesus é judeu, assim como praticamente todos os autores da BÃblia", disse. Para ela, a criação do Estado israelense em 1948 também tem peso simbólico após séculos de perseguição aos judeus, culminando no Holocausto.
Segundo a pastora, apoiar Israel não significa concordar com todas as decisões do paÃs. "Não significa que aplaudimos tudo o que Israel faz, até porque todos os paÃses cometem erros, tampouco somos contra os árabes ou palestinos."
Orar pela paz em Jerusalém, segundo Valadão, é um princÃpio bÃblico e inclui orar "por todos seus habitantes". "Também cremos e oramos pelo cumprimento da profecia bÃblica de IsaÃas 19.25, que fala que um dia Deus abençoará todo o Oriente Médio, não apenas Israel, mas também o Egito e a AssÃria, que hoje compreende vários paÃses da região."
Neste momento, ela diz falar "em prol dos cristãos iranianos, pois sinto que estou falando em defesa da minha própria famÃlia, pois, em Jesus, creio que é isso o que eles são".
Ao comentar o significado da guerra para cristãos, a pastora afirmou que os conflitos seriam "um triste lembrete das consequências do pecado no mundo", mas defendeu a existência do conceito de "guerra justa" dentro da tradição cristã.
Nesse sentido, conflitos serviriam para lembrar "que a redenção das nações só acontecerá plenamente quando Jesus voltar para restaurar todas as coisas", de acordo com a lÃder evangélica. "à por isso que mesmo em guerras justas, como essa para depor o regime iraniano, temos sofrimento e morte de civis. Nesse sentido, cabe a nós nos alegrarmos com os que se alegram e chorar com os que choram."