Resumo objetivo:
Os Estados Unidos e a Venezuela acordaram restabelecer relações diplomáticas e consulares, rompidas desde 2019. O objetivo declarado é criar condições para uma transição pacífica a um governo democraticamente eleito e promover estabilidade e recuperação econômica no país. A decisão marca uma inflexão após anos de tensão bilateral e segue um processo gradual de reaproximação iniciado no início do ano.
Principais tópicos abordados:
1. O restabelecimento das relações diplomáticas entre EUA e Venezuela.
2. O objetivo central de facilitar uma transição política pacífica e democrática na Venezuela.
3. O histórico de ruptura (em 2019) e o recente processo gradual de reaproximação.
4. O contexto de tensões históricas entre os dois países, antecedendo o governo Maduro.
Os Estados Unidos e a Venezuela concordaram em restabelecer relações diplomáticas e consulares, informou o Departamento de Estado americano em comunicado nesta quinta-feira (5), acrescentando que o foco está em criar condições para uma transição pacÃfica a um governo democraticamente eleito.
Os paÃses não tinham relações formais desde 2019, quando o primeiro governo Donald Trump reconheceu Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.
"Este passo facilitará nossos esforços conjuntos para promover a estabilidade, apoiar a recuperação econômica e avançar na reconciliação polÃtica na Venezuela", afirmou o Departamento de Estado. "Nosso compromisso está focado em ajudar o povo venezuelano a avançar por meio de um processo gradual que crie as condições para uma transição pacÃfica para um governo democraticamente eleito."
Após meses de tensões elevadas, os EUA capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro, desencadeando uma série de mudanças no paÃs, incluindo a posse da lÃder interina Delcy RodrÃguez. Desde então, os dois paÃses retomaram gradualmente as relações bilaterais.
Poucos dias depois da captura de Maduro, em janeiro deste ano, o regime venezuelano anunciou o inÃcio do que chamou de "processo exploratório de natureza diplomática" para retomar as relações com Washington, que têm o histórico de décadas de turbulência e que tinham sido rompidas em 2019.
Os EUA, por sua vez, enviaram ao paÃs sul-americano uma delegação liderada por John McNamara, encarregado de negócios americanos na Colômbia, para fazer uma avaliação de uma "possÃvel volta gradual das operações diplomáticas", também de acordo com nota divulgada pelo governo.
Em janeiro, o chanceler venezuelano, Yván Gil, afirmou que o regime decidiu abrir um canal de diálogos preliminares com Washington em que as partes discutiriam o restabelecimento de representações nos paÃses. Em sinal de cautela, porém, Gil disse que os diálogos teriam o objetivo de avaliar as condições para a retomada formal das relações bilaterais, ação tomada nesta quinta.
As movimentações marcam uma inflexão numa relação marcada por tensões que antecedem a chegada de Nicolás Maduro ao poder. Seu antecessor, Hugo Chávez, acusava com frequência Washington de conspirar contra seu governo. Um dos episódios mais simbólicos do confronto retórico entre Chávez e os EUA ocorreu em 2006, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas. "O diabo esteve aqui ontem", disse o então lÃder venezuelano ao subir à tribuna após o presidente americano, George W. Bush.
Em 2019, Maduro anunciou o fechamento da embaixada venezuelana em Washington após romper de vez relações com o governo de Donald Trump.
Washington reagiu de forma simétrica. Os EUA fecharam a embaixada em Caracas depois de não reconhecer a primeira reeleição de Maduro, em 2018. A segunda, em 2024, também foi rejeitada e classificada de fraudulenta, inclusive por observadores internacionais, o que aprofundou a crise bilateral.
Com Delcy, vista pelos EUA como uma lÃder capaz de conduzir um processo de estabilização da economia venezuelana, os dois lados se aproximaram diplomática e economicamente e retomaram as relações.
A decisão acontece em meio à guerra no Irã, iniciado pelos EUA e por Israel no último sábado (28). O presidente americano afirma que sua expectativa no paÃs persa é que haja uma troca no poder "assim como na Venezuela". Trump afirma que seu governo terá papel na escolha do próximo lÃder supremo iraniano. O paÃs do Oriente Médio, por sua vez, não sinaliza nada nesta linha.