Resumo objetivo:
No Dia Internacional das Mulheres, João Pessoa recebe um festival político-cultural organizado por coletivos feministas, sindicatos e movimentos sociais. O evento inclui apresentações artísticas, oficinas e uma caminhada, com o objetivo de combater a violência de gênero e defender a democracia e os direitos sociais. As organizadoras destacam a arte como ferramenta de resistência e mobilização política.
Principais tópicos abordados:
1. Realização de um ato público no 8 de março em João Pessoa, com programação cultural e caminhada.
2. Defesa da democracia, soberania dos povos e combate à violência contra as mulheres.
3. Uso da arte e da cultura como instrumentos de resistência política e fortalecimento comunitário.
4. Caráter coletivo da organização, envolvendo movimentos feministas, sindicais e sociais.
João Pessoa recebe neste domingo, 8 de março, uma mobilização que une arte, política e organização social nas ruas da capital paraibana. Como parte da agenda nacional, o Festival político-cultural 8 de março deve reunir coletivos feministas, sindicatos e artistas em uma programação cultural que inclui apresentações artísticas, oficinas e caminhada no bairro dos Bancários.
De acordo com as organizadoras, o evento será realizado no Parque 3 Ruas e na Praça da Paz e pretende marcar o Dia Internacional das Mulheres com um ato público em defesa da democracia e contra a violência de gênero. A programação prevê atividades culturais, intervenções artísticas e uma caminhada que deve percorrer as ruas do bairro, reunindo movimentos sociais e participantes da mobilização.
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Segundo a organização do evento, a mobilização tem como tema Paraíba com mulheres vivas, livres e unidas pela democracia e soberania dos povos. A atividade é construída por coletivos feministas, sindicatos, partidos políticos e movimentos sociais. A programação, de acordo com as organizadoras, busca dialogar com diferentes públicos e utilizar linguagens artísticas como forma de intervenção política.
A programação começa às 15h, no Recanto das Crianças, no Parque 3 Ruas, e segue com a caminhada até a Praça da Paz, onde está previsto o encerramento musical do evento.
Mobilização feminista nas ruas
Marina Blank, integrante do Projeto Lis e uma das coordenadoras da produção do evento, destaca que a mobilização surge diante do cenário de crescimento da violência contra as mulheres e de disputas políticas que, afirma ela, colocam em risco direitos democráticos.
“Nosso mote para 2026 é Paraíba com mulheres vivas, livres e unidas pela democracia e soberania dos povos. Vamos ocupar os espaços públicos para defender nossos direitos, principalmente o direito de estarmos vivas, diante de um cenário de crescimento da violência contra as mulheres no nosso estado e no país. Esse enfrentamento também precisa envolver os homens, porque o machismo mata mulheres e também adoece a própria sociedade”.
Ela afirma que, no atual contexto político, o movimento também busca defender a democracia e os direitos sociais. “Neste momento político que estamos vivendo, com ataques à soberania latino-americana e avanço da extrema direita em vários países, entendemos que a luta das mulheres também precisa defender a democracia e os direitos sociais. O festival é uma construção coletiva de grupos feministas que acreditam no direito de todas as pessoas viverem com dignidade.”
A programação cultural contará com apresentações musicais, performances, poesia, cordel, dança, yoga e intervenções visuais. Também estão previstas atividades para crianças e famílias.
Cultura como instrumento de resistência
Nara Limeira, uma das organizadoras da Bloca Arretadas, explica que o formato de festival político cultural tem sido utilizado em mobilizações feministas como forma de ampliar o alcance do debate e fortalecer vínculos comunitários. Segundo ela, a presença da arte nos atos políticos faz parte de uma tradição histórica dos movimentos populares brasileiros.
“A gente escolhe esse formato porque entende que a cultura e as expressões artísticas representam um mosaico de saberes e fazeres da Paraíba. A arte aproxima as pessoas e também fortalece quem está na luta. Não se trata de transformar a mobilização em festa, mas de entender que a alegria também é uma forma de resistência.”
Ela explica que a conexão com a cultura também representa um diálogo com a memória coletiva e com a história das lutas sociais. “Quando a gente se conecta com nossa cultura, a gente honra nossa ancestralidade, lembra dos trabalhadores do campo e das pessoas escravizadas que construíram esse país e que também tinham seus cantos, suas danças e suas celebrações. Essa memória coletiva inspira e fortalece a luta por direitos hoje.”
Segundo a organização, o cortejo Caminhada pela Vida das Mulheres sairá por volta das 17h40 do Parque 3 Ruas em direção à Praça da Paz, acompanhado por grupos de percussão como Baque Mulher e Batuqueiras Independentes.
Crescimento da violência contra as mulheres
O crescimento da violência contra as mulheres tem sido apontado por pesquisas e relatórios recentes como um dos principais desafios sociais do país. No Brasil, foram registrados cerca de 1.450 feminicídios em 2024, o que representa uma média de quatro mulheres assassinadas por dia por razões de gênero, além de 71.892 casos de estupro no mesmo ano, equivalente a 196 registros diários. A maioria das agressões ocorre no ambiente doméstico e, em grande parte dos casos, os autores são parceiros ou ex-parceiros das vítimas.
Na Paraíba, os indicadores também preocupam. Dados recentes apontam que o estado registrou 37 feminicídios em 2025, o maior número da última década, representando aumento de cerca de 37% em relação a 2024. Além disso, outros tipos de violência têm crescido: os registros de ameaça contra mulheres chegaram a 11.681 casos em 2024, alta de 52%, enquanto ocorrências de perseguição, violência psicológica e importunação sexual também apresentaram aumento significativo.
Programação cultural
A programação do festival terá apresentações de várias artistas como Gláucia Lima, Eliane Marrom, Carolina Vieira, Cida Alves, Ruanna, Banda Meu Quintal, Lua Isa, Olívia Doria e Vitória Ohara.
Também estão previstas performances de dança, teatro, poesia e atividades para crianças, além de oficinas de cartazes e pintura de murais com artistas visuais.
Durante o evento haverá ainda arrecadação de absorventes e itens de higiene íntima destinados à comunidade do Aratu.
De acordo com a organização, a mobilização também deve ocorrer em outras cidades do estado. Em Campina Grande, movimentos feministas planejam realizar um ato político cultural no Museu dos Três Pandeiros, com programação prevista para a tarde do dia 8 de março.
Entre as entidades envolvidas na organização geral estão: a Central Única dos Trabalhadores da Paraíba, o Sindicato Estadual das Trabalhadoras Domésticas, a União Brasileira de Mulheres da Paraíba, o Cunhã Coletivo Feminista, a Marcha Mundial das Mulheres, o Observatório Mulheres da Universidade Federal da Paraíba, o Projeto Lis Liberdade, igualdade e sororidade, a Bloca Arretadas Batuqueiras Independentes, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, o Partido Podemos, o Coletivo Cabedelo Forte, o coletivo Mulheres do Partido dos Trabalhadores, o grupo Mulheres do Amanhã Aratu, a Associação de Mulheres Capoeiristas da Paraíba, o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação do Estado da Paraíba, o Movimento de Mulheres Olga Benario, o coletivo Mulheres de Axé do Brasil, núcleo Paraíba, o Levante Popular da Juventude, a Coletiva de Mulheres Arretadas Comitê do Bessa, o Partido Comunista do Brasil em Campina Grande, a Casa das Benvenutty, a Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular e Saúde da Paraíba, a Associação dos Docentes da Universidade Federal da Paraíba, além de feministas independentes, artistas e outros coletivos culturais e comunitários.
A luta do 8 de março
O Dia Internacional das Mulheres é historicamente marcado por manifestações em diversos países. De acordo com a Organização das Nações Unidas, a data passou a ser reconhecida internacionalmente em 1975 e tem sido utilizada por movimentos sociais para denunciar desigualdades de gênero e reivindicar políticas públicas.
No Brasil, mobilizações feministas costumam ocorrer em capitais e cidades do interior com pautas relacionadas à violência de gênero, desigualdade salarial e direitos reprodutivos. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o país registrou aumento nos casos de feminicídio nos últimos anos, o que tem sido citado por movimentos feministas como um dos fatores que impulsionam as mobilizações.
Informações sobre os dados nacionais podem ser consultadas no relatório Violência contra a Mulher do Fórum Brasileiro de Segurança Pública disponível no site do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Programação – Festival Político-Cultural 8 de Março 2026
O Festival Político-Cultural do 8 de Março será realizado no Parque das Três Ruas, em João Pessoa, com atividades distribuídas entre a Biblioteca ao Ar Livre Anayde Beiriz, no Recanto das Crianças, e o anfiteatro da Praça da Paz. A programação reúne apresentações artísticas, oficinas, atividades para crianças, caminhada feminista e shows musicais. As performances terão duração média de 10 minutos e as aulas abertas cerca de 15 minutos.
Abertura cultural
Local: Biblioteca ao Ar Livre Anayde Beiriz – Recanto das Crianças, Parque das Três Ruas
Horário de início: 15h
15h10 – Abertura com performance de Maria Betânia
15h22 – Boas-vindas ao público com a coordenação de palco formada por Marina Blank, Gláucia Lima, Verônica Lourenço e Maria Betânia
15h27 – Aula de dança para famílias Passos de Afeto, com Klau
15h44 – Performance de Verônica Lourenço
15h56 – Cordel Heroínas Negras Brasileiras, com o grupo Mulheres em Cena
16h08 – Performance Marias de uma mesma violência, com Thamara Duarte
16h20 – Aula aberta de yoga acessível, com Kátia Bond
16h37 – Performance de palhaçaria, com Sofia Raick
16h49 – Sarau com Isadroga
17h01 – Sarau com Clareanna Santana
17h13 – Performance Corpo Mulher, com Renálide Carvalho
17h25 – Performance Dias Mulheres Virão, com Mayra e Eleonora Montenegro
Atividades paralelas durante a abertura
Durante o período inicial do festival também serão realizadas atividades abertas ao público, como oficina de cartazes, pintura de mural ao vivo com as artistas Rayssa Medeiros e Fany Miranda e a Ciranda das Crianças.
A partir das 15h27, com a atividade Passos de Afeto, tem início a programação infantil, com brincadeiras coletivas, capoeira com Rudá, yoga para crianças com Mônica e Ruth, contação de histórias com o projeto Bibliosolidários e oficina de construção de cartazes e instrumentos com materiais recicláveis.
Às 17h15 haverá ainda apresentação de mágica com Vovó Maria.
Caminhada pela vida das mulheres
Às 17h40 será realizada a caminhada intitulada Caminhada pela Vida das Mulheres. O cortejo sairá do Recanto das Crianças, no Parque das Três Ruas, seguirá pela Rua Tubal da Silva Brandão e terá como destino final o anfiteatro da Praça da Paz.
A caminhada será acompanhada pelos grupos percussivos Baque Mulher e Batuqueiras Independentes.
Encerramento cultural e ato político
Local: Anfiteatro da Praça da Paz
A programação final reúne apresentações musicais intercaladas com falas políticas de representantes das entidades organizadoras. Os shows terão duração média de 10 minutos.
18h00 – Recepção da caminhada e abertura do palco com Gláucia Lima
18h10 – Falas de dois grupos organizadores
18h15 – Show com Eliane Marrom e Carolina Vieira
18h25 – Falas de dois grupos organizadores
18h30 – Show com Meu Quintal
18h40 – Falas de dois grupos organizadores
18h45 – Show com Cida Alves
18h55 – Falas de dois grupos organizadores
19h00 – Show com Ruanna
19h10 – Falas de dois grupos organizadores
19h15 – Show com Lua Isa
19h25 – Falas de dois grupos organizadores
19h30 – Show com Olívia Doria
19h40 – Falas de dois grupos organizadores
19h45 – Show com Vitória Ohara
19h55 – Falas finais das entidades organizadoras
20h00 – Encerramento do festival
Durante todo o festival haverá arrecadação de absorventes e itens de higiene íntima destinados a mulheres da comunidade do Aratu. A organização também promoverá uma interação com o público sobre segurança das mulheres no cotidiano, convidando participantes a refletirem sobre as condições de proteção e liberdade nos espaços públicos e privados. A organização promoverá uma interação com o público com perguntas sobre segurança das mulheres no cotidiano. As mulheres serão convidadas a responder de que formas se sentem em segurança e os homens serão estimulados a refletir se as mulheres com quem convivem se sentem seguras e por quê.