Resumo objetivo:
A Jornada de Lutas das Mulheres Sem Terra na Paraíba, iniciada em 7 de março, realiza uma feira com produtos agroecológicos e artesanato para dar visibilidade à produção das camponesas. O evento, que integra uma mobilização nacional, combina a celebração desse protagonismo com a denúncia das violências enfrentadas pelas mulheres no campo, especialmente o feminicídio. A programação se estende até 12 de março, incluindo debates políticos e atividades culturais.
Principais tópicos abordados:
1. A realização da Feira das Mulheres Sem Terra como espaço de comercialização e visibilidade da produção agroecológica e artesanal.
2. A dupla finalidade da Jornada: celebrar o papel das mulheres na agricultura e denunciar a violência de gênero no campo.
3. O contexto da mobilização, vinculada ao Dia Internacional das Mulheres e a uma jornada nacional do MST.
4. Dados sobre a violência contra a mulher no Brasil, com destaque para o aumento dos feminicídios e o recorte racial.
A Jornada de Lutas das Mulheres Sem Terra mobiliza mulheres camponesas, militantes e organizações sociais na Paraíba a partir desta sexta-feira (7), em João Pessoa. A programação inclui a realização da Feira das Mulheres Sem Terra no Armazém do Campo, reunindo alimentos agroecológicos e artesanato produzidos por agricultoras de assentamentos e acampamentos da reforma agrária no estado, além de atividades culturais e debates políticos sobre a realidade das mulheres no campo.
Segundo informações divulgadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a mobilização integra a Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra, que neste ano tem como tema ‘Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar’. A atividade ocorre no contexto das mobilizações do Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março, e busca denunciar diferentes formas de violência enfrentadas por mulheres do campo, ao mesmo tempo em que destaca o papel das camponesas na produção de alimentos e na organização coletiva.
A feira reunirá alimentos agroecológicos e artesanato produzidos por mulheres de diversas regiões da Paraíba. O espaço também irá contar com apresentações culturais e momentos de debate político.
Jornada nacional e mobilização no estado
A programação na Paraíba marca a abertura de uma agenda de mobilizações que se estende até o dia 12 de março. A iniciativa integra um calendário nacional de atividades das mulheres camponesas.
Zilma Barbosa, uma das coordenadoras estaduais do MST na Paraíba, afirmou que a proposta da jornada é combinar a visibilidade da produção agrícola das mulheres com a denúncia das violências vividas nos territórios rurais.
“A gente vai começar essa jornada com a Feira da Reforma Agrária, trazendo mulheres agricultoras de várias regiões da Paraíba. Elas vão expor e comercializar seus produtos, mas também vamos dialogar com a sociedade sobre a violência contra a mulher e sobre a importância da organização coletiva”, afirmou.
Ela acrescenta que a jornada acontece entre os dias 7 e 12 de março e marca o início das mobilizações do mês, além de preparar as ações do Abril Vermelho. “Além de celebrar a produção das agricultoras, a gente também reforça que a luta contra a violência precisa ser permanente, tanto no campo quanto na cidade”, disse.
Mulheres de diferentes regiões do estado foram convidadas a participar da feira, levando produtos cultivados em áreas de reforma agrária, destaca Barbosa.
Mulheres camponesas na produção de alimentos
Organismos internacionais enfatizam o papel central das mulheres na produção de alimentos. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura apontam que as mulheres representam cerca de 43% da força de trabalho agrícola em países em desenvolvimento.
No Brasil, movimentos sociais do campo destacam que as mulheres camponesas têm assumido protagonismo na produção agroecológica, especialmente em assentamentos da reforma agrária. Segundo levantamento do MST, mulheres participam diretamente da produção de alimentos, da organização de cooperativas e de iniciativas de comercialização solidária.
Violência contra a mulher no Brasil
A denúncia da violência contra a mulher é um dos eixos centrais da jornada. Dados nacionais indicam que a violência de gênero permanece como um problema estrutural no país. Em 2025, foram registradas 1.568 vítimas de feminicídio, o que representa um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, mantendo a média de aproximadamente quatro mulheres assassinadas por dia no país.
O levantamento também aponta um recorte racial significativo: 62,6% das vítimas são mulheres negras, evidenciando a desigualdade estrutural que atravessa a violência de gênero no Brasil.
As informações são baseadas em dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública a partir de registros das secretarias estaduais de segurança pública e das polícias civis e militares.
O mesmo relatório aponta que milhões de mulheres relatam ter sofrido algum tipo de violência física, psicológica ou sexual ao longo da vida.
Na Paraíba, os dados também apontam crescimento da violência letal contra mulheres. Informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública indicam que o estado registrou 26 feminicídios em 2024 e 32 casos em 2025, um aumento de aproximadamente 23%. O número representa o maior patamar da última década no estado, segundo dados das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher. As informações estão disponíveis em levantamentos do Ministério da Justiça e em reportagens do portal A União e de veículos locais.
Organizações de mulheres do campo afirmam que a violência também atinge trabalhadoras rurais, embora muitas ocorrências não sejam formalmente registradas. Pesquisadoras do campo dos estudos rurais apontam que fatores como isolamento geográfico, dependência econômica e acesso limitado a serviços públicos podem dificultar a denúncia.
Reforma agrária e organização coletiva
Para as organizadoras da jornada, a mobilização também busca fortalecer o debate sobre reforma agrária popular. O conceito defendido pelo Movimento envolve a democratização do acesso à terra, a produção de alimentos saudáveis e a organização coletiva nos territórios.
As atividades da jornada na Paraíba devem reunir agricultoras de diferentes regiões do estado, além de militantes e apoiadores urbanos, reafirmando a continuidade da luta por terra, direitos e por uma vida sem violência para as mulheres do campo.