Resumo objetivo:
O exército israelense ordenou a evacuação em massa dos subúrbios sul de Beirute, ameaçando devastação similar à de Gaza, enquanto intensifica bombardeios contra alvos do Hezbollah no Líbano. Paralelamente, o Irã conduz ataques retaliatórios na região, incluindo contra bases americanas e aliados, elevando tensões que já causaram centenas de mortes e levaram a OTAN a reforçar sua postura defensiva.
Principais tópicos abordados:
1. Escalada militar no Líbano: Evacuação forçada em Beirute e bombardeios israelenses contra o Hezbollah.
2. Confronto regional Irã-Israel-EUA: Ataques iranianos retaliatórios e ameaças a navios e bases americanas.
3. Vítimas e ampliação do conflito: Números de mortos no Líbano e ataques em países como Catar, Bahrein e Emirados Árabes.
4. Reações internacionais: Posição da OTAN, declarações do Golfo e UE, e a negação iraniana de buscar um cessar-fogo.
O exército israelense ordenou a evacuação de toda a população dos subúrbios do sul da capital do Líbano, Beirute, enquanto continuava a bombardear o país e o Irã, nesta quinta-feira (5), sexto dia de guerra no Oriente Médio. Teerã segue lançando ataques retaliatórios contra Israel e bases estadunidenses em toda a região.
A agência oficial de notícias iraniana Irna afirmou que o número de mortos desde o início dos ataques de EUA e Israel, no sábado, supera 1.230 pessoas. O número de vítimas nos ataques israelenses ao Líbano, desde que o país se viu envolvido na guerra regional na segunda-feira, chega a 102 mortos e 638 feridos, anunciou o Ministério da Saúde libanês, nesta quinta-feira.
O ministro das Finanças de Israel, o político de extrema direita Bezalel Smotrich, advertiu os moradores dos subúrbios do sul de Beirute, reduto do Hezbollah, que o distrito enfrentará uma devastação semelhante à de Gaza.
Um porta-voz das Forças de Defesa de Israel disse a todos os moradores dos subúrbios do sul de Beirute – mais de 500 mil pessoas – para “salvarem suas vidas e evacuarem suas casas imediatamente”, antes que Israel lançasse ataques aéreos contra o que ele descreveu como alvos do Hezbollah. A área abrangida pela ordem incluía diversos hospitais e ministérios do governo.
Retaliações do Irã
O Catar é alvo de um “ataque com mísseis”, anunciou o Ministério da Defesa pouco após fortes explosões na capital, Doha. Jornalistas da AFP também ouviram explosões na capital do Bahrein, Manama. Na capital da Arábia Saudita, Riade, alguns diplomatas ocidentais receberam ordem para buscar refúgio, informaram fontes oficiais à AFP.
Em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, seis trabalhadores estrangeiros ficaram feridos em uma área industrial devido à queda dos destroços de um drone interceptado, informaram as autoridades locais.
A televisão estatal do Irã informou que drones da Guarda Revolucionária iraniana atingiram o porta-aviões dos EUA “USS Abraham Lincoln”, destacado no Golfo desde o final de janeiro. Esse braço ideológico do exército já havia reivindicado esta semana ter atingido o porta-aviões com quatro mísseis balísticos, uma afirmação desmentida pelo Pentágono.
Ataques a um membro da Otan
Contrariando relatos divulgados na mídia estadunidense, o Irã desmente estar pedindo um cessar-fogo.
“Não estamos pedindo um cessar-fogo. Não vemos nenhuma razão pela qual devamos negociar com os Estados Unidos”, declarou à NBC News o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi.
Quanto ao estratégico estreito de Ormuz, “não temos intenção de fechá-lo por enquanto, mas, à medida que a guerra continue, consideraremos todas as possibilidades”, acrescentou. Os países do CCG (Conselho de Cooperação do Golfo) e da União Europeia (UE) exigiram, nesta quinta-feira, em uma declaração conjunta, que o Irã ponha fim a seus “ataques injustificados” no Oriente Médio, que ameaçam a “segurança mundial”.
Duas pessoas ficaram feridas nesta quinta-feira no exclave azeri de Nakhichevan, em um ataque de drones contra um aeroporto e as imediações de uma escola, segundo as autoridades locais.
O Exército iraniano negou ter lançado drones contra o Azerbaijão e acusou Israel de executar ações para “perturbar as relações entre países muçulmanos”.
A Turquia, país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) havia interceptado, na quarta-feira (4), um míssil iraniano e declarado se ver no direito de retaliar ataques. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta quinta-feira (5) que a guerra no Oriente Médio levou as tensões na região a um “nível assustador”, que poderia se ampliar ainda mais.
A Otan anunciou nesta quinta-feira que reforçou a “postura de defesa contra mísseis balísticos” da aliança, que permanecerá em “nível elevado” até que diminua a ameaça de represálias iranianas pelos ataques israelenses e americanos.
Interferências
Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que deve participar da escolha do próximo líder supremo do Irã, para substituir o aiatolá Ali Khamenei, morto em um ataque aéreo conjunto entre EUA e Israel, no primeiro dia da guerra.
Para Trump, a possível escolha do segundo filho de Khamenei, Mojtaba Khamenei, é uma decisão “inaceitável”.
Também nesta quinta-feira, o Sri Lanka evacuou 208 tripulantes de um navio da marinha do Irã, perto de sua costa, informou o presidente Anura Kumara Dissanayake, um dia depois que um submarino dos EUA afundou uma fragata iraniana, causando a morte de dezenas de marinheiros.
A marinha do Sri Lanka levará o navio ao porto nordeste de Trincomalee, para protegê-lo de possíveis ataques. Dissanayake assegurou que seu país não está “tomando partido neste conflito”.