A Europa se prepara para um possível aumento da imigração do Oriente Médio devido ao agravamento dos conflitos na região, buscando evitar uma nova crise de refugiados. Autoridades, como a diretora-geral da OIM, alertam que a prolongada instabilidade pode forçar deslocamentos em massa, com o Líbano sendo uma grande preocupação. Os países da UE, aprendendo com crises passadas, discutem abordagens proativas e o fortalecimento de infraestrutura para lidar com chegadas potenciais, enquanto alguns já monitoram fluxos migratórios iniciais.
Principais tópicos abordados:
1. Risco de aumento da imigração para a Europa devido aos conflitos no Oriente Médio.
2. Preparação e medidas preventivas dos países europeus baseadas em lições anteriores.
3. Situação específica de deslocamentos internos e preocupação com países como Líbano e Irã.
4. Necessidade de manter fronteiras abertas para refugiados e promover a solidariedade internacional.
A Europa está se preparando para um possÃvel aumento da imigração do Oriente Médio devido ao agravamento do conflito na região, enquanto os paÃses tentam evitar outra onda de refugiados no continente, de acordo com a principal autoridade da ONU em matéria de migração.
Amy Pope, diretora-geral da Organização Internacional para as Migrações, disse ao Financial Times que o conflito no Oriente Médio pode levar a uma maior migração se continuar.
"Estamos em uma região onde já há muita instabilidade. Acrescente a isso a guerra que está acontecendo e a probabilidade ou possibilidade de que o conflito se prolongue, e começaremos a ver pessoas se deslocando", disse ela.
A Europa experimentou um aumento acentuado na imigração em 2015 e 2016, quando a Turquia permitiu que mais de 1 milhão de refugiados da SÃria e do Afeganistão cruzassem suas fronteiras para entrar nos paÃses da União Europeia. O bloco também acolheu mais de 4 milhões de refugiados ucranianos que fugiram do paÃs após a invasão em grande escala da Rússia em 2022.
Em contrapartida, Pope disse que os governos da UE estão agora empenhados em "adotar uma abordagem muito mais abrangente desde o inÃcio, em vez de esperar que o conflito se agrave", especialmente devido ao sentimento anti-imigrante presente em muitos paÃses.
Autoridades de paÃses europeus, especialmente de Chipre, devido à sua proximidade com o LÃbano, já estão discutindo como lidar com um possÃvel aumento no número de chegadas da região. Chipre também é o único paÃs da UE até agora a ter sido atingido por drones iranianos, que tinham como alvo uma base britânica em seu território.
O vice-ministro da Migração de Chipre, Nicholas Ioannides, disse nesta quinta (5) que, embora haja "fluxos provenientes da região" no momento, "devemos estar prontos para lidar com qualquer desenvolvimento". A UE "melhorou nossa infraestrutura, nossos procedimentos e nossa legislação... para lidar com esse tipo de crise", acrescentou.
Pope disse que, após a crise sÃria, os paÃses europeus estavam considerando "quais são as lições aprendidas, como lidar com recursos limitados, como lidar com a incerteza".
Um modelo potencial poderia ser o acordo assinado entre a UE e a Turquia em 2016, disse Pope, que forneceu apoio financeiro a Ancara em troca do acolhimento de refugiados sÃrios. "Apoiar os paÃses para que possam acolher comunidades deslocadas é uma forma de partilhar o fardo e proporcionar um sentimento de solidariedade", acrescentou.
De acordo com testemunhas locais, algumas centenas de iranianos teriam atravessado a fronteira para a Turquia nos últimos dias.
Pope disse que ainda é muito cedo para estimar quantos fugirão da região. "No momento, as pessoas estão se deslocando principalmente dentro de seus paÃses âdentro do Irã, dentro do LÃbano, que é provavelmente o lugar que mais nos preocupa", disse ela, apontando para a grande população de refugiados sÃrios no LÃbano.
A OIM disse que cerca de 83 mil pessoas foram deslocadas no LÃbano enquanto buscavam segurança nos últimos dias, além das 60 mil que ainda estão deslocadas desde o verão passado, quando ataques israelenses tiveram como alvo a liderança do Hezbollah. Israel lançou novos ataques ao LÃbano depois que o grupo apoiado pelo Irã disparou foguetes contra Israel no domingo.
Migrantes de outros paÃses, como o Afeganistão, estão começando a voltar para casa, disse Pope, apesar das condições "frágeis" no local. "Esperamos ver mais disso. Esperamos ver mais pessoas indo para o Iraque... as áreas vizinhas."
Pope disse que é importante permitir que os refugiados fujam. "Uma das preocupações é que, neste momento, algumas das fronteiras estão sendo fechadas para os iranianos que estão fugindo do conflito", disse ela, acrescentando que há "risco para a vida humana" se as pessoas não puderem buscar segurança "em meio a tanta instabilidade e violência".
Ela também apontou para os trabalhadores estrangeiros "muitas vezes esquecidos" que compõem grande parte da população em muitos paÃses do Golfo Pérsico e que, segundo ela, "muitas vezes não recebem o mesmo nÃvel de apoio, atenção e informação que os cidadãos do próprio paÃs".