Resumo objetivo:
Os Estados Unidos e Israel atingiram duas escolas na cidade iraniana de Parand, causando danos estruturais, mas sem vítimas por estarem fechadas. O ataque ocorre dias após outro em uma escola no sul do Irã, que matou 165 pessoas, sendo considerado o mais letal contra civis desde o início da ofensiva. Autoridades americanas e israelenses negaram conhecimento ou envolvimento direto, enquanto especialistas apontam possíveis violações ao direito internacional humanitário.
Principais tópicos abordados:
1. O ataque a instituições escolares no Irã e seus danos materiais.
2. O contexto de ataques anteriores, incluindo um com alta letalidade contra civis.
3. As reações e negações oficiais dos EUA e de Israel.
4. A discussão sobre possíveis crimes de guerra e violações ao direito internacional.
Os Estados Unidos e a Israel atingiram duas instituições escolares na cidade iraniana de Parand, a sudoeste de Teerã, nesta quinta-feira (5), segundo a agência iraniana Fars. A escola secundária Shahid Bahonar e a primária Arian Pouya, localizadas uma em frente à outra, estavam fechadas e não há registro de vítimas.
As instituições tiveram suas janelas estilhaçadas, paredes derrubadas e estruturas fortemente danificadas. O episódio ocorre apenas seis dias após o ataque à escola feminina Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul do país, que levou à morte de 165 pessoas, entre crianças e meninas de 7 a 12 anos.
O ataque foi considerado até agora o mais mortal envolvendo civis desde o início da ofensiva de Washington e Tel Aviv contra Teerã, no último sábado (28). Segundo a Convenção de Genebra de 1949 e o Direito Internacional Humanitário, agressões a escolas e áreas residenciais em conflitos armados são proibidas e consideradas grave violação dos direitos humanos, podendo configurar crime de guerra.
Agência iraniana Fars também informa que os ataques danificaram residências próximas às instituições escolares. Dados divulgados pela Sociedade do Crescente Vermelho revelam que 3.643 locais civis já foram atingidos desde o início do conclave, incluindo 3.090 residências, 528 centros comerciais, 13 instalações médicas e nove unidades da entidade.
‘Não sabia’
Frente às repercussões do ataque em Minab, Washington declarou que não sabia que a escola havia sido atingida; enquanto fontes israelenses alegaram que o local era “parte de uma base da Guarda Revolucionária Islâmica”.
Ao NYT, Janina Dill, especialista em leis da guerra da Universidade de Oxford, explicou que durante uma guerra, os atacantes são obrigados a “verificar o status” dos alvos que serão atingidos, acrescentando que a falta de cumprimento desse protocolo pode configurar violação ao direito internacional.
Questionada sobre o episódio, a secretária de imprensa Karoline Leavitt declarou: “que saibamos, não”, acrescentando que “o Departamento de Guerra está investigando o caso.” A informação foi confirmada pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth.
O porta-voz militar israelense Nadav Shoshani também se pronunciou ao ser questionado sobre o ataque, afirmando que não havia registro de operações israelenses na área no momento do ataque à instituição escolar.
Em entrevista à TeleSur, o analista sênior do International Crisis Group, Amjad Iraqi, avaliou que “estamos vendo no Irã uma continuação e extensão do que Israel tem tentado fazer nos últimos dois anos e meio [em Gaza]”.