Resumo objetivo: O IBGE divulgou que o PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025, marcando o quinto ano consecutivo de expansão, porém em ritmo menor que em 2024. O crescimento foi puxado principalmente pelo agronegócio (mais de 11%), enquanto o consumo das famílias teve alta modesta de apenas 1,3%.
Principais tópicos abordados:
1. Desempenho macroeconômico: Crescimento do PIB em 2025, sua desaceleração em relação a 2024 e a composição do crescimento (agronegócio x consumo familiar).
2. Análise crítica da estrutura econômica: Alertas sobre desindustrialização, excesso de dependência de commodities (agronegócio e minério) e os efeitos negativos dos juros altos e da especulação financeira para o desenvolvimento.
3. Impactos externos e política interna: Como a guerra no Oriente Médio afeta os preços internacionais do petróleo e a crítica à Política de Paridade de Importação (PPI), que impede o Brasil de se blindar dessas oscilações especulativas.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (3) os dados do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025. A economia brasileira cresceu 2,3%, puxada principalmente pelo agronegócio, que teve expansão de mais de 11% no ano. É o quinto ano consecutivo de crescimento, mas o ritmo é inferior ao de 2024, e o consumo das famílias teve um crescimento de apenas 1,3%.
Paulo Kliass traz destaque ao Conexão BdF da Rádio Brasil de Fato sobre o crescimento do consumo das famílias, o famoso “quanto as pessoas têm para gastar?”. Apesar de ter tido um aumento de apenas 1,3%, abaixo do ritmo do crescimento do PIB e abaixo do que foi no ano passado (5,1%), “ainda é um crescimento”. Ele lembra a lição da economista Maria da Conceição Tavares. “O povo não come PIB, come alimentos. Os economistas têm que ter muito cuidado em analisar e destrinchar os números da política econômica.”
“O IBGE consolida as informações de todo o ano de 2025. O resultado concreto é que o PIB cresceu 2,3% em relação ao período anterior. Comparado com 2024, cresceu menos. A gente não está numa recessão, mas quando você está numa trajetória de elevação e reduz o ritmo de crescimento, isso é sentido pelas pessoas como uma espécie de freio de arrumação”, explica o economista.
O economista aponta que o resultado está alinhado com a meta informal do Ministério da Fazenda. “Eles tinham um objetivo de que o Brasil não pode crescer mais do que 2,5%, senão criaria problemas de inflação. Eu acho uma grande bobagem, mas eles conseguiram ficar dentro dessa meta. O chamado PIB potencial era 2,5%, e crescemos 2,3%.”
Kliass destaca que o dado que também impacta o PIB é o crescimento do consumo das famílias, o famoso ‘quanto que as pessoas têm para gasta?’. Apesar de ter tido um aumento singelo, que foi de apenas 1,3%, abaixo do que foi no ano passado (5,1%), “ainda é um crescimento”. Ele lembra a lição da economista Maria da Conceição Tavares. “O povo não come PIB, come alimentos. Os economistas têm que ter muito cuidado em analisar e destrinchar os números da política econômica.”
Sobre a relação entre os juros reais mais altos do mundo e o desempenho da economia, ele é direto: “Os juros contribuem para que o país perca posição relativa. O fundamental para a pujança econômica é a produção industrial, a produção de bens materiais que contribuem efetivamente para o crescimento da sociedade. Simplesmente ter atividade especulativa, operar na dimensão financeira, não contribui. Pode contribuir no presente, mas não vai deixar raiz nenhuma.”
O economista alerta para o processo de desindustrialização, sendo que a maior dificuldade do país é a perda relativa de produção de valor agregado. “A gente continua com a economia montada em setores como um grande fazendão: agronegócio, soja, minério de ferro, petróleo. Isso pode até contribuir para o PIB no presente, mas deixa muito pouco resultado concreto para a economia real nos anos seguintes.”
O impacto da guerra no Oriente Médio
A produção de petróleo é historicamente concentrada na região do Golfo Pérsico. A Opec, junto com as grandes petroleiras e o sistema financeiro internacional, manipula a cotação do petróleo, especialmente no mercado futuro, que é puramente especulativo.
“O Irã sempre ameaçou fechar o estreito, e os Estados Unidos sabiam desse risco. Agora, o Irã disse: ‘Aqui ninguém mais passa’. Automaticamente, a produção caiu. O gás, por exemplo, subiu 50% de sexta para segunda”, explica.
Sobre os impactos para o Brasil, Kliass é categórico. “Se o governo quiser, a gente consegue não mais depender da importação. Mas tem um problema: a Política de Paridade de Preços de Importação (PPI), uma herança do governo Temer que Lula não mudou.”
“A PPI obriga a Petrobras a aumentar internamente os custos do petróleo e dos derivados a cada aumento especulativo no mercado internacional. Não tem sentido, não precisa. O Brasil pode ficar soberano e independente dessas especulações, seja por movimento de guerra, seja por outro tipo de intervenção. Infelizmente, a gente não conseguiu resolver esse pequeno gargalo”, conclui.
Para ouvir e assistir
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