Resumo objetivo:
A Petrobras registrou um lucro líquido recorde de R$ 110,1 bilhões em 2025, um aumento de 200,8% impulsionado pela maior produção, vendas e eficiência operacional. Apesar da disparada internacional do preço do petróleo, a empresa mantém seus preços internos congelados, com o diesel, por exemplo, cerca de 30% abaixo da paridade internacional. Enquanto isso, distribuidoras privadas já começaram a repassar aumentos de custos aos postos, que alertam para a pressão sobre os preços ao consumidor.
Principais tópicos abordados:
1. Resultados financeiros excepcionais da Petrobras (lucro recorde e seus motivos).
2. Política de preços da Petrobras (congelamento interno versus alta internacional).
3. Dinâmica do mercado de combustíveis (repasse de altas por distribuidoras privadas e pressão na cadeia).
4. Defesa da estratégia da empresa pela sua presidente, com um alerta aos investidores.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta sexta-feira (6) que o aumento do lucro da companhia de 200% mostra os esforços para aumentar a produção eas vendas e dá um sinal claro para que os investidores continuem confiando na empresa.
A Petrobras divulgou na quinta-feira (5) que obteve lucro lÃquido de R$ 110,1 bilhões em 2025, alta de 200,8% no comparativo anual, sustentado por aumentos de produção, vendas e exportações e maior eficiência operacional, e a despeito de uma queda dos preços do petróleo ante 2024, para uma média de US$ 70 por barril, de acordo com o balanço.
"Quem apostar contra a Petrobras vai perder", comentou Chambriard em entrevista à Reuters, ao comentar o resultado da companhia.
A CEO afirmou que a Petrobras continua observando o comportamento do mercado de petróleo, que vive uma disparada de preços desde o inÃcio do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã, antes de qualquer decisão sobre eventual repasse de preços.
"Agora é olhar para a frente e ver o que a Petrobras pode entregar a seus acionistas e ao paÃs no novo cenário de Brent que o contexto mundial está desenhando", avaliou.
Algumas distribuidoras de combustÃveis já estariam se antecipando e repassando aos postos uma alta de preços pelo impacto da disparada do petróleo no mercado internacional, informou a FecombustÃveis na quinta-feira (5).
A entidade, que reúne sindicatos patronais que representam cerca de 45 mil postos de combustÃveis no paÃs, informou ter recebido relatos de que distribuidoras estão elevando os preços, já que parte do fornecimento é importada e parte feita por refinarias privadas. "Por isso, os preços nacionais são afetados pelos preços praticados no mercado externo", afirmou a entidade.
"Os postos revendedores, por sua vez, representam apenas o último e mais frágil elo da cadeia de comercialização e estão sujeitos ao aumento do custo para a compra dos combustÃveis junto à s distribuidoras, com possÃveis reflexos nos preços ao consumidor", afirmou.
O reajuste relatado ocorre apesar de a Petrobras, que responde por cerca de 70% do abastecimento no Brasil, não ter alterado seus preços.
O preço do diesel vendido pela Petrobras a distribuidoras está cerca de 30% abaixo da referência internacional, configurando a maior defasagem desde 2022, apontou um relatório do Goldman Sachs enviado a clientes na quinta-feira.
O presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de CombustÃveis), Sérgio Araujo, afirmou à Reuters nesta quinta-feira que entende a decisão da Petrobras de esperar uma acomodação do mercado antes da realização de reajustes, mas pontuou que já está na hora de elevar os preços internos, citando riscos de a conjuntura desestimular compras pelos importadores, que abastecem parte do mercado.
Procurada, a distribuidora Ipiranga âuma das três maiores do paÃs, juntamente com Vibra e RaÃzenâ afirmou que a empresa acompanha continuamente as condições de mercado e pode realizar ajustes comerciais, sempre em conformidade com a legislação vigente e alinhada à s práticas do setor.
A empresa disse ainda que "o preço final nos postos é definido pelos revendedores, uma vez que o mercado brasileiro opera sob o princÃpio da livre concorrência, conforme estabelece a legislação".
As outras duas principais distribuidoras não se manifestaram, enquanto o IBP, que representa todas elas, afirmou que a formação de preços dos combustÃveis na cadeia de distribuição nacional é livre, seguindo a dinâmica de oferta e demanda.
Já a FecombustÃveis ressaltou a importância de "esclarecer os fatos", para que os postos revendedores não sejam "injustamente responsabilizados" pela opinião pública em razão do aumento dos custos de operação causados por majorações de preço ocorridas em etapas anteriores da cadeia.