Resumo objetivo:
O dólar teve alta acentuada e as bolsas globais caíram devido à aversão ao risco provocada pelo conflito entre EUA, Israel e Irã. A disparada do petróleo, impulsionada pela tensão no Estreito de Hormuz, gerou receios de um choque inflacionário mundial. Apesar da volatilidade, algumas instituições financeiras avaliam que os fundamentos econômicos globais permanecem sólidos, podendo limitar um ciclo prolongado de quedas.
Principais tópicos abordados:
1. Valorização do dólar como ativo seguro em meio à guerra no Oriente Médio.
2. Queda generalizada nas bolsas de valores globais (aversão ao risco).
3. Impacto do conflito no preço do petróleo e riscos inflacionários decorrentes.
4. Importância estratégica do Estreito de Hormuz para o mercado de energia.
5. Movimentos específicos no mercado brasileiro (câmbio, bolsa e ações do setor de energia).
O dólar abriu em alta acentuada nesta sexta-feira (6) com a busca por ativos mais seguros devido à guerra no Oriente Médio, que completa sete dias.
Ãs 9h07, a moeda norte-americana subia 0,53%, cotada a R$ 5,3161. Na quinta, o dólar disparou 1,33%, a R$ 5,287, e a Bolsa tombou 2,64%, a 180.463 pontos.
Investidores voltaram a buscar segurança em meio à guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. A moeda norte-americana se valorizou globalmente, tanto em relação aos pares do real, como rand sul-africano e peso chileno, quanto ante o euro, o iene e outras divisas de peso semelhante. O Ãndice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,3%.
A aversão ao risco também contaminou praças acionárias, com bolsas ao redor do mundo enfrentando pregões de fortes perdas.
Principal catalisadora para as movimentações globais, a disparada do petróleo representa um risco de repique inflacionário. "O receio da transmissão de um 'choque geopolÃtico' para um 'macroeconômico', com maiores implicações na inflação e crescimento mundial, vem sendo incorporado nas expectativas de mercado, refletindo diretamente no comportamento dos ativos de risco", diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
O Irã responde por 3% da produção global da commodity, mas detém ainda mais influência sobre o mercado de energia por causa de sua posição estratégica às margens do estreito de Hormuz, via por onde passam 20% de todo petróleo e gás do mundo.
Trump afirmou que poderia enviar a Marinha para escoltar petroleiros pelo estreito. A retórica, porém, foi contestada pela Guarda Revolucionária do Irã, que disse que o paÃs controla a passagem pelo canal. "Atualmente, o estreito de Hormuz está sob controle total da Marinha da República Islâmica", disse na quarta.
O conflito, que tem ganhado cada vez mais contornos de guerra regional, respinga em outros grandes participantes do mercado de energia. Duas refinarias de petróleo na China e na Ãndia chegaram a fechar suas unidades de petróleo bruto após a interrupção no abastecimento, já que ambos os paÃses dependem de importações do Oriente Médio.
O Qatar ainda suspendeu a produção de gás natural liquefeito, levando ao fechamento preventivo de instalações de petróleo e gás em todo o Oriente Médio. A produção do paÃs representa cerca de 20% da oferta global.
As movimentações do mercado de energia valorizaram empresas ligadas ao setor na Bolsa. Braskem, Prio, Petroreconcavo e Brava fecharam com ganhos de 15%, 3%, 2% e 0,6%, respectivamente. Petrobras avançou 0,34%, somando mais de 3% de valorização no acumulado de março.
O tombo do Ibovespa não foi isolado. Na Europa, o Euro Stoxx 50, o alemão DAX e o francês CAC caÃram 1,5% cada. Em Wall Street, o Dow Jones perdeu 1,6%; o S&P 500 e o Nasdaq Composite, 0,8% e 0,2%, respectivamente.
Na Ãsia, por outro lado, os Ãndices acionários se recuperaram dos tombos dos dias anteriores, com a Bolsa de Seul registrando ganhos de 9%. O japonês Nikkei subiu quase 2%.
"Apesar desse ambiente mais sensÃvel, grandes instituições financeiras, como o Goldman Sachs, avaliam que o cenário atual pode gerar correções pontuais nas bolsas, mas não necessariamente um ciclo prolongado de queda, já que os fundamentos econômicos globais seguem relativamente sólidos", diz Paulo Silva, co-fundador da consultoria Advisory 360.
A valorização do dólar, nesse sentido, reflete um movimento de procura por liquidez e segurança, mesmo que os Estados Unidos estejam diretamente envolvidos no confronto.
Apesar disso, o Ãndice DXY registra queda de mais de 5% no acumulado dos últimos 12 meses. A tendência de desvalorização não mudou, segundo analistas, mas a expectativa é que as perdas da moeda aconteçam de forma não linear.
"O dólar sempre tende a ser um porto seguro em momentos de estresse porque é a moeda de liquidez global e de reserva dominante. Se o conflito ficar mais contido, pode ser uma alta de curto prazo. Se for mais persistente, o dólar fica mais firme por mais tempo", diz Adriana Ricci, fundadora, gestora e head de operações da SHS Investimentos.
"Não importa se a moeda está bonita ou feia. Quando o mundo qu er liquidez, o dólar costuma ser o primeiro destino."