Resumo objetivo:
A China, apesar de declarar que não intervirá diretamente no conflito, avalia retomar a venda regular de armas ao Irã e já fornece suporte estratégico através do seu sistema de navegação por satélite BeiDou. O analista citado afirma que a China buscará proteger seus interesses na região, como rotas comerciais terrestres e o fluxo de petróleo, apoiando o Irã. O governo chinês condenou veementemente os ataques dos EUA e de Israel, classificando-os como violação grave da soberania iraniana.
Principais tópicos abordados:
1. Possível retomada das vendas de armas chinesas ao Irã.
2. Suporte tecnológico-militar através do sistema de navegação por satélite BeiDou.
3. Interesses estratégicos da China na região (corredores comerciais e energia).
4. Posicionamento diplomático da China, condenando os ataques e apoiando a soberania do Irã.
Apesar de indicar que não se envolverá diretamente no conflito no Oriente Médio iniciado após os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, Pequim poderia retomar a venda regular de armas à Teerã, entre outras medidas para ajudar o país persa durante a crise. As declarações foram feitas pelo economista e analista chinês Li Bo.
“A China forneceu armas ao Irã por muito tempo, cessando há cerca de dez anos. Isso pode ser retomado. Na verdade , o presidente iraniano solicitou a aquisição de caças da última geração”, disse ao Brasil de Fato o diretor do portal Guancha, um dos mais importantes do país.
A China se estabeleceu como um dos principais fornecedores de armamentos ao Irã durante a década de 1980 quando o país esteve em guerra com o Iraque (1980-88) e assim seguiu até este século. Após pressão internacional contra o Irã, o fluxo foi reduzido até cessar por volta de 2015.
Li ressalta também que “o Irã pode usar o sistema de navegação por satélite chinês BeiDou para direcionar ataques de mísseis com muita precisão”.
No início de 2026, o Irã concluiu oficialmente a transição de sua infraestrutura militar e crítica do sistema GPS, controlado pelos EUA, para o Sistema de Navegação por Satélite BeiDou (BDS) da China. Essa mudança estratégica visa garantir orientação criptografada de alta precisão para mísseis, drones e ativos navais, resistindo a interferências e aprimorando a “soberania digital” em meio a conflitos regionais.
“Portanto, a China não intervirá diretamente no processo do conflito, mas encontrará uma maneira de proteger seus interesses e apoiar as ações justificadas que o povo iraniano tomar”, afirma Li, que também atua como pesquisador do Instituto Tricontinental.
Ele ressalta que poderá haver implicações estratégicas para a China caso o conflito cresça. O pesquisador também não descarta que um dos objetivos do conflito seja prejudicar seu país, “como vem sendo afirmado por think tanks dos EUA”.
“Há vários motivos, como interromper o fluxo de petróleo, embora esse fluxo seja muito mais importante para o Irã do que para a China, mas outros motivos também como interromper a rota terrestre de mercadorias chinesas para a Europa, que passa pelo Irã e Turquia”, explica.
“Este é um corredor muito importante para as mercadorias chinesas evitarem as rotas marítimas. Há um plano para sabotar esse corredor.”
“A reação do governo chinês tem sido muito firme, condenando veementemente as ações de Israel e dos Estados Unidos. A China também está apoiando o povo iraniano na defesa de sua soberania”, diz ele.
Nesta semana, a China condenou energicamente os ataques coordenados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei, no cargo desde 1989, além de altos comandantes militares do país. Pequim classifica a morte de Khamenei e de altas patentes militares como uma violação grave da soberania nacional e das normas internacionais.
O governo chinês reafirmou seu apoio à integridade territorial do Irã e expressou profunda preocupação com o alto número de vítimas civis, incluindo crianças. A China, em conjunto com a Rússia, exige a interrupção imediata das agressões para evitar um colapso da estabilidade regional e a interrupção de rotas comerciais estratégicas.