Resumo dos pontos principais:
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que a distribuição das cotas de exportação de carne bovina para a China entre os frigoríficos brasileiros será uma decisão do setor privado, sem intervenção direta do governo federal. Paralelamente, o governo avançou nas negociações para abrir o mercado sul-coreano, que agora realizará auditorias sanitárias nas plantas brasileiras, um passo crucial para concretizar o acordo.
Principais tópicos abordados:
1. A definição privada da divisão das cotas de exportação de carne bovina para a China.
2. O contexto das medidas de salvaguarda chinesas e o risco de tarifas elevadas caso o limite seja excedido.
3. As negociações para abertura do mercado sul-coreano à carne bovina brasileira e a etapa de auditorias sanitárias.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que a divisão das cotas chinesas de carne bovina entre frigorÃficos será feita pelo setor privado, sem intervenção do governo federal.
"à algo privado e o governo só vai apoiar, desde que haja entendimento entre eles. O governo vai apoiar para que, democraticamente, todos cumpram uma cota e façam seus negócios com a China", disse à Folha.
A discussão sobre como será contabilizada a venda para o paÃs asiático teve inÃcio após Pequim determinar uma medida de salvaguarda que estabeleceu cotas máximas sobre a importação da commodity para diversos paÃses. Assim, aqueles que ultrapassarem o limite determinado estarão sujeitos à taxação.
O Brasil, principal fornecedor da China, terá tarifa de 55% caso exceda 1,1 milhão de toneladas em 2026. Em 2025, o total exportado para o mercado chinês foi de 1,65 milhão de toneladas na categoria "carne bovina fresca, refrigerada ou congelada", segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
"Nós temos algumas estratégias para garantir estabilidade de preços e oferta para o governo chinês, caso um paÃs que também tem cota não consiga cumpri-la. Então, é uma relação muito boa", afirmou.
O ministro foi questionado sobre a distribuição das cotas durante sua passagem por Seul, na Coreia do Sul, como parte da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma visita de Estado ao paÃs.
A abertura do mercado de carne bovina aos coreanos era uma das principais pautas da visita. Segundo Fávaro, a busca por este novo mercado não tem relação com a medida de salvaguarda chinesa.
"Não tem nada a ver uma coisa com outra. O Brasil e o governo do presidente Lula defendem o multilateralismo. Nós não temos preferência de comércio com A ou com B", afirmou.
A ida da comitiva de Lula à Coreia do Sul fez com que o governo avançasse nas negociações para a abertura do mercado no paÃs.
Seul informou que fará auditoria nas plantas frigorÃficas do paÃs para verificar se o Brasil atende aos requisitos sanitários e de qualidade necessários para finalizar a negociação. A expectativa do governo é positiva, uma vez que o Brasil é o principal exportador de proteÃna bovina no mundo e já atende mercados com altas exigências regulatórias, como o chinês.
Segundo o ministro, este é o passo mais importante para a abertura de um novo mercado. Não há, porém, garantia ou prazo para a conclusão da negociação.