Resumo objetivo: O mercado de trabalho dos EUA perdeu 92 mil vagas em fevereiro, elevando a taxa de desemprego para 4,4%. Este resultado negativo, pior que o esperado, foi influenciado por uma greve no setor de saúde e por condições climáticas adversas. Apesar da alta, o desemprego ainda é considerado baixo historicamente.
Principais tópicos abordados:
1. Mercado de trabalho: Queda líquida de empregos e aumento da taxa de desemprego em fevereiro, com análise dos fatores causais (greve, clima) e contexto (revisão dos dados de janeiro).
2. Política econômica: Menção ao impacto das tarifas de importação e da política de imigração do governo Trump na desaceleração do mercado.
3. Cenário macroeconômico e inflação: Guerra no Oriente Médio pressionando os preços da gasolina, o que, junto com um mercado de trabalho ainda firme, deve levar o Federal Reserve a manter as taxas de juros elevadas na próxima reunião.
A economia dos Estados Unidos terminou o mês de fevereiro com mais vagas de trabalho fechadas do que contratações e viu a taxa de desemprego subir para 4,4%, segundo dados divulgados pelo Escritório de EstatÃsticas do Trabalho nesta sexta-feira (6).
Houve no mês uma redução de 92 mil postos de trabalho, após criação de 126 mil vagas em janeiro. O resultado foi impactado pela greve dos trabalhadores do setor de saúde e por um inverno mais rigoroso. Economistas consultados pela Reuters previam abertura de 59 mil vagas no mês.
As estimativas variavam de uma perda de 9.000 a um aumento de 125 mil posições, mas o resultado foi pior do que o esperado. Além da greve de 31 mil trabalhadores do setor de saúde da Kaiser Permanente e do clima, o declÃnio no nÃvel de emprego no mês passado também tem a ver com o forte resultado de janeiro.
Economistas disseram que os ganhos de empregos em janeiro foram impulsionados por uma atualização do modelo que o escritório de estatÃsticas usa para estimar quantos empregos foram criados ou perdidos devido à abertura ou fechamento de empresas em um determinado mês. A greve na Califórnia e no Havaà já terminou.
O mercado de trabalho está se estabilizando depois de ter tropeçado em 2025 em meio ao que os economistas disseram ser a incerteza decorrente das tarifas do presidente do paÃs, Donald Trump, que ele adotou de acordo com uma lei destinada a ser usada em emergências nacionais.
Embora as tarifas de importação tenham sido derrubadas pela Suprema Corte dos EUA, Trump respondeu à decisão impondo uma tarifa global de 10% e, posteriormente, anunciou que ela aumentaria para 15%. No momento, a taxa de 10% é que está em vigor.
A repressão à imigração do governo Trump reduziu a oferta de mão de obra, contribuindo também para a desaceleração do mercado de trabalho.
A taxa de desemprego subiu em fevereiro ante os 4,3% em janeiro mas, apesar disso, ela ainda é baixa pelos padrões históricos e economistas dizem que só ficarão preocupados se ela ultrapassar 4,5%.
Com a guerra no Oriente Médio ameaçando alimentar a inflação, economistas acreditam que o Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) não terá pressa em retomar o corte da taxa de juros.
Os preços de varejo da gasolina subiram mais de US$ 0,20 por galão desde que os EUA e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã no último fim de semana, segundo dados do grupo de defesa dos motoristas AAA. Teerã retaliou, ampliando uma guerra que, segundo analistas, está se transformando em um conflito regional mais amplo.
O Fed realizará sua próxima reunião de polÃtica monetária em 17 e 18 de março e a expectativa é de manutenção da taxa de juros na faixa de 3,5% a 3,75%.