Resumo objetivo:
Mensagens da PF mostram o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tratando o empresário Nelson Tanure como "comandante" e revelando um presente de um relógio de luxo. A investigação aponta Tanure como suposto sócio oculto do banco, alvo de uma operação que bloqueou R$ 5,7 bilhões em bens por suspeita de fraudes. Tanure nega qualquer controle sobre o Banco Master, afirmando ter apenas relações comerciais legítimas.
Principais tópicos abordados:
1. As mensagens interceptadas pela PF e o relacionamento entre Vorcaro e Tanure.
2. A investigação que aponta Tanure como sócio oculto do Banco Master e a operação que bloqueou bilhões.
3. A defesa de Tanure, negando vínculos além de relações comerciais.
4. O histórico de Tanure como investidor em grandes empresas.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, chama o empresário Nelson Tanure de "comandante" em mensagens de WhatsApp interceptadas pela PolÃcia Federal.
O material, enviado pela PF ao Congresso e obtido pela Folha, traz relatos de encontros com ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), lÃderes do Senado e da Câmara dos Deputados, integrantes do governo federal e do setor produtivo.
Na correspondência, Tanure relata que foi presenteado por Vorcaro com um relógio da marca suÃça Jaeger-LeCoultre, vendido na internet por R$ 28 mil. O empresário também detalha planos de investimento da Oi, na qual se tornou sócio relevante em 2024. Ambos trocam declarações de "saudades".
Procurado pela Folha, Tanure diz que "nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto, do Banco Master, tendo mantido com a instituição apenas relações comerciais legÃtimas, como cliente e investidor, nos mesmos moldes em que opera com diversas outras instituições financeiras".
Tanure foi alvo de busca e apreensão em 14 de janeiro, durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, que mirou pessoas supostamente envolvidas em fraudes realizadas pelo Banco Master por meio do uso de fundos de investimento. Ao todo, essa ação policial envolveu o sequestro e bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens de diversas pessoas.
Na investigação, a PF apontou indÃcios de que ele é "sócio oculto do Banco Master, exercendo influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas, razão pela qual o bloqueio do seu patrimônio deve ocorrer".
A operação da PF foi uma espécie de ápice na trilha de controvérsias que marcam a trajetória de Tanure desde a década de 1990.
Entre as empresas nas quais figurou como investidor mais recentemente estão a Prio, do setor de óleo e gás, a incorporadora imobiliária Gafisa, a distribuidora de energia Light, a varejista Dia e a companhia de saúde diagnóstica Alliança Saúde.