A Fundação Ecarta inaugura seu calendário de artes visuais com três exposições simultâneas na Galeria Ecarta, iniciando com um debate entre artistas e curadores. As mostras apresentam produções que exploram linguagens e gerações diversas, abordando temas como arte urbana, memória da cidade, identidade, corpo e migração. A programação reafirma o compromisso da instituição com a pluralidade estética e a arte como reflexão sobre questões contemporâneas, marcando o início de um ano com mais de 20 exposições previstas.
Principais tópicos abordados:
1. Abertura do calendário de artes visuais com três exposições inéditas.
2. Temáticas das mostras: graffiti e cidade, corpo e identidade, migração e utopia.
3. Compromisso da instituição com pluralidade, diálogo arte-cidade e questões contemporâneas.
4. Programação futura da fundação, incluindo editais e itinerância.
A Fundação Ecarta inicia seu calendário de artes visuais nesta quinta-feira (5), com a abertura simultânea de três exposições inéditas na Galeria Ecarta. A programação começa às 17h, com uma conversa aberta entre artistas e curadores, e segue às 19h com a inauguração oficial das mostras.
Ao reunir produções que atravessam diferentes linguagens e gerações, a instituição aposta na pluralidade estética e na arte como ferramenta de reflexão sobre o tempo presente. As exposições ocupam o espaço expositivo com abordagens que transitam entre o urbano e o íntimo, o político e o poético, articulando temas como memória da cidade, pertencimento, identidade e deslocamento.
Integrando o Projeto Seleção Ecarta, a mostra “Tio Trampo: antes, agora e além”, com curadoria de Vinicius Amorim, revisita mais de três décadas de produção de Tio Trampo, um dos pioneiros do graffiti no Brasil. A exposição reúne desenhos, pinturas, fotografias, sketchbooks, objetos, vídeos e registros de murais, compondo um panorama que acompanha a consolidação da arte urbana em Porto Alegre.
De acordo com os organizadores, a mostra evidencia a cidade como território simbólico e suporte criativo. Em sua obra, o espaço urbano deixa de ser apenas cenário e se torna interlocutor, superfície viva, atravessada por disputas, afetos e camadas de memória. “A arte urbana sempre acreditou que a cidade é a galeria mais livre que existe”, afirma o curador. “Meu objetivo é levar a arte para onde as pessoas estão”, sintetiza o artista.
Corpo, vestígio e identidade
Também integra a abertura a exposição “Figura em percurso”, do artista e professor Celso Vitelli, realizada no âmbito do projeto Professor Artista / Artista Professor. A mostra apresenta um conjunto de gravuras que dão continuidade à sua investigação sobre o corpo e a figura humana, tema recorrente em sua trajetória.
As obras operam como vestígios e indícios, tensionando presença e ausência, forma e dissolução. Em vez de representar o corpo de maneira literal, Vitelli propõe uma experiência sensível, em que a imagem se constrói na sugestão e na incompletude. O projeto, segundo o artista, busca valorizar a produção de docentes, muitas vezes invisibilizada no ambiente acadêmico, reafirmando a docência como espaço também de criação artística.
Migração e utopia como horizonte
Completa o conjunto a exposição “A utopia está no infinito”, do artista cubano radicado no Brasil Ioán Carratalá. Reunindo desenhos em carvão, fotografias e esculturas em cerâmica, a mostra investiga a experiência migratória como condição permanente de deslocamento e reconstrução identitária.
A figura do astronauta atravessa a exposição como metáfora do sujeito migrante: alguém suspenso entre mundos, habitando simultaneamente memória e promessa. “Cada emigrante é um astronauta, um explorador do desconhecido em busca de uma nova vida”, afirma Carratalá. A utopia, nesse contexto, não aparece como destino final, mas como horizonte que impulsiona o movimento.
Pluralidade e circulação
Ao abrir o ano com três exposições simultâneas, a Ecarta reafirma seu compromisso com o diálogo entre arte e cidade, com a diversidade de trajetórias e com a valorização de produções que tensionam questões contemporâneas. Segundo o curador da Galeria Ecarta, André Venzon, a proposta é fortalecer o espaço como território de encontro e reflexão.
O programa de artes visuais da instituição prevê mais de 20 exposições ao longo do ano, distribuídas em seus diferentes espaços. Durante a abertura também serão anunciados os cinco artistas selecionados no edital do Projeto Potência, além do calendário do Ecarta Itinerante, iniciativa que leva mostras a municípios do interior do estado.