Resumo objetivo:
Trabalhadores rurais do MST ocuparam pacificamente a superintendência regional do Incra no Recife para cobrar a regularização de acampamentos históricos, com mais de 30 anos, em municípios de Pernambuco. Após reunião, o Incra se comprometeu a iniciar as vistorias nos acampamentos a partir de 23 de março, reconhecendo a importância do movimento para a própria instituição.
Principais tópicos abordados:
1. Ocupação pacífica do Incra pelo MST para pressionar por regularização fundiária.
2. Reivindicação por vistorias e oficialização de acampamentos antigos em três cidades.
3. Negociação bem-sucedida com compromisso do Incra para data de início dos trabalhos.
4. Contexto histórico de luta e parceria entre o movimento social e o órgão público.
Nesta quinta-feira (5), a superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na zona norte do Recife, foi ocupada por trabalhadores rurais que vivem em acampamentos do Movimento Sem Terra (MST). Eles cobram do poder público ações para avançar na regularização de acampamentos nas cidades do Cabo de Santo Agostinho Vitória de Santo Antão e Pombos.
Segundo Poliana Souza, dirigente estadual e coordenadora regional do movimento, trata-se de moradores de terras que já possuem acordos bem encaminhados, mas que ainda precisam de uma oficialização e vistorias por parte do Incra, etapas que vêm sendo adiadas desde o segundo semestre de 2025. “É um momento muito decisivo para a nossa regional, onde nascem as Ligas Camponesas. São acampamentos históricos, com mais de 30 anos, com nossos companheiros sofrendo violências durante esse tempo”, afirma Poliana.
Os acampamentos em questão são o General Abreu e Lima e Luiz Gonzaga, ambos no Cabo de Santo Agostinho; o acampamento São Francisco, em Vitória de Santo Antão; além do Terra Sonhada e do São João Novo, em Pombos.
As famílias chegaram ao Incra por volta das 10 horas da manhã, reivindicando uma conversa com Givaldo Cavalcante, superintendente regional do instituto, que é braço do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). Viaturas policiais foram deslocadas para o local, mas não houve confrontos e a ocupação transcorreu pacificamente, sem incidentes.
“É uma batalha de 30 anos. Precisamos de uma resposta do Incra. Já tem muito tempo que eles não participam das nossas audiências. Queremos ocupar a terra com decência, com tudo liberado pelo Incra, para que famílias e pessoas humildes possam trabalhar com dignidade”, afirma Cristiane da Silva, trabalhadora do acampamento Terra Sonhada.
Por volta do meio-dia, a coordenação do movimento foi recebida para uma reunião com o superintendente Givaldo Cavalcante. De lá, saíram com um compromisso da gestão de que as vistorias nos acampamentos terão início no dia 23 de março, uma segunda-feira.
“O Incra está aqui, somos parceiros e sabemos da importância do movimento para o fortalecimento do instituto. Não existiríamos mais se não fosse o movimento. Sofremos muito nos governos anteriores, mas estamos nos reestruturando aos poucos e recuperando nossa identidade”, declarou o superintendente ao anunciar o compromisso aos ocupantes.
“A gente não abandona a luta porque nós, que nascemos sob condições de desigualdade e injustiça social, não temos outra opção que não seja se organizar e fazer luta. A gente saiu de casa com esse compromisso, de só arredar o pé quando tivermos uma definição concreta”, conclui a dirigente Poliana.